7 tendências que marcarão a inovação (e o futuro) do setor dos seguros

  • Nuno Arruda
  • 18 Fevereiro 2020

Nuno Arruda, Senior Director, Head of Sales and Client Management da Willis Towers Watson, sistematiza as tendências que fazem nascer insurtechs. Também avisa que algumas bem financiadas já fecharam.

A cada trimestre que passa, investe-se no sector das InsurTech – a família de startups tecnológicas que floresce no mercado dos seguros – quase 2 biliões de dólares no último trimestre de 2019, num total de 6,37 biliões nos 12 meses. Mas a inovação tecnológica não está limitada a um punhado de novas empresas. A revolução digital atravessa o setor dos seguros de forma transversal e há já algum tempo que a maioria das empresas entende que a tecnologia e a sua utilização estão a mudar definitivamente o paradigma do mercado segurador.

A análise avançada de grandes conjuntos de dados, a conectividade que possibilita a Internet das Coisas (IoT), o machine learning ou mesmo o comércio eletrónico são tecnologias com grande impacto no presente e no futuro das seguradoras.

Estas são as sete principais tendências em inovação de seguros que identificamos:

1. Digitalização do modelo de negócios

A adoção das tecnologias da informação e comunicação (TIC) permite que as empresas desenvolvam novos modelos de negócios, bem como formas de operar interna e externamente. As chamadas metodologias ágeis permitem que se reaja melhor às flutuações do mercado e se trabalhe com mais eficiência.

A digitalização também permite a criação de produtos novos e mais personalizados com um tempo de lançamento no mercado muito menor. Além disso, pode ser usada para adicionar valor, reduzir custos, reforçar a eficiência e alimentar o ecossistema inovador do qual, em última análise, surgirão novos modelos de negócios e aplicações da tecnologia.

2. Inteligência artificial e automatização

A inteligência das máquinas e, acima de tudo, o machine learning reduzirão os processos burocráticos e administrativos e acelerarão a gestão dos negócios. Várias startups do setor tornaram-se fortes graças à automatização de reclamações ou ao uso de inteligência artificial (IA) para reduzir fraudes.

Por outro lado, a IA e as tecnologias autónomas também representarão uma importante disrupção nos modelos de negócio das seguradoras no futuro próximo. O exemplo mais claro é o dos veículos autónomos, uma tecnologia que começa já a ser vista nas estradas e será comum na próxima década. O setor de seguros deve saber adaptar-se às novas necessidades e aos novos riscos que aparecerão na sequência da adoção destas tecnologias.

3. Big data e análise avançada

A análise de dados massivos é um dos grandes campos de inovação comercial da última década. E os seguros não são alheios à febre do big data. A análise cada vez mais avançada é usada para identificar, quantificar e priorizar os principais riscos das empresas, bem como relacionar as decisões de gestão desses riscos com o desempenho financeiro das organizações. Ou seja, o big data atua como uma ferramenta que permite otimizar os seguros seja qual for a linha de negócios.

No futuro, à medida que aumenta exponencialmente o volume de dados recolhidos, a análise de big data será usada na personalização total das apólices ou para mitigar e transferir os riscos em tempo real. Além disso, as projeções serão cada vez mais precisas, permitindo aos segurados anteciparem riscos imprevistos.

4. Descentralização e blockchain

Para possibilitar o manuseio de grandes volumes de dados, provenientes de qualquer tipo de fonte, é necessário ter um sistema que facilite e garanta a transferência de informações entre diferentes empresas ou elementos da cadeia de fornecimento. É aqui que a tecnologia blockchain entra em jogo. O chamado blockchain permitirá processos descentralizados, como a gestão de reclamações ou fraudes, mantendo os dados do cliente e da seguradora sempre protegidos.

5. Cibersegurança

A dependência tecnológica é cada vez maior e os serviços e empresas estão cada vez mais conectados. A digitalização abre novas oportunidades, como vimos, mas também apresenta uma série de desafios. O maior de todos eles é provavelmente o da cibersegurança.

As companhias de seguros estão envolvidas na gestão dos ciber-riscos, tanto como agentes de proteção contra ciberataques como enquanto alvos em si mesmas. A inovação em cibersegurança chegará ao setor segurador com a ajuda da proteção de dados, do reforço das políticas de conformidade, da gestão de riscos para a imagem e reputação e da mudança na cultura corporativa para reforçar a resiliência da empresa.

6. Auge e consolidação das InsurTech

De acordo com o mais recente Quarterly InsurTech Briefing publicado pela Willis Towers Watson, o mercado das InsurTech já está a mostrar os seus primeiros sinais de maturidade. A tecnologia que antes era completamente disruptiva em breve será percebida como normal pelo consumidor. Isto impulsionará a inovação nas empresas mais tradicionais. Também estimulará os movimentos de fusões e aquisições, bem como acordos de colaboração entre startups e organizações consolidadas no setor.

7. Omnicanalidade e clientes móveis

São cada vez mais os consumidores que preferem contratar os seus produtos on-line, de forma fácil e intuitiva, através de qualquer canal disponível e, sobretudo, por meio de dispositivos móveis. A ascensão do comércio eletrónico mudou a forma como o cliente procura, se informa, compara e compra, uma tendência de marcado cunho tecnológico que também tem o seu impacto no setor dos seguros.

Além disso, a experiência e o relacionamento com a empresa tornam-se um elemento central de todo o processo. Nos próximos anos, as estratégicas omnicanal, a personalização e a interação serão conceitos com tendência a ganhar cada vez mais importância no sector.

Em resumo:

Continuamos a assistir ao florescer das InsurTechs e da cultura de inovação num sector tipicamente tido como conservador. Efetivamente, só em 2019 foi investido cerca 40% do valor histórico em InsurTechs, tendo testemunhado a criação de 5 novos unicórnios (num total de 10 Insurtechs que até à data atingiram esse estatuto).

É inevitável que assim seja, quando o padrão e a tipologia de consumidores e mercados evoluem a uma velocidade nunca antes vista.

Por outro lado, por muito atrativa e sexy que seja esta temática, a verdade é que nem sempre a história destas empresas tem um final feliz – de acordo com os nossos dados, nos últimos três anos cerca de 184 insurtechs que haviam tido a capacidade de levantar capital, fecharam as suas portas.

  • Nuno Arruda
  • Nuno Arruda, Senior Director, Head of Sales and Client Management da Willis Towers Watson

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

7 tendências que marcarão a inovação (e o futuro) do setor dos seguros

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião