• Entrevista por:
  • Helena Garrido e Paula Nunes

António Barreto: o 25 de Abril foi cumprido

O objetivo do 25 de Abril de 1974 foi cumprido. Convicção de António Barreto no 43º aniversário da revolução.

Recebeu-nos em sua casa onde as paredes estão coberta de livros e arquivos com as suas fotografias. Com o aniversário do 25 de Abril a aproximar-se a pergunta era obrigatória e por aqui começámos uma conversa que durou uma hora e meia. António Barreto que viveu refugiado durante o Estado Novo sente que Abril está cumprido. Depois conversamos sobre a atualidade política, como foi possível a histórica aliança à esquerda já tentada e falhada uma vez, o que nos pode esperar por causa de nós e do que se vive à nossa volta, especialmente na Europa. Da justiça ou antes da falta dela, que tantas críticas lhe merecem e da era troika.

Comecemos pelo 25 de Abril na véspera de o comemorarmos.

Estamos na véspera de comemorar 43 anos do 25 de Abril. O que falta fazer para cumprir Abril?

Para cumprir Abril? Nada.

Absolutamente nada?

Nada. A ideia de que “Abril” tinha um programa político, social, económico, cultural, de libertação humana, felicidade humana é uma ideia adolescente, infantil. O 25 de Abril tinha um propósito imediato: pôr um termo à guerra colonial, que era o primeiro e principal objetivo. E o segundo, criar a democracia.

E isso foi cumprido?

Isso foi cumprido. Mal ou bem, mas foi cumprido. O termo dessa guerra foi conseguido, a meu ver, mal. Houve muita falta de capacidade. Para terminar uma guerra é preciso força, é preciso saber o que se quer, como se quer. Os portugueses não estavam preparados. E havia muitas interferências políticas. Mas terminou-se a guerra.

Em segundo lugar, apesar de dois anos de revolução, que nos mostraram caminhos diferentes — mais revolução, menos revolução, mais reação, contra-revolução. Todos os caminhos foram possíveis naqueles dois anos. Mas consolidou-se em 1976 com eleições, parlamento democrático, Constituição democrática, chefe de Estado eleito, democrático e civil. E, uns anos depois fizeram-se as duas grandes revisões da Constituição. Que puseram termo àquela espécie de hipoteca militar e revolucionária, que era o Conselho da Revolução. A partir de então temos uma democracia ocidental, representativa, com as principais liberdades em funcionamento. Podemos gostar ou não de muitas coisas, e eu não gosto de muitas. Temos coisas que são muito mal feitas.

Podemos melhorar Abril?

Podemos cumprir o nosso destino. O 25 de Abril permitiu que nós escolhêssemos. Deu-nos a liberdade de escolher e de agir e de defender os nossos pontos de vista. Por isso, está cumprido. Eu conheço muitas pessoas que dizem “não foi para isso que se fez o 25 de abril?” E eu pergunto sempre “então foi para que foi?”. Foi para ter uma revolução comunista? Não foi para isso.

  • Helena Garrido
  • Paula Nunes
  • Fotojornalista

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