“Já devíamos ter medidas de contingência”. Pedro Nuno critica Governo por falta de plano anti tarifas

"O nosso Governo revela que não antecipou o problema e refugia-se em reuniões ministeriais para fins eleitorais", refere o secretário-geral do PS, lembrando o plano desenhado por Espanha.

O secretário-geral do PS apontou esta sexta-feira o dedo ao Governo por não ter preparado um pacote de apoio aos setores económicos que serão mais atingidos pelo impacto das tarifas do presidente norte-americano, Donald Trump. Pedro Nuno Santos defendeu ainda uma reação firme da União Europeia aos Estados Unidos.

Já devíamos ter medidas de contingência preparadas para mitigação dos impactos nos nossos setores económicos previsivelmente mais afetados. Era o que já teríamos feito se fossemos governo”, escreveu o líder socialista numa publicação na rede social X.

Para criticar o Executivo de Luís Montenegro, Pedro Nuno Santos deu o exemplo de Espanha, onde o socialista Pedro Sánchez preparou um Plano de Resposta e Relançamento Comercial de 14,1 mil milhões de euros para “mitigar a guerra comercial” com um “escudo para proteger” as empresas e os trabalhadores,

“Enquanto outros governos europeus, como o espanhol, já estão a preparar pacotes de apoio aos setores mais atingidos, o nosso Governo revela que não antecipou o problema e refugia-se em reuniões ministeriais para fins eleitorais”, acusou.

O Ministério da Economia vai reunir-se com 16 associações empresariais para “avaliar o impacto e as medidas de mitigação das tarifas anunciadas” pelos EUA esta quarta-feira. A “ronda de reuniões” irá decorrer entre quarta e sexta-feira da próxima semana.

Em paralelo, o Governo vai criar um grupo de acompanhamento da guerra tarifária e está a desenhar medidas de apoio ao nível do Compete e do Banco de Fomento. A intenção é ajudar as empresas a resistir a este novo cenário no comércio internacional.

Para o líder do PS, “a escalada de guerra comercial gerada pelas tarifas de Trump vai ter impacto negativo para a economia, desde logo dos Estados Unidos, mas também à escala global, e Portugal não é exceção“. Neste sentido, defende que “a União Europeia, sem fechar a via do diálogo, tem de reagir com firmeza, mas sobretudo com inteligência na defesa intransigente” dos interesses europeus.

Também o Bloco de Esquerda, mais tarde, criticou a “paralisia total” do Governo perante a guerra comercial. “As tarifas impostas por Trump eram esperadas, Trump avisou. Vão afetar a economia e a indústria portuguesa, as exportações portuguesas, o emprego em Portugal e o Governo está calado, não diz nada, não preparou nada”, disse Mariana Mortágua, em declarações aos jornalistas na sede nacional do BE, em Lisboa, durante um encontro com voluntários para a campanha eleitoral.

A coordenadora do BE defendeu também que “é importante que o Governo venha dizer o que é que pensa sobre estas tarifas e como é que se vai defender”. Mortágua defende que é preciso “ter cuidado com as retaliações aleatórias, porque um dos efeitos da retaliação é que elas podem tender a aumentar os preços e, portanto, a inflação”, ainda que considere que a “UE deve retaliar” em “setores e áreas específicas, que não coloquem em causa nem provoquem uma inflação generalizada”.

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na quarta-feira taxas aduaneiras mínimas adicionais de 10% sobre todas as importações norte-americanas a partir de 5 de abril e sobretaxas para países que considera particularmente hostis ao comércio, como por exemplo a União Europeia (20%) e a China (34%), a partir de 9 de abril.

No dia seguinte, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que o bloco está “pronto para responder” à imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos e está a trabalhar em novas medidas de retaliação. “Já estamos a finalizar o primeiro pacote de contramedidas em resposta às tarifas do aço e estamos agora a preparar outras medidas para proteger os nossos interesses e negócios, se as negociações falharem”, disse a dirigente.

(Notícia atualizada às 20h24 com a reação do Bloco)

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