Defesa nacional emprega 40 mil pessoas. Investimentos podem chegar aos mil milhões

  • ECO
  • 26 Março 2025

Os especialistas antecipam crescimento, em linha com a Europa, mas veem poucas vantagens financeiras em recorrer aos empréstimos da União Europeia.

A indústria da defesa, um segmento de atividade económica diversificado que engloba 40 setores, conta com 380 empresas em Portugal, que empregam cerca de 40 mil trabalhadores, revela esta quarta-feira o Diário de Notícias (DN). Os especialistas antecipam crescimento, em linha com a Europa, mas veem poucas vantagens financeiras em recorrer aos empréstimos da União Europeia (UE).

Em causa está o facto de abranger não só armas, veículos militares e submarinos, mas também construção, rações de combate, entre outras áreas. Em 2019, a defesa gerou vendas acumuladas de 4,75 mil milhões de euros, de acordo com os dados oficiais mais recentes.

O presidente da IdD Portugal Defence, a holding que gere as participações públicas nas empresas da Defesa, considera que os investimentos anuais podem aumentar, dos atuais 300 milhões de euros programados, para perto de mil milhões até 2029 “sem pôr em causa as contas públicas”.

“Nos vários ramos, temos solicitações e compromissos, principalmente ao nível da NATO, que temos de satisfazer”, justificou Ricardo Pinheiro Alves, em entrevista ao Jornal de Negócios, na qual alerta também que há países europeus que “ignoram” as regras do mercado único na Defesa, “compram claramente aos seus fabricantes e pagam multas se for preciso”.

Questionado sobre o possível desfecho da Cimeira da Nato em junho, na qual as metas podem avançar para 3,5% do PIB, sendo que Portugal estabeleceu chegar a 2029 com 2% do PIB em Defesa, o presidente da IdD disse que “gastar em armas é necessário”, porque “quando estamos a investir na Defesa, há um triplo retorno”.

“Havia a intenção deste Governo de, em 2029, se atingir 2%. Eventualmente esse objetivo vai ser revisto agora em Haia. Ainda não se sabe muito bem. Fala-se nos 3%, 3,5%. O que aconteceu em Portugal, desde o início da democracia, é que se desinvestiu em Defesa ou não se investiu”, defende, em declarações ao matutino económico.

O problema é que, como escreve o jornal Público, as taxas de juros a que Portugal se financia atualmente nos mercados, próximas daquelas a que a Comissão Europeia está a conseguir emprestar dinheiro aos Estados-membros, os empréstimos da UE para a defesa tornam-se menos atrativos.

O país fica com poucas benesses para recorrer ao fundo proposto por Bruxelas para financiar o reforço da despesa europeia. O programa SAFE – Security Action for Europe é uma linha de crédito que pode chegar até 150 mil milhões de euros com maturidades longas de 45 anos.

Do ponto de vista puramente financeiro, não vejo grande vantagem [em Portugal recorrer aos empréstimos do SAFE], porque a diferença de taxas de juro neste momento é muito reduzida e o país até perde flexibilidade na gestão da sua dívida pública”, diz João Moreira Rato, ex-presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP, à mesma publicação.

A opinião foi partilhada por Filipe Garcia, presidente da IMF – Informação de Mercados Financeiros, que considera que “a decisão não deve ser só financeira”, embora diga que “Portugal está neste momento com um spread muito parecido ao da UE”.

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