É a gestora de uma empresa familiar de seguros com quase 50 anos e notoriedade consolidada no mercado português. Respondeu à crise com tecnologia e reforço da equipa comercial.

Maria João Mata está à frente da empresa de seguros que o seu avô fundou em 1972. Com quase cinquenta anos anos a corretora e consultora continua uma empresa de capital 100% português e assente na família Mata. Esta independência permite, segundo a gestora, psicóloga de formação, “tornar o processo de decisão eficaz e rápido e permite ainda escolher livremente os melhores e mais adequados parceiros e produtos no mercado, sem a interferência de terceiros com total transparência para os nossos clientes e parceiros”. A corretora está vocacionada para empresas, conta com 7.400 clientes e 3,4 milhões de receitas em 2020. Maria João Mata foi entrevistada por ECOseguros.
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Perante um cenário recessivo consequência da pandemia como correram os negócios em 2020?
Em 2020 com todos os desafios marcantes que o mercado e o ambiente social nos apresentaram estipulámos, como objetivo principal, apoiar os nossos clientes, estar ao seu lado, respondendo às dúvidas, procurando em conjunto soluções para as dificuldades apresentadas. Terminámos o ano com um volume de negócios, ainda não fechado, de aproximadamente 3,4 milhões de euros, reforçando a nossa eficiência, o que permitiu atingir um retorno do ativo de 16%.
Quais foram as principais mudanças para ajustar a empresa à situação?
Tentámos ser mais eficazes e melhorar os nossos processos internos, melhorar a nossa resposta e acima de tudo a nossa presença junto dos clientes. Toda a equipa, desde o primeiro momento, esteve em contacto com os vários interlocutores, clientes e parceiros, de forma a garantir que as potenciais dificuldades, dúvidas e necessidades eram ultrapassadas.
Responder à crise implicou investimentos?
No início de 2019 definimos que para enfrentar os desafios que o mercado colocava teríamos de melhorar e rentabilizar os nossos fluxos de tecnologias de informação, gestão de bases de dados, nomeadamente após a implementação do processo RGPD, sendo mais rápidos e eficazes nos processos. Fizemos uma auditoria externa aos processos e segurança das tecnologias de informação existentes, que nos permitiu perceber onde e como deveríamos evoluir, levando-nos a desenvolver soluções que melhoraram a nossa performance, tornando-nos mais ágeis, ter menos custos com tecnologia, diminuir drasticamente a utilização e circulação de papel.
Todo este processo que implementámos em Janeiro de 2020, uma solução de Remote Desk Top (RDT) via streaming, através de um parceiro dedicado e altamente credenciado, permitiu uma redução de custos de gestão, automatizou fluxos, aumentou de sobre maneira a segurança de todos os dados, com gestão de dados – Data Disaster Recovery e Back-up’s diários automáticos, ter toda a informação em datacenter com redundância a 3 factores e com segurança/controlo 24 sobre 7 além de todos os acessos à informação serem sempre encriptados, auditados e controlados por ACL. Esta operação na ordem dos 190 mil euros em desenvolvimento, providing de solução, adaptação à realidade da empresa, colocou a João Mata no patamar de uma empresa de alta performance – ágeis a ajustar os processos existentes quer aos nossos parceiros, quer aos nossos clientes.
Como evoluiu o número e o perfil dos colaboradores?
Dado o desenvolvimento e objetivos que estabelecemos para 2020, maior proximidade, apoio constante aos clientes, empresas e particulares, na gestão da necessidade, bem como com o objetivo de contínuo crescimento quer de novos clientes quer na gestão e desenvolvimento de novos produtos, tomámos a decisão em contraciclo de contratar novos colaboradores para as equipas comerciais.
Essa aposta permitiu-nos além de manter a nossa performance, aumentar a nossa disponibilidade e contribuir para a melhoria dos nossos serviços com a inclusão de três colaboradores, que pela sua irreverência permitiram sermos mais rápidos e dedicados.
Quais as seguradoras com que mais trabalham?
A João Mata nasceu em 1972 e desde o primeiro dia que tem como parceiros todos os players do mercado em Portugal e internacional. Não fazemos diferenciação, bem pelo contrário, temos vários projetos em que somos aglutinadores e construímos com vários parceiros distintos a melhor solução para os nossos clientes.
Quais os ramos mais significativos na carteira? Há preferidos?
Temos um share of wallet em tudo semelhante ao do mercado. Historicamente a João Mata construiu uma expertise em obras públicas e privadas de toda a índole, contratação pública, energias renováveis como hidráulica, eólica, fotovoltaica, e foco no mercado Empresarial. No final, a nossa carteira é muito diversificada e acompanha todos os movimentos do mercado quer na segmentação, quer no peso.
Qual a estratégia para a distribuição?
Somos hoje omnicanal, ou seja, temos vendas via loja, contactos pré-venda via website, via equipa comercial e via telefone. Uma visão 360˚ do que são as necessidades dos nossos clientes e a evolução que o mercado e a sociedade apresentam. Estamos a desenvolver, para 2021, várias novidades, novos processos, que nos irão reforçar a presença no mercado, através da simplificação, rapidez e robustez na oferta. Vamos inovar.
Ligações internacionais o que pesam no negócio e qual a estratégia?
A operação em Moçambique é saudável e continua a apresentar crescimento. Trabalhamos à distância, mas perto, pois Moçambique utiliza a mesma plataforma da João Mata em Portugal, ou seja, estamos sempre em contacto, sempre a definir em conjunto quais os passos a dar e os caminhos que vamos percorrer. Moçambique tem as suas sensibilidades, cultura e forma de estar. Conhecemos bem todos os pontos-chave o que nos tem permitido continuar a crescer.
Como está a aproveitar a ligação à rede Assurex?
A nossa parceria com a Assurex, uma rede mundial de 100 empresas de seguros que representam 30 mil milhões de dólares em prémios anuais, é bastante ativa, temos uma partilha periódica de ideias, bebemos novos conceitos e formatos, partilhamos Know-how. Como parceiros partilhamos também clientes de diferentes geografias e com diferentes desafios. O que nos obriga constantemente a progredir.
Quais os principais objetivos para este ano?
Tem sempre como primeiro objetivo a sustentabilidade dos seus clientes, dos seus colaboradores, da empresa e da marca. Para 2021 não será diferente, acrescentamos a inovação, quer no canal de venda, quer na oferta aos clientes, maior simplicidade e rapidez na resposta. Estamos já em parceria com um distribuidor de comunicações a desenvolver uma aplicação para os nossos clientes, que contam com um gestor dedicado e que querem uma oferta completa, que compreendam e lhes permita usufruir do seu dia a dia sem sobressaltos e sem perdas de tempo.
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Maria João Mata: Investir na corretora para responder à pandemia
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