Exclusivo Banco de Portugal ganha tempo para analisar venda do banco da Fundação Oriente a chineses
Dois anos depois, venda do BPG aos chineses da VCredit continua nas mãos do regulador. Prazo do acordo terminava em um mês, mas foi prolongado por mais seis meses.
Com o aproximar do prazo de validade a ameaçar o negócio de 20 milhões de euros, a Fundação Oriente e os chineses da VCredit decidiram prolongar por mais seis meses o acordo relativo ao Banco Português de Gestão (BPG), na expectativa de que o regulador venha a aprovar a operação até ao início de novembro.
“Os requisitos formais necessários foram cumpridos pelos interessados e o Banco de Portugal solicitou, para não estar constrangido em relação ao aproximar da Long Stop Date, uma extensão do acordo”, adiantou o presidente do conselho de administração, João Costa Pinto, em declarações ao ECO. “Existe a expectativa de que o processo esteja numa fase final”, acrescentou.
Já depois da publicação do artigo, João Costa Pinto esclareceu que foi “o comprador que solicitou ao vendedor uma extensão do prazo do acordo e o vendedor concordou”.
Contactado pelo ECO, o regulador liderado por Mário Centeno não quis fazer qualquer comentário, nomeadamente sobre o facto de ainda não ter dado uma resposta a um negócio assinado há dois anos e sobre o pedido de extensão do acordo.
Entre outros fatores, a operação está condicionada à emissão de não oposição incondicional da parte do Banco Central Europeu (a condição regulatória) até ou antes do dia 4 de maio de 2025 (Long Stop Date).
Para evitar que o fim do prazo do acordo arruíne o negócio, e “uma vez que é necessário tempo adicional para a satisfação da condição regulatória, a VCredit e os vendedores concordaram em prorrogar a Long Stop Date por seis meses, até 4 de novembro de 2025”, segundo anunciou o grupo financeiro chinês esta semana em comunicado publicado na bolsa de Hong Kong.
A VCredit salientou ainda que “todos os outros termos e condições do contrato de compra e venda permanecem inalterados”, incluindo o preço.
O negócio será feito com base na situação líquida do BPG quando se realizar a transação, sendo que os capitais próprios do banco ascendiam a 17,6 milhões de euros no final do ano passado. Os chineses vão ainda comprar a dívida subordinada (no valor de três milhões). O valor final poderá atingir os 35 milhões, atendendo ao cumprimento de determinadas variáveis, como a venda de imóveis e a recuperação de ativos por impostos diferidos.
"Os requisitos formais necessários foram cumpridos pelos interessados e o Banco de Portugal solicitou, para não estar constrangido em relação ao aproximar da Long Stop Date, uma extensão do acordo.”
Prejuízos de 11 milhões de euros em 2024
Para a VCredit, a aquisição do BPG servirá de porta de entrada para se expandir no mercado europeu, a começar por Espanha. Mas a venda aos chineses também é considerada vital para o futuro do banco português que, depois dos prejuízos de 11 milhões de euros em 2024, já soma resultados negativos de 65 milhões desde 2018.
Na mensagem que acompanha o relatório e contas do ano passado, João Costa Pinto considera que a transação irá criar “as condições de capitalização e tecnológicas que permitirão o reequilíbrio das condições de exploração e o relançamento do negócio, o que se espera que esteja espelhado no plano de negócios” que a VCredit entregou junto do Banco de Portugal.
Já em março passado, a Fundação Oriente injetou mais dois milhões de euros no capital do banco. Costa Pinto explicou que os fundos ajudaram a reforçar os rácios de capital do BPG (erodidos por conta da limpeza do crédito malparado), mas também vão suportar o relançamento da atividade já com os novos acionistas a bordo.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Banco de Portugal ganha tempo para analisar venda do banco da Fundação Oriente a chineses
{{ noCommentsLabel }}