Diversidade e inclusão: uma vantagem competitiva para o sucesso empresarial

  • Rita Correia
  • 14:00

As empresas estão cientes de que uma política de D&I robusta não apenas melhora a sua imagem, mas também atrai e retém os melhores talentos.

A Diversidade e a Inclusão (D&I) são fenómenos emergentes que ganham cada vez mais protagonismo e importância pelo facto de o mundo se ter tornado uma ‘aldeia global’. A sua crescente valorização na gestão empresarial contribui para um desenvolvimento mais sustentado, fazendo com que as empresas se revelem mais inovadoras e propensas a originar melhores resultados.

Uma estratégia de D&I nas organizações é projetada para aumentar o número de colaboradores com diferentes origens, etnias, géneros, idades, religiões e deficiências e também para cultivar um ambiente solidário, colaborativo e respeitoso.

Estas estratégias têm ganho relevância, especialmente depois da pandemia, com muitas empresas a reconhecer a importância de promover ambientes inclusivos para melhorar o desempenho financeiro e atrair talentos diversos. As empresas estão cientes de que uma política de D&I robusta não apenas melhora a sua imagem, mas também atrai e retém os melhores talentos, fomentando a inovação e a competitividade.

As principais vantagens

Como já afirmou António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, “o facto de as sociedades estarem a tornar-se cada vez mais multiétnicas, multiculturais e multirreligiosas é bom. A diversidade é uma força, não uma fraqueza.”

Equipas diversificadas e inclusivas tendem a ser mais inovadoras, a estar mais bem preparadas para enfrentar os desafios, obter excelentes resultados e alcançar mais oportunidades. Uma equipa com um ambiente diverso e inclusivo tem mais competências, uma capacidade de análise mais ampla e, consequentemente, consegue definir estratégias de negócio mais consistentes e acertadas e, portanto, mais produtivas.

Uma cultura organizacional diversa e inclusiva favorece a adaptação à mudança e fomenta soluções criativas, por proporcionar a convivência de grupos com diferentes culturas, e, desse modo, consegue atrair os melhores colaboradores. Os seus vínculos com a organização reforçam-se através de uma maior dedicação ao trabalho e a manifestação de orgulho por pertencer à empresa.

A integração profissional de pessoas pertencentes a grupos minoritários acaba por se traduzir num sentimento global de justiça. E uma sociedade mais justa é um fator competitivo extremamente relevante, com um retorno muito positivo para as organizações que dela fazem parte.

Estimular políticas de recursos humanos inclusivas

As organizações conseguem construir uma cultura inclusiva introduzindo estratégias intencionais para alcançá-la. Se possível, deve eleger-se alguém responsável pelo acompanhamento das ações de D&I na organização, o qual ficará comprometido com a causa e monitorizará regularmente todo o processo, a partir de indicadores criados para o efeito.

Este acompanhamento contínuo permitirá fazer ajustes e otimizações nas estratégias implementadas, garantindo que a D&I avance em todos os níveis da organização​. As ações devem ser aplicadas ao longo de todo o processo de gestão de talento, abrangendo o recrutamento, desenvolvimento e retenção.

A estratégia de negócio deve ter em conta objetivos e quotas que digam respeito à D&I das equipas. Um exemplo disso é o estabelecimento de quotas de contratação, procurando o equilíbrio de género, nacionalidade, etnia, etc. nos processos de recrutamento ou na abertura de ofertas de emprego para comunidades desprotegidas. A orientação deve ser contratar pessoas qualificadas com base nas suas habilidades e capacidades, sem qualquer tipo de discriminação.

Para alcançar esta cultura inclusiva é imprescindível o compromisso dos líderes com essa necessidade, para, assim, o demonstrarem no dia a dia e servirem como os embaixadores da D&I na entidade empresarial.

Por outro lado, a reorganização do espaço de trabalho, tornando-o abrangente e acolhedor, pode trazer resultados bastante positivos para aproximar as diferentes equipas e promover um ambiente colaborativo entre colaboradores de diferentes departamentos. Para além disso, será mais fácil de otimizar o acesso de pessoas com necessidades especiais e tornar todo o layout mais dinâmico.

Com o aumento do trabalho remoto durante a pandemia, muitas empresas também passaram a integrar práticas inclusivas em ambientes híbridos. Isto implica a criação de políticas de trabalho flexível que atendam às necessidades de diferentes grupos, garantindo que todos os colaboradores, independentemente da sua localização ou circunstância, tenham as mesmas oportunidades de contribuição e crescimento​.

Em jeito de conclusão, as organizações estão cada vez mais comprometidas com a criação de ambientes de trabalho mais diversos e inclusivos, o que se reflete tanto na promoção da equidade quanto na valorização de diferentes perspetivas e culturas dentro das equipas. No entanto, em Portugal, ainda há espaço para melhoria, especialmente em termos de inclusão de pessoas com deficiência e equidade de género nas posições de liderança.

*Texto escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 em vigor desde 2009.

  • Rita Correia
  • Responsável pelo gabinete de marketing e comunicação da RHmais

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