Pedro Reis defende “parceria profunda” com EUA, mas pede “investimento em vez de tarifas”

Declaração do ministro surgiu após embaixada americana dizer que EUA e Portugal partilham o Atlântico. "Podem-lhe chamar bacalhau e nós codfish, mas pescamos nas mesmas águas", disse o diplomata.

O ministro da Economia aproveitou a inauguração do primeiro edifício do data center em Sines, que tem por trás um investimento norte-americano de 8,5 mil milhões de euros, para defender a abertura da economia dos Estados Unidos ao mundo e a construção de uma “parceria estratégica profunda” entre os Estados Unidos, Portugal e a Europa.

“Que boa semana para dizer que é bom para a economia mundial estar aberta ao mundo, para dizermos que o investimento americano é muito bem-vindo em Portugal”, começou por dizer Pedro Reis, na cerimónia oficial de abertura do centro de dados da Start Campus, em Sines.

“É uma boa semana para relembrar que queremos construir com os Estados Unidos uma parceria estratégica profunda, num mercado que é essencial para todos e que os Estados Unidos são uma referência também nos gigantes tecnológicos, mas para todos os outros setores”, afirmou o ministro com a pasta da Economia, no dia seguinte à aplicação de taxas aduaneiras recíprocas sobre os bens importados dos EUA.

Diplomata garante que países “partilham mesma fronteira”

Depois de o diplomata Douglas A. Koneff, chargé d’affaires na Embaixada dos EUA em Lisboa, garantir que Portugal e Estados Unidos “partilham a mesma fronteira”, o Oceano Atlântico, o ministro da Economia respondeu: “Que boa semana para dizer à economia mundial que não há fronteiras”, referindo-se às novas tarifas de Donald Trump. “Podem-lhe chamar bacalhau e nós codfish, mas pescamos nas mesmas águas”, brincou o encarregado de negócios.

Segundo Pedro Reis, este campus em Sines mostra aos investidores externos que Portugal dá “continuidade” aos projetos, porque foi iniciado no anterior Governo liderado por António Costa. “É uma coincidência num período pré-eleitoral”, assinalou, enaltecendo também o trabalho das agências públicas, como a Aicep.

“Que bom evento para testemunhar o quanto é fundamental um compromisso dos EUA e Portugal e a Europa. Com confiança em vez de afastamento, investimento em vez de tarifas, combate a barreiras em vez de bloqueios e liberalismo em vez de protecionismo. Este é o caminho da economia mundial”, afirmou o ministro da Economia para uma plateia repleta de representantes da embaixada norte-americana.

Para o governante, o megacentro de dados é um exemplo do caso português como “força” de recursos humanos, cadeias de valor diversificadas, atração de investimento americano, tratamento de águas e arrefecimento das instalações através de um “ativo estratégico”, como o mar, e conectividade. “Portugal é um porto de abrigo. É uma amarração estratégica muito além dos cabos submarinos”, concluiu Pedro Reis.

“Sines propicia futura amarração de novos cabos submarinos”

Já o ministro das Infraestruturas utilizou este projeto tecnológico, criado com capital privado, para alertar para a necessidade de desburocratizar o licenciamento. “Moderar o risco dos investimentos com regulação que garanta equidade. A Europa tem tido uma regulação fechada. Existe um perto de capital no setor das telecomunicações, que está sem capacidade de fazer o investimento que deveria”, advertiu Miguel Pinto Luz.

O governante com a pasta das Infraestruturas considera o data center em Sines “essencial” para a “ambição de ser maior” e enumerou as ligações ao porto de Sines, o maior do país com 50 milhões de toneladas de carga movimentadas por ano. A seu ver, está pronto para mais cabos submarinos no futuro.

“Sines consolida-se como ponto estratégico, neste hub dotado de tecnologias avançadas e soluções sustentáveis. Sines é plataforma propícia para a futura amarração de novos cabos submarinos. Entre 97% e 99% das comunicações digitais são hoje realizadas através de cabos submarinos. Por outro lado, o Porto de Sines está, no cenário internacional, no Top15 dos portos europeus”, disse Miguel Pinto Luz.

Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz © Hugo Amaral

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