Mulheres chamadas à liderança pelo exemplo
Ter mulheres na liderança, sobretudo em áreas como a energia, é importante, pois é essencial para que mais sigam o mesmo caminho e se inverta o desequilíbrio.
“Eu nunca tive o plano de ser presidente da ERSAR [Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos]”, indica Vera Eiró, atualmente no cargo. Não tinha um plano definido, concentrando-se sobretudo em apresentar resultados. Até que, o escritório de advogados onde trabalhava lhe propôs um curso de liderança feminina, para o qual foi “bastante contrariada”. Mudou-lhe a perspetiva. “A partir desse momento, percebi que tinha que passar a olhar para o futuro, e tentar perceber o que quero fazer, e não tanto se estou ou não a cumprir um caderno de encargos”, explica. Passou, por exemplo, a informar-se sobre as regras para as promoções e a evidenciar que estava disponível para ser promovida.
Alice Khouri, que chefia o departamento legal da energética Helexia, reconhece que se move num setor “muito desigual” no que toca à força de trabalho. “E, é claro, não podia ser diferente nos cargos de topo”, observa. “Até ao último ano eu dizia muito que nunca me tinha sentido discriminada, e fui chamada à atenção por parte da minha mãe. Ela disse: ‘Minha filha, uma mulher que nunca foi discriminada, é só uma mulher distraída’.”
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Ana Fontoura Gouveia, coordenadora de Sustentabilidade no Banco de Portugal, Vera Eiró, presidente do Conselho de Administração da ERSAR e Alice Khouri, diretora jurídica da Helexia -
Alice Khouri, diretora jurídica da Helexia e cofundadora da iniciativa Women in ESG -
Ana Fontoura Gouveia, coordenadora de Sustentabilidade no Banco de Portugal -
Vera Eiró, presidente do Conselho de Administração da ERSAR
E a verdade, de acordo com dados do Fórum Económico Mundial, é que a igualdade de género não é uma realidade em nenhum país do mundo, salientou. Em relação aos temas da sustentabilidade, nos quais a presença feminina é mais relevante, Eiró considera que “podem ser uma armadilha para as mulheres”. “Se não for olhado como uma questão de negócio, é um adereço”, alerta.
Ana Fontoura Gouveia, que coordena o gabinete de sustentabilidade no Banco de Portugal, mas já exerceu o cargo de secretária de Estado da Energia, considera “expressivo” o desequilíbrio nesta área e salienta que o problema que daqui decorre é que se, as jovens raparigas não escolhem cursos superiores nas áreas de ciências, de engenharia e matemática, “isso significa que mais à frente os seus salários também serão piores”.
Fontoura Gouveia aponta que, no universo dos melhores alunos de matemática do secundário, no grupo dos rapazes 50% quer ir para engenharias, enquanto só 15% das raparigas o escolhem. “Precisamente porque não há exemplos. Não há modelos femininos nestas áreas. Ou há muito menos. E é por isso que eu acho que é tão importante termos uma Ministra da Energia que é mulher, ou uma secretária de Estado”, defende. Vera Eiró concorda: “Não é dar exemplo no sentido de que as mulheres [nas chefias] têm de ser perfeitas, porque isso é excessivo. É para mostrar que é possível.”
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