Fundos de pensões acumulam perdas de 17% em 2022

  • ECO Seguros
  • 27 Fevereiro 2023

No ano passado, os fundos de pensões globais contabilizaram perdas de 9,6 biliões de euros. Foi o pior ano desde 2008 para a indústria. Os fundos nacionais também não escaparam e terão perdido 11,4%.

O ano que passou foi também doloroso para os fundos de pensões. Com desvalorizações na ordem dos dois dígitos de praticamente todos os ativos, também os fundos de pensões mostraram-se incapazes de contornar a crise que se abateu sobre os mercados, particularmente após o início da guerra da Ucrânia.

De acordo com o estudo anual sobre o setor do Thinking Ahead Institute, os fundos de pensões globais registaram uma desvalorização de 17% dos seus ativos, fechando o ano de 2022 com cerca de 45 biliões de euros de ativos sob gestão. Num ano, os fundos de pensões globais perderam 9,6 biliões de euros.

Este desempenho, que só é comparável às perdas registadas em 2008, embate numa rendibilidade média anual de 6% ao longo dos últimos 20 anos, ou 4,2% por ano na última década, segundo cálculos do Thinking Ahead Institute, instituição pertencente à corretora WTW, que se dedica à inovação na indústria financeira.

Marisa Hall, chefe do Thinking Ahead Institute, afirmou: “No ano passado vivemos, até certo ponto, uma policrise global na qual, como resultado, vários riscos combinados foram amplificados e manifestaram-se em quedas significativas de ativos. É nossa opinião que estes riscos sistémicos irão aumentar no futuro e emanarão predominantemente de fontes ambientais, societárias e geopolíticas.”

Para a investigadora, “embora muitos fundos de pensões estejam concentrados no longo prazo, esta situação apresenta desafios a curto prazo que não podem ser ignorados. O principal desafio é que é quase impossível determinar o preço exato destes riscos, uma vez que têm uma elevada incerteza e baixo controlo, mas é provável que o seu impacto seja amplo e significativo e testará a resiliência organizacional”, conclui.

Baseado numa amostra de cerca de 75% dos fundos de pensões portugueses, José Marques, diretor da WTW Portugal, estima uma rendibilidade negativa de 11,4% no ano passado.

 

Fundos nacionais não escapam à queda dos mercados

O estudo do Thinking Ahead Institute não inclui o mercado nacional, mas José Marques, diretor da WTW Portugal, refere que 2022 foi também marcado por baixas rendibilidades para os fundos de pensões portugueses. “A estimativa da WTW, baseada numa amostra de cerca de 75% dos fundos de pensões portugueses, aponta para uma rendibilidade de -11,4% no ano passado“, refere José Marques, citado em comunicado, notando ainda que estes tinham sob gestão cerca de 21,3 mil milhões de euros de ativos, cerca de 9,2% do PIB.

Pelas contas de José Marques, os fundos de pensões nacionais terão visto esfumar-se dos seus portefólios cerca de 2,7 mil milhões de euros. A justificar os resultados menos negativos dos fundos nacionais face aos fundos de pensões globais está a adoção de um perfil de investimento mais conservador por parte dos gestores portugueses.

“A alocação média a ações é de apenas 23% e a alocação ao mercado imobiliário e outros investimentos alternativos de apenas 14%. Estes valores comparam com 32% e 23%, respetivamente, nos maiores mercados mundiais de fundos de pensões”, conclui José Marques.

Segundo o estudo, desde 2002 que a alocação a ações por parte dos fundos de pensões diminuiu de 50% para 42%. O mesmo sucedeu com a exposição ao mercado de dívida, com os fundos a reduzirem a sua exposição a obrigações de 38% para 32%.

Em contrapartida, a maioria dos fundos elevou a exposição a outros ativos (imobiliário e ativos alternativos), com a carteira a passar de uma alocação de 9% em 2002 para uma estimativa de 23% no final de 2022.

O estudo revela ainda uma enorme concentração da indústria em três países. “Os EUA são o maior mercado de fundos de pensões seguido, a uma distância significativa pelo Japão e Canadá. Em conjunto, estes três mercados controlam cerca de 76% dos ativos investidos pelos fundos de pensões a nível global”, lê-se no documento.

Além disso, nota ainda que em muitas regiões do globo, as pensões de Benefício Definido (BD) continuaram a diminuir numa mudança contínua para planos de Contribuição Definida (CD). Nos últimos 20 anos, os ativos globais de CD cresceram 7,2% por ano, em comparação com os 4,4% da taxa de crescimento anual dos ativos de BD.

O estudo da corretora WTW, através do seu Thinking Ahead Institute, culpa instabilidade dos mercados e investimento em ações. Portugal tem gestores mais prudentes e logo as perdas foram mais reduzidas.

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