Investidores refugiam-se em obrigações para fugir às tarifas de Trump

A nova política de tarifas de Trump está a gerar uma corrida às obrigações soberanas, com a yield dos títulos dos EUA e da Europa a caírem significativamente perante o receio de uma recessão.

As tensões comerciais globais, alimentadas pelas tarifas agressivas impostas por Donald Trump, estão a provocar uma reviravolta nos mercados financeiros, com os investidores a abandonarem ativos de maior risco e a procurarem refúgio em títulos de dívida soberana.

Este movimento está a impulsionar uma queda significativa nas yields das obrigações europeias e norte-americanas (e, por conseguinte, a uma subida dos seus preços), enquanto os receios de recessão ganham força e os mercados acionistas acumulam perdas significativas.

Nos EUA, a yield das Treasuries afundaram após a retaliação da China às tarifas norte-americanas, com Pequim a anunciar uma taxa de reciprocidade de 34% a todas as importações norte-americanas, em cima das taxas já existentes.

As obrigações a 10 anos dos EUA negoceiam atualmente com uma yield de 3,884%, 17 pontos base abaixo do fecho de quinta-feira, atingindo o nível mais baixo dos últimos seis meses. As obrigações a dois e cinco anos também registam quedas acentuadas, com as yields a descerem 20 e 17 pontos base, respetivamente, com os títulos a dois anos a negociar com taxas de 3,54% e as Treasuries a cinco anos com uma yield de 3,59%.

Em Portugal, o impacto desta fuga para ativos seguros é também evidente, com a curva de rendimentos da República a revelar quedas das yields de todas as obrigações.

Na Europa, o cenário é semelhante. As yields das obrigações alemãs a 10 anos, consideradas o ativo mais seguro da Zona Euro, negoceiam com uma taxa de 2,51%, uma descida de 13,2 pontos base esta sexta-feira.

Este movimento reflete uma procura crescente por segurança num contexto de incerteza económica global. Itália e França também observaram quedas nas suas obrigações a 10 anos, com as yields italianas a descerem 5,6 pontos base para 3,71% e as francesas estão a deslizar 8,6 pontos base para 3,28%.

Em Portugal, o impacto desta fuga para ativos seguros é também evidente, com a curva de rendimentos da República a revelar quedas das yields de todas as obrigações, contribuindo inclusive para o IGCP aproveitar para avançar com dois leilões de obrigações a cinco e 12 anos na próxima quarta-feira, num montante indicativo global entre 1000 milhões e 1250 milhões de euros.

Os títulos a 10 anos, por exemplo, recuar atualmente 12,5 pontos base para 3,128%, o valor mais baixo em um mês. No entanto, são os títulos de curto prazo que registam as maiores descidas: as obrigações a dois anos, por exemplo, negociam atualmente com uma yield de 1,94%, 12,5 pontos base abaixo dos valores de quinta-feira.

A política tarifária agressiva de Trump está a gerar preocupações sobre um possível abrandamento económico global. Analistas e economistas já estimam que as novas tarifas possam reduzir o PIB da Zona Euro entre 0,3 e 0,7 pontos percentuais.

Este movimento reflete não só o impacto das tarifas comerciais como também as expectativas de cortes nas taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE). De acordo com dados da Reuters, os traders de taxa de juro atribuem uma probabilidade de 90% de o BCE voltar a cortar as taxas de juro na próxima reunião do Conselho do BCE (que terá lugar a 16 e 17 de abril), juntamente com mais duas reduções amplamente esperadas antes do final de 2025.

A política tarifária agressiva de Trump está a gerar preocupações sobre um possível abrandamento económico global. Analistas e economistas já estimam que as novas tarifas possam reduzir o PIB da Zona Euro entre 0,3 e 0,7 pontos percentuais. Nos EUA, espera-se que o crescimento económico anual fique abaixo de 1%, com os mercados a anteciparem cortes adicionais nas taxas de juro pela Reserva Federal.

A queda generalizada das yields das obrigações demonstra o impacto profundo das tensões comerciais nos mercados financeiros globais. Com os investidores cada vez mais focados em ativos de refúgio como resposta à incerteza económica, Portugal e os restantes países da Zona Euro e dos EUA beneficiam temporariamente da redução dos seus custos de financiamento.

Contudo, os efeitos secundários desta guerra comercial poderão ser significativos para o crescimento económico global e para a estabilidade financeira.

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