Pedro Rego: Mercado está com níveis preocupantes de concentração de seguradoras

O administrador do Grupo Rego, um dos dez maiores de corretagem e mediação em Portugal, fala das dificuldades que enfrenta e das oportunidades que aproveita para crescer além dos 6 milhões por ano.

Pedro Rego é acionista e administrador do grupo fundado pelo seu pai. Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto iniciou a sua atividade profissional em 1993 já na F. Rego, onde tem hoje a seu cargo a gestão da área técnica e comercial. É, também administrador da corretora Iberassecuranz e membro do steering committee da Assurex Global, uma rede global de corretores de seguros.

O Grupo REGO – Corretores de Seguros dedica-se desde 1979 à Corretagem e Consultoria de Seguros, é um dos grupos de Corretores Portugueses, tendo na FRego a sua principal empresa e pertencendo esta ao top 10 das corretoras a atuar em Portugal. Fazem parte do Grupo as sociedades de corretagem e mediação F·REGO – Corretores de Seguros, a Sá Pereira do Lago – Corretores de Seguros, a F·REGO LISBOA – Sociedade de Mediação de Seguros e a espanhola Iberassecuranz Brokers – Correduria de Seguros, S.L. O grupo tem 54 colaboradores nos escritórios do Porto, Coimbra, Lisboa, Madrid e Barcelona, participando ainda no capital de várias sociedades de mediação, incluindo redes e corretores internacionais. A F. Rego – Corretores de Seguros, principal empresa do Grupo REGO, obteve 5,21 milhões de receitas brutas anuais em 2018.

Foi entrevistado por ECOseguros.

Pedro Rego, administrador do Grupo Rego: “Estamos a desenvolver soluções para explorar, de forma cada vez mais eficaz, o mercado de retalho e affinities“.

Como decorreu a atividade em 2019?

Foi um ano de crescimento consolidado, voltando a registar-se níveis interessantes de vendas e resultados, com a ultrapassagem, pela primeira vez, dos 6 milhões de euros de faturação, em Portugal. As nossas participadas em Espanha e no Brasil registaram, também elas, crescimentos muito relevantes, consolidando as suas quotas de mercado.

Como se divide o negócio do grupo entre particulares e empresas?

Assentamos o negócio, fundamentalmente, no segmento empresarial e institucional, que representa mais de 95% do volume da atividade. Não descuramos, contudo, nenhum mercado, pelo que estamos a desenvolver soluções para explorar, de forma cada vez mais eficaz, o mercado de retalho e affinities.

Com que seguradoras trabalham?

Trabalhamos com a totalidade do mercado nacional, incluindo ainda, e com peso crescente, um conjunto de seguradoras, que pela sua especialização ou dimensão, mesmo não presentes diretamente em Portugal, nos aportam capacidades e soluções verdadeiramente diferenciadoras.

O mercado tem registado níveis preocupantes de concentração, com um “afunilamento” que dificulta cada vez mais a apresentação de soluções para riscos mais complexos ou de maior dimensão

Que perfil de colaboradores procura mais neste momento? A qualidade dos profissionais está a ser crítica para lidar bem com os clientes?

Vivemos num setor em que existe escassez de oferta de mão-de-obra qualificada, com necessidade de rejuvenescimento e que, infelizmente, tem revelado alguma dificuldade em atrair os mais jovens. Esta é seguramente uma preocupação que nos assola, sendo crítico para o sucesso da empresa, como também para cumprirmos com as expectativas e exigências dos clientes. Consideramos importante desmistificar o setor segurador e demonstrar aos mais jovens que existem oportunidades de carreira, por isso, identificamos o potencial de cada colaborador, e apoiamo-lo a desenvolver essas competências, através de um plano de progressão de carreira.

O que pensa das necessidades de formação e outras regras decorrentes da nova Lei de Distribuição de Seguros?

A distribuição de seguros, em particular a corretagem, deve apostar numa clara diferenciação, sendo a formação um dos fatores chave. Em nenhuma atividade, e a nossa não será seguramente exceção, os seus profissionais se podem dar ao luxo de “cristalizar” e não acompanhar a evolução do mercado e dos seus novos desafios. O desenvolvimento contínuo, bem como a aplicação de critérios cada vez mais rígidos de exercício da atividade, mesmo ao nível de cumprimento de rácios financeiros, devem ser exigidos e aplicados.

Quais as vantagens de terem escritórios em diferentes regiões? Qual o valor acrescentado que aporta ao mercado?

As diferentes sociedades de mediação e corretagem do Grupo permitem estarmos presentes em várias regiões e responder de uma forma mais célere às exigências do mercado. Promovemos práticas de cooperação, não apenas entre as sociedades, mas também entre pares, por forma a desenvolver um melhor serviço ao cliente. Prova disso, são as várias parcerias internacionais que desenvolvemos com o objetivo de partilha de informação e experiências acerca de soluções de seguros direcionados para colmatar insuficiências do mercado nacional.

As principais diferenças ( entre Portugal e Espanha) decorrem da dimensão dos mercados, com maior número de opções e alternativas no mercado vizinho, onde existem mais de 100 seguradoras ativas

Como está a correr o investimento em Espanha?

No nosso setor, como noutros, existem muitos pontos em comum com o mercado espanhol, embora com algumas diferenças relevantes, em particular, as culturais e regulatórias. Salientamos, a título de exemplo, pela sua relevância e peso na área, o seguro de acidentes de trabalho em Portugal ou o Consórcio de Compensacion de Seguros em Espanha (“pool pública” para riscos catastróficos), ambos únicos nos respetivos mercados.

O mercado segurador, em termos globais, é dominado por um conjunto de operadores multinacionais que tendem a ter políticas comuns nos mercados onde atuam, pelo que por esta via o que podemos esperar das grandes multinacionais em Portugal e Espanha não difere muito.

Quais as principais diferenças entre os dois mercados ibéricos?

As principais diferenças, pela experiência que temos, decorrem da dimensão dos mercados, com maior número de opções e alternativas no mercado vizinho, onde existem mais de 100 seguradoras ativas.

Ao nível da mediação, o mercado espanhol regista um processo de consolidação acelerada, com diversos agregadores e associações entre mediadores, com criação de operadores de dimensão muito relevante e bastante superior à dimensão média do mercado nacional, algo que em Portugal não é ainda uma realidade.

O desafio, e o maior potencial de crescimento, está nos ramos facultativos, tecnicamente mais complexos, como Responsabilidade Civil, Danos Patrimoniais ou Engenharia

Como vê o potencial de novos riscos como ciber ou uma nova forma de abordar catástrofes naturais?

Os riscos cibernéticos estão no topo das preocupações das empresas, pela primeira vez, de acordo com um estudo recente efetuado por uma das principais seguradoras mundiais. Isto representa uma enorme oportunidade de negócio para o mercado segurador, que apresenta soluções cada vez mais completas e robustas, vendo-se cada vez maior consciência das empresas para os riscos que correm.

Quanto às catástrofes naturais, considero que não podemos ficar indiferentes às alterações climáticas que têm um impacto cada vez maior sobre pessoas e bens, com resultados devastadores e prejuízos crescentes. O mercado segurador, perante a alteração dos padrões históricos de sinistralidade, terá de se adaptar de forma a assegurar não só a sua sustentabilidade, mas também para dar resposta às necessidades crescentes da própria economia.

Uma das soluções que o mercado desenvolveu com cada vez maior abrangência para fazer face às novas realidades, são os seguros paramétricos, que funcionando com base em índices, permitem uma aferição muito mais rápida e ajustada dos danos sofridos, bem como um processamento célere das indemnizações.

Quais os ramos mais prometedores em Portugal?

O mercado nacional continua ainda muito dependente dos seguros obrigatórios, com destaque para os acidentes de trabalho e o ramo automóvel. O desafio, e o maior potencial de crescimento, está nos ramos facultativos, tecnicamente mais complexos, como Responsabilidade Civil, Danos Patrimoniais ou Engenharia.

O setor da saúde, como reflexo da falta de resposta do SNS, regista também ritmos de crescimento muito interessantes, abrangendo já uma parte significativa da população portuguesa.

No caso de empresas sente maior apetência pela cobertura de riscos ciber, responsabilidade civil, proteção jurídica, interrupção do negócio?

No nosso caso concreto, os seguros de responsabilidade civil ou de danos patrimoniais, onde se incluem a interrupção de negócio, sempre foram uma das bases da nossa atividade, pelo que temos alguma dificuldade em afirmar que existe uma maior apetência, sem prejuízo de sentirmos uma maior consciencialização para a sua contratação. Os riscos cibernéticos, bem como os seguros de benefícios para colaboradores (seguros de saúde, vida, acidentes pessoais e pensões) têm registado ritmos de crescimento bastante acima do mercado.

A bancassurance tem demasiado peso na mediação de seguros em Portugal? Como classifica a concorrência dos bancos?

Não podendo Portugal ser uma exceção ao que se passa internacionalmente, considero que existe espaço no mercado para todos os operadores. Temos de nos consciencializar que existem canais alternativos de contacto com o cliente, sendo a banca, o digital ou a venda direta, realidades que temos de aceitar, desde que devidamente reguladas para garantir um level playing field, podendo ser oportunidades de negócio numa lógica virtuosa. Cabe ao consumidor, em última instância, selecionar o distribuidor que melhor lhe serve e cabe à mediação de seguros demonstrar que é a melhor opção. Por exemplo, a mediação, fruto do know-how e serviços que apresenta, é a melhor solução para o mercado empresarial, pelo que deverá potenciar os novos canais para melhorar, ainda mais, o contacto com o cliente.

Foi dirigente e é um interessado no movimento associativo, como se posiciona face às próximas eleições para os cargos diretivos da APROSE?

Considero a APROSE um parceiro social indispensável que terá que pugnar pela atividade de mediação e distribuição de seguros e que tem um papel cada vez mais relevante. Deverá,contudo, acompanhar as tendências do mercado e posicionar-se de modo a ter uma componente mais transformacional do setor, alterando práticas e reforçando o papel da mediação, posicionando-a como um parceiro de valor acrescentado, com a oferta de soluções e serviços de cada vez maior complexidade e qualidade.

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António Costa

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