Teresa Brantuas (Allianz): “Quebra nos seguros será igual à da economia”

A CEO da seguradora alemã em Portugal prevê picos de sinistralidade pós-pandemia em saúde e acidentes de trabalho e sente recuperação em novas apólices. Será a economia a ditar o futuro do setor.

Com 642 milhões de euros em prémios emitidos em 2019, a Allianz, um dos maiores grupos seguradores do mundo, é a 8ª entre as que operam em Portugal e 3ª entre os ramos Não Vida. Foi em 1993 que Teresa Brantuas entrou para este universo da seguradora alemã e esteve responsável por diversas áreas da Allianz Portugal e Allianz Popular até tornar-se CEO em 2017. Mestre em atuariado/finanças e também em Marketing, deu uma entrevista a ECOseguros explicando como está a avaliar e a enfrentar o momento conjuntural especial provocado pela situação pandémica.

Teresa Brantuas, CEO da Allianz Portugal: “Vamos fazer refletir a sinistralidade observada nas futuras revisões de tarifa de acordo com as regras e métodos de pricing utilizados pela companhia”.

Quanto prevê de quebra de prémios emitidos em 2020?

Em linha com a quebra da economia, há uma correlação quase direta.

A Allianz registou uma baixa significativa de sinistralidade automóvel e acidentes de trabalho durante o período de confinamento? O que espera agora?

Registámos uma diminuição no número de sinistros em algumas linhas de negócio da companhia mas, simultaneamente, também observámos um aumento no custo dos sinistros participados. Esperamos um pico de sinistralidade no período pós confinamento, em algumas linhas como saúde ou acidentes de trabalho.

Vai compensar os segurados por via da redução de atividade ou sinistralidade?

fizemos vários ajustes nos contratos dos nossos clientes, por via do alargamento do pagamento dos prémios de seguro, ou ainda ajustes de preço caso se trate de alguma atividade económica que tenha abrandado muito ou mesmo parado. E vamos fazer refletir a sinistralidade observada nas futuras revisões de tarifa de acordo com as regras e métodos de pricing utilizados pela companhia.

No lado das receitas, a companhia sentiu quebra devido a negócios encerrados e acidentes de trabalho? Particulares e empresas têm pedido facilidades? Quais têm sido dadas?

A quebra no negócio novo foi generalizada e embora já tenhamos recuperado grande parte ainda estamos aquém da produção nova habitual. Demos flexibilidade em relação ao pagamento dos seguros alargando o prazo de pagamento e ajustámos os prémios de acordo com o impacto nas diversas atividades económicas.

Como se comportou o ramo saúde em subscrições e sinistros durante a pandemia?

Os seguros de saúde sofreram uma diminuição de receita em linha com as outras linhas de negócio e uma diminuição do número de sinistros mais acentuada. Todavia, o custo das prestações efetuadas agravou-se uma vez que os tratamentos eram os mais urgentes e inadiáveis. Esperamos agora um pico na sinistralidade do ramo de saúde.

Verifica alguma alteração relevante dos consumidores face aos seguros? A perceção dos riscos aumentou?

Ainda não, mas é muito provável que assim aconteça da mesma forma que aconteceu após a situação dos incêndios, quando se verificou um aumento da produção de seguros de multirriscos para proteção da casa.

Como vai evoluir a distribuição? Como se comportaram os diferentes canais na crise?

A distribuição mostrou estar à altura da situação. Temos uma rede de distribuição de profissionais bem preparados que evoluíram a par da companhia em relação à transformação digital. A nossa estratégia passa por trabalhar com a rede distribuição na Digitalização da Venda, no maior conhecimento em relação a novos riscos e numa crescente assessoria por parte dos nossos mediadores aos clientes.

Quais os grandes planos e objetivos para este ano? O que mudou com a Covid-19?

Para este ano os grandes objetivos são melhorar a satisfação dos nossos clientes através do nosso serviço e notoriedade da marca; reativar a nossa força comercial, manter a vantagem competitiva em relação ao nosso nível de eficiência através de um projeto de up-grade do nosso modelo de negócio e manter a resiliência do nosso capital/solvência.

Com a COVID-19 melhorou o compromisso para com a companhia, aumentámos a produtividade através da aprendizagem de novas formas de trabalhar e aumentou o conhecimento em relação às necessidades dos nossos clientes.

A Allianz vai continuar a explorar Vida com uma companhia portuguesa e Não Vida em companhia estrangeira? Qual a razão para esta situação?

A Allianz Portugal é uma companhia de seguros portuguesa que explora Vida e Não Vida.

O ramo Vida tem passado por um declínio acentuado com as próprias seguradoras e recuarem na vontade de oferecer produtos ao mercado. Qual a posição da Allianz?

Lançámos em 2019 o Allianz Investimento que tem fundos de investimentos geridos pela Allianz Global Investors (AGI) e visa ser um produto que responde às flutuações das taxas de juro consoante o nível de risco que cada um pretende ter. A experiência e conhecimento da AGI em gestão de fundos de investimento garante uma gestão ativa e dinâmica dos investimentos.

A Covid 19 expôs a necessidade do mercado de coberturas como interrupção de negócios e cibersegurança. Há novidades neste campo para o futuro?

Em relação à cibersegurança, em 2019 também lançámos uma solução em conjunto com a Allianz Espanha para fazer face aos novos riscos cibernéticos. A solução que temos para a interrupção de negócio é na sequência de um sinistro patrimonial, como por exemplo incêndio.

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