Mais de um terço dos publishers confiantes sobre perspetivas dos media
Os editores vão dar menos prioridade aos esforços dedicados ao SEO (Search Engine Optimization) do Google à moda antiga (-25), bem como às redes sociais tradicionais Facebook (-23) e X (-52).
Mais de um terço (38%) dos editores, presidentes executivos (CEO) e executivos digitais afirmam estar confiantes quanto às perspetivas para os media nos próximos 12 meses, refere o relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism para 2026. Esta percentgem revela uma queda de 22 pontos percentuais face a 2022.
Esta é uma das conclusões do relatório sobre tendências e previsões para o jornalismo e tecnologia “Journalism and Technology Trends and Predictions 2026” divulgadas esta semana e que recolheu respostas de 280 líderes de media de 51 países e territórios.
As preocupações declaradas incluem ataques políticos contra o jornalismo, perdas de apoio aos media independentes em muitas partes do mundo e quedas significativas no tráfego dos sites de notícias. Por contraste, mais de metade (53%) afirma estar confiante em relação às perspetivas dos seus próprios negócios, semelhante ao ano passado.
Os editores dizem ainda que “será importante focar em mais investigações originais e reportagens in loco (diferença de 91 pontos percentuais entre ‘mais’ e ‘menos’), análises e explicações contextuais (+82) e histórias humanas (+72)”.
Em contrapartida, planeiam reduzir em áreas onde os ‘chatbots’ de IA podem ter um papel e, ao mesmo tempo, acreditam que será importante investir em mais vídeos (+79), mais formatos de áudio (+71), como ‘podcasts’, mas um pouco menos em conteúdo de texto.
Em termos de estratégias fora das suas plataformas, o YouTube será o foco principal dos editores este ano (+74), um aumento substancial em relação ao ano passado. Outras plataformas baseadas em vídeo, como o TikTok (+56) e o Instagram (+41), também são prioridades importantes. A estas prioridades junta-se a necessidade de perceber como distribuir o conteúdo através de plataformas de IA (+61), como o ChatGPT da OpenAI, o Gemini da Google ou o Perplexity.
Não obstante à disputa com os modelos de IA, os executivos de notícias também veem oportunidades para gerar novas receitas com o licenciamento de conteúdo (ou uma parte da receita publicitária) dentro dos ‘chatbots‘.
Em contrapartida, os editores vão dar menos prioridade aos esforços dedicados ao SEO (Search Engine Optimization) do Google à moda antiga (-25), bem como às redes sociais tradicionais Facebook (-23) e X (-52).
Quatro em cada 10 publishers afirma que IA nas redações é promissora
Por outro lado, cerca de quatro em cada 10 (44%) ‘publishers’ afirma que iniciativas de inteligência artificial (IA) nas suas redações estão a mostrar resultados “promissores”, segundo o relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism.
Um número semelhante de ‘publishers’ (42%) descreve as aplicações de IA nas redações como “limitadas”, todavia o uso de tecnologias de IA por organizações de notícias continua a aumentar em todas as categorias, com a automação de ‘back-end‘ (parte de uma aplicação ou site, responsável pela lógica, banco de dados e servidores) considerada “importante” este ano pela grande maioria (97%).
Em relação a postos de trabalho, dois terços dos inquiridos (67%) afirmam que, até ao momento, não suprimiram nenhum posto de trabalho como resultado das eficiências da IA. Porém, cerca de um em cada sete (16%) afirma ter reduzido ligeiramente o número de funcionários, mas mais um em cada dez (9%) acresceu novas funções ou custos.
Face ao aumento de criadores de notícias e influenciadores, esta é uma preocupação para os editores em dois eixos. Mais de dois terços (70%) dos inquiridos estão preocupados que estes criadores de conteúdo estejam a tirar tempo e atenção do conteúdo dos editores.
Quatro em cada dez (39%) temem estar em risco de perder os melhores talentos editoriais para o ecossistema de criadores, que oferece mais controlo e recompensas financeiras potencialmente mais elevadas.
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