Globos de Ouro dominados pela Warner no cinema e pela Netflix na televisão
Num cenário em que a compra da Warner pela Netflix paira no setor, a Warner Bros conquistou seis globos de ouro no cinema e a Netflix foi galardoada com cinco globo de ouros na televisão.

A Warner Bros. Discovery foi a grande vencedora da 83ª edição dos Globos de Ouro, angariando nove das 28 estatuetas entregues — seis nas categorias de cinema, com o estúdio Warner Bros, e três nas categorias de televisão, com a HBO Max. A Netflix não esteve muito atrás, dominando as categorias de televisão — com cinco galardões — e totalizando sete vitórias.
Num cenário em que a compra da Warner pela Netflix se oficialize, as duas empresas teriam angariado um total de 16 globos de ouros, mais de metade das estatuetas entregues na cerimónia que decorreu na madrugada desta segunda-feira em Los Angeles. Recorde-se que este negócio está em ameaça devido à oferta hostil da Paramount Skydance, que os acionistas da Warner têm até dia 21 de janeiro para aprovar ou recusar. A administração da Warner recomendou a rejeição do acordo.
Começando então pela televisão, “The Pitt” é a Melhor Série dramática do ano e “Adolescência” venceu quase tudo na categoria de Minissérie. O drama médico da HBO Max venceu numa categoria onde estavam nomeadas “The White Lotus”, “Severance”, “Pluribus”, “Slow Horses” e “The Diplomat” e deu a Noah Wyle o Globo de Ouro de Melhor Ator em Série Dramática.
“Beneficiei de excelentes professores“, disse o ator, que se mostrou muito grato e lisonjeado pela distinção no discurso de vitória. “A todos os trabalhadores da saúde do mundo, obrigado“, acrescentou.
O produtor R. Scott Gemmill também destacou o trabalho dos profissionais de emergência médica, chamando-lhes heróis. “Vivemos num país e num mundo muito dividido, mas o cinema junta-nos não apenas como audiência mas como comunidade“, afirmou, em palco. “Quando trabalhamos juntos com decência, humanidade e respeito pelos outros é uma coisa incrível“, acrescentou.
A outra série que saiu do Beverly Hilton como grande vencedora foi “Adolescência”, da Netflix, não só considerada a Melhor Minissérie mas também garantindo três prémios de representação: Melhor Ator para Stephen Graham, Melhor Atriz Secundária para Erin Doherty e Melhor Ator Secundário para Owen Cooper. “Isto não parece real“, disse o jovem ator, de apenas 16 anos. “Tem sido uma jornada incrível para mim e para a minha família“, afirmou. “Continuo a aprender todos os dias“, continuou.
Na categoria de drama, Rhea Seehorn venceu o Globo de Melhor Atriz pelo seu papel na série “Pluribus”, uma novidade da Apple TV que tem arrancado elogios da crítica. A atriz mostrou-se surpreendida quando ouviu o seu nome e disse que estava “um pouco chocada”, agradecendo a Vince Gilligan por ter escrito para ela “o papel de uma vida“.
Na comédia, “The Studio” ultrapassou uma das favoritas, “Hacks”, e Seth Rogen levou para casa a estatueta de Melhor Ator. “É muito estranho. Fingimos que estávamos a fazer isto e agora está a acontecer“, disse Rogen, entre gargalhadas, aludindo a um dos episódios da série da Apple TV. Em sentido contrário, “The White Lotus” não venceu qualquer estatueta, apesar de seis nomeações.
Esta é a lista de vencedores nas categorias de televisão:
- Melhor Série Dramática – “The Pitt” (HBO Max)
- Melhor Atriz em série dramática – Rhea Seehorn, “Pluribus” (Apple TV)
- Melhor Ator em série dramática – Noah Wyle, “The Pitt” (HBO Max)
- Melhor Atriz Secundária em televisão – Erin Doherty, “Adolescência” (Netflix)
- Melhor Ator Secundário em televisão – Owen Cooper, “Adolescência” (Netflix)
- Melhor Minissérie, série de antologia ou Filme para Televisão – “Adolescência” (Netflix)
- Melhor Atriz em minissérie, série de antologia ou filme para televisão – Michelle Williams, “Dying for Sex” (FX)
- Melhor ator em minissérie, série de antologia ou filme para televisão – Stephen Graham, “Adolescência” (Netflix)
- Melhor Série Musical ou Comédia – “The Studio” (Apple TV)
- Melhor Atriz em série musical ou comédia – Jean Smart, “Hacks” (HBO Max)
- Melhor Ator em série musical ou comédia – Seth Rogen, “The Studio” (Apple TV)
- Melhor Performance Stand-Up para Televisão – Ricky Gervais, “Mortality” (Netflix)
Brasil faz história nos Globos de Ouro com Wagner Moura e “O Agente Secreto”

Já no cinema, o Brasil fez história ao vencer duas estatuetas nos Globos de Ouro, com o filme “O Agente Secreto” a ser considerado o Melhor em Língua Não Inglesa e Wagner Moura a ser distinguido como Melhor Ator.
“O Agente Secreto é um filme sobre memória, a falta de memória e trauma geracional”, disse Wagner Moura, ao aceitar o Globo de Ouro. “Se o trauma pode ser passado de geração em geração, os valores também podem”, continuou, dedicando o prémio aos que continuam a “defender os seus valores em momentos difíceis”.
Foi a primeira vez que o Globo de Ouro de Melhor Ator foi entregue a um brasileiro. Moura, que venceu numa categoria onde também estavam Michael B. Jordan, Dwayne Johnson, Joel Edgerton, Oscar Isaac e Jeremy Allen White, terminou o discurso falando em português para toda a gente no Brasil que assistiu à cerimónia.
“Dedico isto aos cineastas jovens”, tinha dito, minutos antes, o realizador Kléber Mendonça Filho, ao receber o Globo de Ouro para Melhor Filme em Língua Não Inglesa. “Este é um momento muito importante na História para fazer filmes, tanto aqui nos Estados Unidos como no Brasil”, afirmou, em inglês.
“O Agente Secreto” também estava nomeado para Melhor Filme Dramático, mas perdeu a estatueta para “Hamnet”, o filme de época realizado por Chloé Zhao sobre a vida privada de William Shakespeare.
A realizadora lembrou palavras do protagonista, Paul Mescal, que lhe disse que a coisa mais importante no artista é ser vulnerável o suficiente para poder ser visto realmente como é. “Tantos de vocês tornaram-se fortes e suaves ao mesmo tempo”, disse Zhao, dirigindo-se aos cineastas da sala. “Vamos deixar que nos vejam”, acrescentou. A protagonista do filme, Jessie Buckley, também levou para casa o Globo de Melhor Atriz em Filme Dramático.
O outro grande vencedor da noite, que marcou a 83ª edição dos prémios, foi “Batalha Atrás de Batalha”, que levou para casa as estatuetas de Melhor Filme Musical ou Comédia, Melhor Argumento, Melhor Realizador para Paul Thomas Anderson e Melhor Atriz Secundária para Teyana Taylor.
“O propósito encontra sempre o seu momento”, afirmou a atriz, que foi a primeira vencedora da noite em Los Angeles. “A nossa luz não precisa de permissão para brilhar”, disse, dirigindo-se às “irmãs e raparigas de cor” que a viram triunfar na cerimónia.
Na categoria de Musical ou Comédia, Rose Byrne foi a Melhor Atriz por “If I had Legs I’d Kick You” e Timothée Chalamet foi Melhor Ator por “Marty Supreme”. Já Stellan Skarsgard emergiu vitorioso como Melhor Ator Secundário por “Valor Sentimental”, um filme independente falado em norueguês que se tornou num dos favoritos do ano.
Mas um dos mais cotados, “Sinners”, acabou por levar para casa apenas dois Globos de Ouro: o de Melhor Banda Sonora, da autoria de Ludwig Göransson, e Conquista Cinemática e de Bilheteira. Na animação, “KPop Demon Hunters”, da Netflix, levou o prémio para casa, juntamente com Melhor Canção Original, com “Golden”.
Eis a lista de vencedores nas categorias de Cinema:
- Melhor Realizador – Paul Thomas Anderson, “Batalha Atrás de Batalha” (Warner Bros.)
- Melhor Argumento – Paul Thomas Anderson, “Batalha Atrás de Batalha” (Warner Bros.)
- Melhor Filme Dramático – “Hamnet” (Focus Features)
- Melhor Atriz em Filme Dramático – Jessie Buckley, “Hamnet” (Focus Features)
- Melhor Ator em Filme Dramático – Wagner Moura, “O Agente Secreto”
- Melhor Atriz Secundária em Filme – Teyana Taylor, “Batalha Atrás de Batalha” (Warner Bros)
- Melhor Ator Secundário em Filme – Stellan Skarsgård, “Valor Sentimental” (Neon)
- Melhor Filme Musical ou Comédia – “Batalha Atrás de Batalha” (Warner Bros)
- Melhor Atriz em Filme musical ou comédia – Rose Byrne, “If I Had Legs I’d Kick You” (A24)
- Melhor Ator em Filme musical ou comédia – Timothée Chalamet, “Marty Supreme” (A24)
- Melhor Filme de Animação – “KPop Demon Hunters” (Netflix)
- Melhor Filme em Língua Não Inglesa – “O Agente Secreto”, Brasil (Neon)
- Melhor Canção Original – “Golden”, “KPop Demon Hunters” (Netflix)
- Melhor Banda Sonora – Ludwig Göransson, “Sinners” (Warner Bros)
- Conquista cinemática e de bilheteira – “Sinners” (Warner Bros.)
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