“O Estado português não anda a subsidiar empresas”premium

Pedro Nuno Santos rejeita a tese de que o Governo está a subsidiar a TAP. Quem tem de provar que há uma alternativa melhor é quem está a dizer que havia [alternativa], afirma.

O ministro das Infraestruturas defende a injeção de fundos na TAP e desafia os críticos a dizerem onde investiriam os 3,2 mil milhões de euros. "Quer que o Estado pegue em 3,2 mil milhões de euros e invista numa fábrica de baterias, por exemplo?", questiona. O custo de oportunidade era o prejuízo tremendo para a economia portuguesa, acrescenta Pedro Nuno Santos, nesta entrevista em que detalha os pormenores do acordo com Bruxelas.

O plano de reestruturação da TAP custará 3,2 mil milhões de euros aos portugueses. É irrelevante discutir se os fundos que vão para a TAP poderiam ser usados noutras áreas?

Não, não é irrelevante, mas tem de ser feito pelas duas partes. Eu estudei economia, eu também sei. Quando perguntaram aos autores desse post longo [o livro Milhões a Voar] qual é a alternativa, sabe qual foi a que o cabeça de lista da Iniciativa Liberal no Porto [Carlos Guimarães Pinto] deu? Que se usasse aquele valor e se distribuísse pelos trabalhadores da TAP...

Era uma provocação.

Uma provocação!? Outro dirigente da Iniciativa Liberal, na CNN, invocava o mesmo argumento. Não levo a sério? Isso não levo, mas não é uma provocação, é de quem não tem mais nada para dizer, é de quem não sabe qual era a alternativa.

O senhor ministro só vê a alternativa da TAP para usar os 3,2 mil milhões?

Não, não, e o António Costa tem alguma ideia? Quer que o Estado pegue em 3,2 mil milhões de euros e invista numa fábrica de baterias, por exemplo? Quer uma fábrica de automóveis, uma fábrica de bicicletas elétricas? Para o ECO...

...o ECO recusou o subsídio do Estado.

Quem tem de provar que há uma alternativa melhor é quem está a dizer que havia [alternativa]. Aquilo que sei é que acrescento outra alternativa. Qual? É a TAP não existir, e é esse o custo de oportunidade, para todos os portugueses. Sabíamos o que perderíamos, em exportações, que a compra de 700 milhões à TAP passariam a importações, que as nossas empresas que fornecem a TAP não teriam nenhuma garantia que pudessem fornecer outras empresas, que o negócio de hub não seria substituído. O custo de oportunidade era o prejuízo tremendo para a economia portuguesa. E aí passamos para os serviços públicos. Como é que financiamos a saúde e a educação? Com a criação de riqueza, e a TAP é uma das empresas que mais contribuiu para a economia, PIB...

O Valor Acrescentado da TAP é negativo tendo em conta que o seu contributo é subsidiado com fundos públicos.

É uma empresa que foi alvo de um investimento. O Estado português não anda a subsidiar empresas, não é essa a nossa política, do PS. Fizemos isso com duas empresas, a Efacec e a TAP. E eu não tenho a tutela da Efacec, por isso vamos ficar pela TAP, mas o princípio subjacente à intervenção nas duas é o mesmo, é a leitura que o Governo fez do interesse estratégico para a economia portuguesa nas diferentes dimensões. Uma economia que perde empresas como a TAP, a Cimpor ou a PT como a conhecíamos é uma economia que fica mais pobre, e com mais dificuldade para financiar a educação e a saúde.

Afirmou que o Estado não é um banco, que não está a fazer um empréstimo à TAP, e até citou o exemplo da CGD nas negociações com a Comissão Europeia, o que é um bom exemplo. Mas a CGD já está a devolver em dividendos o dinheiro público que recebeu. Não espera que a TAP possa gerar resultados para devolver os apoios que recebeu do Estado?

Em primeiro lugar, a TAP e a CGD operam em setores diferentes. O que motivou a capitalização da CGD não foi o resultado líquido, embora isso seja importante em termos de dividendos. A razão principal é a importância que tem no sistema financeiro e económico nacional. Na TAP, é a importância no sistema económico nacional, e os ganhos que o país tem, também do ponto de vista orçamental, decorrem do impacto que a TAP tem na economia e num conjunto vasto de empresas.

No caso da CGD, já há pagamento de dividendos, mas não o ouvimos dizer que espera receber dividendos da TAP.

Então não esperámos!? O que está no plano de reestruturação é que a TAP apresente resultado líquido positivo a partir de 2025. Depois, depende da decisão que Estado acionista, se for acionista, tiver no momento. Mas só para dar alguns exemplos concretos: A Imperial, a Vieira de Castro, a Delta, a Quinta do Gradil...

Quanto é que a Imperial vende à TAP?

Não sei...

Está a supor que a Imperial, não vendendo à TAP, não venderia a outros clientes.

Era o que faltava, não estou a falar de empresas que têm apenas um único comprador, mas quer perguntar à Imperial se abdica de um cliente? E se perde um, ganha outro? É assim tão fácil?

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