Taxa de poupança das famílias sobe para 12,2% e supera máximos de 2021
O rendimento disponível das famílias cresceu a um ritmo superior ao do consumo no final do ano passado, elevando a taxa de poupança para o valor mais elevado desde o primeiro trimestre de 2021.
As famílias portuguesas estão a poupar mais. Segundo dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de poupança das famílias registou um aumento significativo no quarto trimestre de 2024, atingindo os 12,2% do rendimento disponível bruto (RDB), um valor que não se via desde o 2021.
Este resultado representa um crescimento de 1,1 pontos percentuais face ao trimestre anterior, quando a taxa era de 11,1%. Este desempenho reflete-se também na melhoria da capacidade de financiamento das famílias, que subiu para 4,7% do PIB, mais 0,8 pontos percentuais do que no trimestre anterior.
De acordo com os dados do INE, o aumento da taxa de poupança foi impulsionado por um crescimento de 3,1% do rendimento disponível bruto das famílias (em termos nominais) no quarto trimestre de 2024, que foi superior ao aumento da despesa de consumo final das famílias, que se situou nos 1,9%. Em termos reais, o consumo privado cresceu apenas 1,2%, refletindo o impacto da inflação nos preços dos bens e serviços.
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Outro fator relevante foi a evolução positiva das remunerações recebidas pelas famílias, que contabilizaram um aumento de 2,2%, e do excedente bruto de exploração e rendimento misto, que cresceu 1,7%. Estes indicadores traduzem uma melhoria geral nas condições económicas e laborais no país.
Além disso, os técnicos do INE destacam também o contributo positivo dos impostos para o crescimento do rendimento disponível das famílias, como resultado da redução do IRS pago pelas famílias devido à aplicação de novas tabelas de retenção na fonte desempenhou um papel importante.
“É importante ainda referir o contributo positivo dos impostos para o crescimento do RDB das Famílias (0,6 pontos percentuais), refletindo a redução do IRS pago devido à aplicação de novas tabelas de retenção na fonte”, lê-se no comunicado do INE.
Além disso, os dados do INE revelam também um crescimento de 3,5% do investimento das famílias, sobretudo em habitação. “A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) das famílias, que corresponde essencialmente à FBCF em habitação, aumentou 3,5% no 4.º trimestre de 2024 (3,2% no trimestre anterior)”, refere o documento. Apesar deste crescimento, a taxa de investimento das famílias manteve-se estável. “A taxa de investimento das famílias (medida através do rácio entre a FBCF e o rendimento disponível) atingiu 5,8%, resultado idêntico ao trimestre anterior”.
Após uma queda acentuada em 2022 (7,3%) e uma recuperação moderada em 2023 (8,3%), o valor atual representa uma recuperação robusta da taxa de poupança das famílias. Este aumento está alinhado com a tendência global de maior prudência financeira por parte das famílias num contexto económico ainda marcado pela incerteza.
A maior taxa de poupança traduziu-se numa capacidade acrescida das famílias para financiar outros setores da economia. No quarto trimestre de 2024, as famílias apresentaram uma capacidade líquida de financiamento equivalente a 4,7% do PIB. Esta melhoria contrasta com a necessidade crescente de financiamento observada noutros setores institucionais, como as sociedades não financeiras.
“O saldo das famílias cresceu progressivamente desde o 2.º trimestre de 2023, situando-se em 4,7% do PIB no 4.º trimestre de 2024 […]. Este resultado refletiu o aumento de 13,2% da poupança das famílias”, refere o INE em comunicado.
Apesar dos resultados positivos no final de 2024, a sustentabilidade deste nível elevado de poupança dependerá da evolução económica e social nos próximos trimestres. A inflação continua a ser um fator crítico para o poder de compra das famílias e pode condicionar tanto o consumo como a capacidade para poupar. Além disso, eventuais alterações nas políticas fiscais ou nas condições laborais poderão impactar diretamente o rendimento disponível.
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