
Libertar o potencial da energia solar em Portugal com soluções mais versáteis
O investimento em sistemas de armazenamento de energia, os esforços de modernização da rede e soluções energéticas descentralizadas são essenciais para melhorar a flexibilidade.
Portugal ocupa de há longa data um lugar relevante na linha da frente da transição energética global em curso, mostrando de forma clara como um país pode acelerar a adoção de renováveis com políticas públicas fortes e investimentos estratégicos. Iniciativas como tarifas de aquisição de energias renováveis, acordos de compra a longo prazo e incentivos ao autoconsumo têm desempenhado um papel crucial na liderança assumida nesta transição.
Os resultados são claros – em 2024, a produção de energia renovável em Portugal atingiu um valor recorde de 36,7 TWh, o que representa 71% do consumo nacional de eletricidade. Este sucesso resulta de um portefólio diversificado de renováveis, incluindo eólicas e hídricas. De entre estas, a energia solar representa o principal fator para o crescimento futuro. Com aumentos anuais de 37%, a energia solar está a transformar-se num pilar fundamental para atingir as metas ambiciosas de energia verde do país.
No entanto, e apesar desta evolução marcante, a expansão da energia solar em Portugal tem vindo a deparar-se com dificuldades significativas. Entre estas, encontram-se dois desafios ligados à orografia do território e à infraestrutura de energia: limitações na capacidade da rede e disponibilidade de espaço para implementação dos projetos.
A rede elétrica nacional tem limitações na capacidade de absorver a energia gerada, o que limita o potencial de grandes projetos de energia solar. Para endereçar esta limitação, o investimento em sistemas de armazenamento de energia, os esforços de modernização da rede e soluções energéticas descentralizadas são essenciais para melhorar a flexibilidade da rede e assegurar uma eficiente distribuição de energia. Em simultâneo, os conflitos quanto à utilização de espaços físicos surgem quando os parques solares estão na proximidade ou no interior de áreas ecologicamente sensíveis ou em terrenos de elevado potencial ou produção agrícola. Ao contrário de outras fontes de energia renovável, a energia solar ocupa um espaço substancial, o que pode levar a uma opção entre desenvolvimento energético e as utilizações mais tradicionais dos terrenos. Num país em que os terrenos férteis são um recurso valioso, encontrar novas formas de expandir a implantação da energia fotovoltaica sem sacrificar a produtividade agrícola é fundamental.
A expansão da energia solar para novas fronteiras: colinas e terrenos agrícolas
A topografia de Portugal, com fortes inclinações e colinas ondulantes, tem sido vista tradicionalmente como uma limitação para a implementação de projetos de energia solar.
Uma das inovações mais promissoras para endereçar estas limitações é a denominada AgriPV (Agricultural Photovoltaics, ou energia fotovoltaica agrícola), um conceito que integra a produção de energia solar com a produção agrícola. Ao invés de competir pelo mesmo espaço, as soluções AgriPV permitem a coexistência de painéis solares com áreas de produção de diversas plantas, proporcionando uma sombra que pode mesmo em diversos casos contribuir para uma melhor produtividade agrícola.
A necessidade de soluções tecnológicas adequadas: Repensar a expansão solar
A utilização de estruturas em grande escala, testadas e comprovadas, para este tipo de projetos é contraproducente, por não responder aos quesitos específicos destes projetos – podem ser eficazes, mas falta-lhes a precisão e adaptabilidade necessárias para atingir os melhores resultados. Os sistemas solares tradicionais de larga escala trabalham bem em áreas abertas e planos, mas são frequentemente demasiado rígidos e inadequados para a complexa paisagem existente em Portugal. Para tirar o máximo partido do potencial total de energia solar, necessitamos de ferramentas mais flexíveis e adaptáveis – que tragam precisão, flexibilidade e eficiência a um nível superior.
Sistemas mais recentes e mais versáteis de rastreamento solar e estruturas de suporte flexíveis tornam agora possível instalar painéis solares em zonas mais desafiantes, maximizando a utilização do espaço sem exigência de modificações ao terreno existente.
Adicionalmente, algumas opções de rastreadores solares existentes podem otimizar a utilização dual com a agricultura fotovoltaica, permitindo ajustar os ângulos dos painéis ao longo do dia, assegurando a maximização da produção de energia enquanto se preserva a produtividade agrícola.
Uma abordagem inteligente: tecnologia versátil para um futuro resiliente
O caminho para o futuro da indústria solar em Portugal requer uma mudança de perspetiva. Ao invés de considerar o terreno mais difícil e potenciais conflitos quanto à sua utilização como barreiras intransponíveis, devemos equipar-nos com as ferramentas adequadas – equipamentos versáteis e soluções inteligentes de software desenhadas para se adaptarem a paisagens complexas. Ao tirar Partido da inovação em rastreamento solar, sistemas de suporte modulares e soluções agrivoltaicas, Portugal pode continuar na liderança na utilização de energia renovável sem comprometer o ambiente nem outras utilizações críticas para o território.
O futuro da energia em Portugal será definido pela sua capacidade de adoção da inovação e adaptabilidade. Ao implementar a tecnologia adequada a cada situação ou necessidade, Portugal pode transformar os seus desafios naturais em forças para o seu crescimento. E esta realidade não se aplica apenas na expansão da energia solar – significa permitir a sua expansão de forma inteligente, assegurando que Portugal se mantém um líder relevante na utilização de energia sustentável para as futuras gerações.
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