Prejuízo de 19 milhões da Menzies obriga TAP a injetar 5,5 milhões

Companhia aérea fez dois suprimentos através da conversão de créditos em capital. Empresa de serviços de assistência em escala fechou 2024 com elevadas perdas.

A TAP realizou suprimentos de 5,5 milhões de euros para reforçar o capital da Menzies Aviation Portugal, a antiga Groundforce, depois desta ter registado prejuízos elevados em 2024.

A SPdH – designação societária da empresa de serviços de assistência em escala – fechou 2024 com um prejuízo de 19,13 milhões de euros, de acordo com os números publicados no Relatório e Contas da TAP de 2024. O ECO questionou a Menzies sobre a origem deste resultado negativo, mas não obteve resposta até à publicação do artigo.

O impacto negativo nos capitais próprios levou à necessidade de os acionistas realizarem suprimentos. A companhia aérea fez dois, um ainda em 2024, de três milhões de euros, e outro em janeiro de 2025, de 2,5 milhões, segundo informa o Relatório e Contas. Ambos foram realizados através da conversão de dívidas da SPdH à TAP em capital. A transportadora portuguesa é simultaneamente a principal cliente da empresa de handling, sendo responsável por 70% da receita.

A SPdH está em processo de recuperação, depois de ter sido declarada insolvente em agosto de 2021. Em junho do ano passado, foi homologado pelo tribunal o plano de insolvência, que passou pela entrada do novo acionista, a britânica Menzies Aviation, que agora dá a marca à antiga Groundforce e que ficou com 50,1% do capital. Os restantes 49,9% mantiveram-se na TAP.

O plano de insolvência obriga os acionistas a realizar suprimentos caso seja necessário reforçar os capitais próprios ou para investimentos, na proporção da sua participação acionista. No caso da empresa britânica, o reforço é limitado a 10 milhões de euros e no da transportadora a 9,96 milhões, esta última através da conversão de créditos em capital. As dívidas à TAP contabilizadas no âmbito da insolvência somam 15,5 milhões. O ECO já tinha questionado na terça-feira as empresas sobre a possibilidade de novos suprimentos, mas não obteve resposta.

O prejuízo de 2024 soma-se aos números negativos que a empresa vem registando nos últimos anos. Depois de ter fechado o primeiro ano da pandemia com um resultado negativo de 24 milhões, reduziu o prejuízo para 7,7 milhões em 2021 e 1,0 milhão em 2022. Os dados de 2023 não são conhecidos, mas o plano de insolvência projetava um resultado negativo de 2,3 milhões, com as contas a saírem do vermelho nos anos seguintes.

A SPdH tinha capitais próprios negativos de 44 milhões de euros a 31 de dezembro de 2024, segundo os números apresentados pela TAP, muito acima do previsto no plano apresentado pelos administradores de insolvência e aprovado pelos credores.

Além dos suprimentos, a TAP adiantou o pagamento de uma fatura da Menzies Aviation Portugal superior a um milhão de euros, como noticiou esta terça-feira o ECO, para apoiar a tesouraria. Questionada, fonte oficial da companhia aérea respondeu que “o plano de reestruturação da SPdH sofreu um atraso considerável, por condições externas à empresa – tribunais e outros e, naturalmente, tem de se ajustar a prática em conformidade”.

A transportadora acrescentou que a “TAP tem toda a confiança na Menzies para executar o plano que a definiu como compradora da SPdH.

O processo nos tribunais foi, efetivamente, demorado. Os credores aprovaram o plano de insolvência em setembro de 2023, mas o processo dilatou-se ainda vários meses devido aos sucessivos recursos interpostos pela Pasogal, do empresário Alfredo Casimiro, que detinha 50,1% da antiga Groundforce, atrasando o trânsito em julgado da sentença de homologação do plano.

O atraso fez incidir o impacto da reestruturação a partir de 2024. As contas da empresa estão pressionadas pelo calendário de pagamento de dívidas aos credores, o aumento de custos com pessoal, o pagamento de indemnizações por rescisão por mútuo acordo e o desconto comercial atribuído à TAP. Isto apesar de, do ponto de vista operacional, a SPdH beneficiar do crescimento do número de movimentos nos aeroportos nacionais para novos recordes.

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