#Coolunch com João Paulo Velez do Santander: “Já não há marcas para toda a vida”

Do jornalismo ficou a compulsão pela escrita, da Expo 98 o orgulho de colocar Portugal no mapa do mundo moderno. Diz-nos que, tal como a banca, é um homem prudente e que gosta pouco de falar de si.

"I think it is possible for ordinary people to choose to be extraordinary –
Elon Musk”

No restaurante Meat Me com João Paulo Velez, Diretor de Comunicação e Marketing Corporativo do Santander.

“Por qué me considero feminista y tú también deberías” foi o título do artigo publicado por Ana Botín, Presidente do Banco Santander, no seu Linkedin, que se tornou viral. Uma posição em relação ao feminismo, uma visão sobre os seus largos anos enquanto executiva onde sempre viu “as mulheres expostas a experiências e expectativas muito diferentes”. Se uma mulher, ainda para mais, ativista e ativa nas redes sociais influencia a marca, João Paulo Velez não tem dúvidas que sim, ainda para mais quando é uma mulher com “grande carisma”.

“Uma mulher traz uma abordagem sempre diferente, há preocupações com matrizes comuns mas tem nuances na forma de estar muito próprias” começa por dizer o responsável pela comunicação e marketing corporativo do grupo em Portugal. “Não se muda de um dia para o outro, mas nota-se dentro do grupo, na exigência que as mulheres tenham um protagonismo mais claro. Nos lugares de direção vamos tendo mais mulheres, a nível cultural interno há um trabalho muito intenso, temos medidas de apoio de trabalho para as mulheres compatibilizarem a vida profissional com a pessoal. Acho que esse é o caminho, sendo ela própria o rosto do maior grupo financeiro europeu, tem muito peso” acrescenta.

Não se muda de um dia para o outro, mas a verdade é que está tudo a mudar. A banca também. E é isso que faz “a minha vida desafiante e trepidante, há coisas novas todos os dias” confessa João Paulo Velez que há cinco anos chegava com um scope de funções mais fechado e hoje está à frente da marca, da comunicação interna e externa e também da gestão das redes sociais do Santander.

Quando nada, ou quase nada, se conhece sobre a pessoa que se senta à nossa frente para uma conversa à hora de almoço, a lógica diz-nos para se começar…pelo princípio. E o ambiente ajuda. Estamos no Chiado, os elétricos que passam tocam as campainhas, uma escultura de Silvio Fiorenzo em malha de arame pendurada no teto, projeta uma sombra mística de um boi na parede de azulejos.

E cada janelão ilumina as mesas de tampos de mármore. “Comecei a trabalhar muito cedo com 17 anos, com um curso de jornalismo feito em Paris logo a seguir ao 25 de abril, para criar a nova agência de notícias do país, num Portugal democrático. Ainda não sabia o que ia fazer da minha vida, e acabou por se decidir aí, entrei no mundo da comunicação e fui jornalista durante 18 anos” recorda.

Paris para um miúdo de 17 anos é um fascínio total. Fomos recebidos como heróis, íamos fazer a nova informação de um Portugal democrático. Fiz parte da equipa na rádio que fez a cobertura das primeiras eleições pós 25 de abril e eu ainda nem podia votar.

João Paulo Velez

Pelo caminho estudou História — por paixão — e Contabilidade e Finanças — por achar que precisava da dimensão da gestão na sua vida. O primeiro contacto com o trabalho de Marca e que, ainda hoje, considera um “momento irrepetível tanto profissional como pessoal”, foi o convite para responsável de comunicação e porta-voz da Expo 98. “Foi um projeto fantástico, estive 11 anos, desde o início até se transformar na zona urbana, estive com milhares de jornalistas ao longo desses meses. Mas foi também um momento chave de afirmação estratégica para o país. A Expo marcou um paradigma naquilo que trouxe de modernidade, de comportamento cívico, de tratamento de espaço público, estabeleceu patamares e referências para o país que nunca mais foi igual”.

Se há lição que aprendeu nos anos de jornalismo e de consultoria é que o seu maior ativo é a credibilidade. Mas hoje trabalha também com a positividade e intensidade com que vive cada novo projeto e admite ser com a emoção que conquista a sua equipa. “O meu lado de líder de equipas é mais emocional, sem emoção não vamos a lado nenhum, as recordações ficam-nos pelo lado emocional, pelas experiências que vivemos, hoje as marcam falam todas em experiências, nós falamos de experiência do cliente no banco todos os dias.”

Como é que um banco que é uma entidade vista como cinzenta, fechada, institucional neste mundo de experiências pode funcionar? Esse é um desafio brutal na atualidade.

João Paulo Velez

Nem de propósito, o Meat Me é um espaço de experiência: interativa e autêntica. Cada cliente é convidado a aproximar-se do balcão de carnes, um verdadeiro talho com peças de bovino maturadas, presuntos de porco e vaca a cair do teto, todas com etiqueta com a origem, raça, tempo de maturação, o local onde o animal viveu, morreu e até o nome. “A minha maior experiência gastronómica? Foi numa visita presidencial ao Congo onde jantei no meio da floresta. Não desgostei, sobrevivi. Foi um enorme desafio, estava uma humidade enorme e até hoje não sei o que comi” recorda.

Mas voltando ao que está a mudar. A começar na marca que recentemente passou a comunicar apenas Santander, simplificando-se na era digital. Um desafio para um banco internacional, que geograficamente se estende da Europa à América Latina. “Sabia que o Brasil é o país que mais contribui para os lucros do Grupo? Ninguém imagina…”. Em desenvolvimento estão um conjunto de soluções digitais “para tornar a vida mais fácil às pessoas e para que os clientes sintam que podem ficar aqui, que é um banco que está à frente, porque a fidelização, o banco para toda a vida, isso já acabou”.

“A marca existe na cabeça das pessoas se for emocionalmente apelativa e, sobretudo, se lhes fornecer de forma cómoda e acessível os serviços que procuram”, explica. E exemplifica: “Um dos atos mais importantes na nossa vida é comprar uma casa mas é uma tortura todos aqueles papéis. Nós estamos a trabalhar numa app que permite acompanhar todo o processo e que reduz o tempo, é apenas um exemplo de como a marca quer ser transparente, acessível e próxima”.

A arquitetura da nova Sede em Lisboa alinha-se com a estratégia. Mais uma mudança que acompanha os novos tempos. A escala parece traduzir “a cultura corporativa exigente e a banca responsável que a presidente do Grupo leva muito a sério”. Já o interior, o lado mais moderno, informal, “acabou aquela linha descendente muito hierárquica, se calhar vou deixar de ter um gabinete só meu. Há novas formas de comunicar internamente para vencer os compartimentos estanques, é toda uma revolução na banca que sempre foi muito hierárquica e um tema em que o nosso Presidente Pedro Castro Almeida está muito empenhado”.

Não vejo o mundo apenas como uma sucessão de achievements, todos precisamos de respirar, de tempo para gerir o seu próprio espaço.

João Paulo Velez

Como vê todas estas mudanças? “Com a minha capacidade de estar tranquilo, sem competição pelo tempo e pelo espaço. Sou filho único e os filhos únicos têm uma coisa que mais ninguém tem que é gerir tempo e espaço. Não ter que lutar por espaço pode enfraquecer-nos mas, por outro lado, dá-nos uma capacidade extraordinária de estar em qualquer lado.

Nós definimos o nosso tempo, se queremos estar naquele tempo ou não. Isso dá-nos uma capacidade que os outros não têm, não para melhor ou pior, apenas diferente. Isso ficou muito claro para mim quando em ano e meio tive três filhas. E aí o seu próprio mundo mudou.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

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António Costa

Publisher do ECO

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