Seguros embedded: o que são e como funcionam?
- Carolina Neves Carvalho
- 15:53
O mercado europeu de seguros embedded deverá crescer de 3,05 mil milhões de dólares em 2025 para 18,29 mil milhões até 2031, segundo a consultora Mordor Intelligence. Saiba o que são estes seguros.
Seguros embedded: o que são e como funcionam?
- Carolina Neves Carvalho
- 15:53
-
O que são e onde já estão os seguros embedded?
Um seguro embedded é aquele que deixa de ser contratado à parte, junto de uma seguradora, e passa a estar integrado na compra de outro produto ou serviço, por exemplo, a proteção de um smartphone adicionada no checkout de uma loja, ou o seguro de cancelamento de uma viagem sugerido na própria reserva do voo.
O conceito existe há décadas, mas ganhou impulso com a digitalização do comércio. Atualmente, a proposta, a emissão da apólice e o envio da documentação podem acontecer em segundos sem que o cliente saia da página onde está a comprar. Já está presente nos serviços financeiros (cartões, créditos, pagamentos digitais), nas telecomunicações (proteção de smartphones e tablets), na mobilidade (aluguer e compra de veículos), no comércio eletrónico (garantias alargadas), nas viagens (seguros de cancelamento) ou no imobiliário (proteção de renda).
João Madureira, chief growth officer da Habit, sublinha que o que distingue este modelo é o momento em que a proteção é oferecida: “o objetivo não é vender mais seguros, mas sim disponibilizar a proteção adequada, no momento em que a necessidade ou o risco surgem naturalmente”.
Proxima Pergunta: Existe o risco de contratar um seguro sem perceber?
-
Existe o risco de contratar um seguro sem perceber?
Esta é a principal crítica apontada a este modelo. Se o seguro surge encaixado numa compra que o cliente já ia fazer, há o risco de este aceitar a cobertura sem perceber o que está a contratar.
João Madureira Pinto admite que o risco existe, sobretudo “se a integração for mal desenhada ou se o seguro for apresentado como um elemento quase invisível de uma compra”, mas sublinha que não é exclusivo deste modelo, já que “qualquer processo de distribuição que privilegie a conversão em detrimento da compreensão do cliente” está sujeito ao mesmo problema. Para a empresa, a regra devia ser simples: “embedded não deve significar escondido”.
Na prática, isso implica informar sempre o cliente sobre a seguradora, o preço, as coberturas e exclusões, a duração do contrato e como cancelar ou reclamar, com consentimento sempre ativo e sem caixas pré-selecionadas. Como explica a Habit, “uma boa experiência embedded reduz a fricção, não a capacidade de decisão do consumidor”.
Proxima Pergunta: Posso recusar um seguro embedded?
-
Posso recusar um seguro embedded?
Na maioria dos casos, sim. Os seguros embedded são facultativos e o consumidor pode optar por não os contratar sem que isso impeça a compra do produto ou serviço principal.
A legislação europeia exige que a adesão resulte de uma decisão informada do consumidor. Na prática, isso significa que o seguro deve ser claramente identificado, acompanhado da informação essencial e aceite através de uma escolha expressa, e não por mecanismos que induzam uma adesão automática.
Existem, contudo, exceções. Em alguns produtos financeiros, por exemplo, determinados contratos de crédito (sobretudo no crédito à habitação) pode ser exigida a contratação de seguros associados. Mesmo nesses casos, o consumidor não tem, em regra, de aceitar a seguradora proposta pelo banco ou pelo parceiro comercial, podendo escolher outra que ofereça coberturas equivalentes.
Proxima Pergunta: Que vantagens tem para o consumidor?
-
Que vantagens tem para o consumidor?
A vantagem mais direta é a conveniência. Em vez de procurar um seguro depois de comprar um bem ou serviço, o cliente pode contratar a cobertura no próprio momento da compra, muitas vezes sem repetir dados que já introduziu.
A Habit sublinha, porém, que este modelo não substitui os canais tradicionais, sendo que para seguros mais complexos ou clientes que precisem de aconselhamento personalizado, agentes e mediadores continuam a ter um papel a desempenhar. “São modelos complementares: o melhor canal depende sempre da natureza do risco e do apoio necessário“, diz João Madureira Pinto.
Proxima Pergunta: Qual é o papel dos dados e das APIs?
-
Qual é o papel dos dados e das APIs?
A rapidez deste modelo depende de dois elementos: os dados já disponíveis durante a compra, que permitem ajustar preço e cobertura sem pedir informação repetida ao cliente; e as APIs, que ligam a plataforma de compra aos sistemas da seguradora e permitem cotação, emissão e entrega de documentos em poucos segundos.
Mas, para a Habit, o valor da tecnologia não está só na velocidade. “O maior valor das APIs não está apenas na rapidez da emissão”, afirma, explicando que a possibilidade de integrar toda a gestão da apólice e do sinistro na mesma plataforma é decisiva. “Quando isso acontece, reduz-se a duplicação de informação e torna-se mais claro quem acompanha o cliente em cada momento“.
Proxima Pergunta: Porque é que este modelo não está mais disseminado em Portugal?
-
Porque é que este modelo não está mais disseminado em Portugal?
Segundo João Madureira Pinto, os obstáculos já não são tecnológicos: “o obstáculo principal em Portugal já não é estritamente tecnológico, mas sim de execução, estratégia e cultura organizacional“, afirma.
Entre os desafios identificados estão a tentativa de adaptar produtos tradicionais a canais digitais em vez de os desenhar de raiz, os sistemas informáticos antigos nas seguradoras, a dificuldade de coordenação entre seguradoras e parceiros comerciais e a tendência para avaliar estes projetos apenas pelo volume de prémios gerados em vez da satisfação dos clientes.
A Habit rejeita ainda a ideia de que este modelo ameace agentes e corretores, considerando que responde sobretudo a riscos simples, deixando os casos mais complexos para a mediação tradicional.
O maior desafio, porém, é a confiança. “O grande teste do embedded insurance em Portugal será provar que, à simplicidade e conveniência da adesão, se junta uma resposta igualmente rápida, clara e eficaz no momento do sinistro.”