2018, parte 2

  • Filipe Vasconcelos Romão
  • 7 Janeiro 2018

Encerrando o exercício que iniciámos na semana passada, ficam quatro questões que previsivelmente darão que falar nos próximos doze meses. Bom ano!

Instituições europeias

O fim da crise das dívidas soberanas limitou o enorme protagonismo ganho pela Alemanha nos últimos anos. As dificuldades para formar governo (as eleições foram em Setembro) contribuíram para a erosão do poder de Berlim e Emmanuel Macron, há oito meses no poder em França, não consegue ocupar o espaço aberto e continua com dificuldades para reerguer o eixo franco-alemão. A ausência, por agora, de uma chanceler em plenitude de funções deixa o presidente francês sem parceiro para esta dança de poder e confere uma oportunidade para as instituições europeias, com Jean-Claude Junker à cabeça, recuperarem a iniciativa perdida durante a crise. Uma parte do legado de Delors poderá, assim, ser ressuscitado.

Acordo União Europeia Mercosul

Ao longo dos dois últimos anos, assistimos a uma mudança de tendência política na América Latina. Argentina, Brasil e Chile contam agora com governos economicamente mais liberais. Neste contexto, não é de descartar que em 2018 seja, finalmente, assinado o acordo comercial entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e a União Europeia, o que poderá ser uma muito boa notícia para as empresas portuguesas exportadoras. No entanto, não é de descartar que a instabilidade política brasileira condicione grandes movimentos na região e volte a frustrar esta expectativa.

China no mundo

Donald Trump é uma catástrofe para a política externa norte-americana. A principal potência mundial perdeu credibilidade e capacidade de influência (poder efectivo, nos dias que correm) sobre adversários e parceiros. O presidente chinês Xi Jinping compreendeu que a instabilidade de Trump poderia ser uma oportunidade e, durante os últimos doze meses, teve na consolidação do papel da China como potência económica e comercial à escala global a sua grande prioridade. A hiper-reactividade e o imediatismo de Trump têm na moderação e na visão de longo prazo de Pequim um contra-ponto cada vez mais evidente. A defesa do comércio-livre e o desenvolvimento da “nova rota da seda” foram disso exemplo. O ano 2018 deverá confirmar esta tendência que demonstra que o poder chinês não chegará na forma de aviões e de carros de combate, mas sim de investimento e quotas de mercado.

O papel da Rússia

Com taxas de aprovação a rondar os 80%, Vladimir Putin parte para uma quarta campanha presidencial tranquilo. Com a sua estratégia validada pela opinião pública, neste mandato, o presidente russo consolidou uma política agressiva em relação ao “estrangeiro próximo” e recuperou parte do papel de potência com a intervenção na Síria e a manutenção do aliado (hoje vassalo) Bashar al-Assad. A pirataria informática, por outro lado, parece ter permitido a Putin reerguer, em versão low cost, uma parte da famosa rede de espionagem e contra-informação soviética. Com Trump no poder e com o petróleo novamente em alta, 2018 afigura-se como um bom ano para Putin.

Nota: Por opção própria, o autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico

  • Filipe Vasconcelos Romão
  • Presidente da Câmara de Comércio Portugal – Atlântico Sul e professor universitário

Contribua. A sua contribuição faz a diferença

Precisamos de si, caro leitor, e nunca precisamos tanto como hoje para cumprir a nossa missão. Que nos visite. Que leia as nossas notícias, que partilhe e comente, que sugira, que critique quando for caso disso. A contribuição dos leitores é essencial para preservar o maior dos valores, a independência, sem a qual não existe jornalismo livre, que escrutine, que informe, que seja útil.

A queda abrupta das receitas de publicidade por causa da pandemia do novo coronavírus e das suas consequências económicas torna a nossa capacidade de investimento em jornalismo de qualidade ainda mais exigente.

É por isso que vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo rigoroso, credível, útil à sua decisão.

De que forma? Contribua, e integre a Comunidade ECO. A sua contribuição faz a diferença,

Ao contribuir, está a apoiar o ECO e o jornalismo económico.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

2018, parte 2

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião