Editorial

A escolha eleitoral entre uma pessoa e um programapremium

O que vai estar em causa nas legislativas? A escolha entre António Costa e o programa eleitoral do PSD, porque nem o programa do PS traz nada de novo, nem Rui Rio é um líder mobilizador.

A menos de 20 dias das eleições, legislativas, depois dos debates que já se viram e dos programas eleitorais já apresentados, o que se pode dizer que estará em causa no dia 30 de janeiro? A experiência política de António Costa e a avaliação do seu desempenho nos últimos seis anos e o programa eleitoral, alternativo, do PSD, com a prioridade à economia e à redução de impostos. Será, assim, uma escolha entre uma pessoa e um programa.

António Costa esforça-se há semanas por transformar esta corrida eleitoral numa espécie de luta entre dois protagonistas. Ciente da vantagem que tem em relação a Rui Rio apesar dos seis anos de desgaste com uma pandemia pelo meio -- como ficou claro dos debates televisivos realizados até agora --, o primeiro-ministro e recandidato a mais um mandato tem feito tudo para centralizar a discussão na escolha entre duas pessoas. A verdade é que não é isso que está em causa e se Rui Rio não cair na ratoeira, evitará esse confronto e optará por expor o PS e as promessas de redistribuição que são mais do mesmo em relação ao passado.

O país estagnou nos primeiros 20 anos deste século, e mesmo a convergência económica de que fala António Costa no quadro da União Europeia e da Zona euro não só é limitada, como não impediu o país de ser ultrapassado por países que eram mais pobres, nomeadamente os países do centro e leste europeu. Para não citar o caso irlandês, e um gap de riqueza por habitante que continua a aumentar. O SNS continua em dificuldades -- e o problema não decorre apenas da Covid --, a educação está pior e aumentou a pobreza.

O PS e o PSD apostam, ambos, nas contas certas, na redução da dívida pública e do défice. Nem António Costa e o PS arriscam perder as vantagens -- medidas em milhares de milhões de euros -- de uma política acomodatícia e de juros baixos do BCE, o que ficaria rapidamente em causa se não houver um regresso à trajetória de redução da dívida pública e do défice. As semelhanças terminam aqui.

Rui Rio não é uma águia dos debates, nem para os seus fiéis, como se viu do primeiro, com André Ventura. Mas apresenta um caminho de política económica que tem como prioridade a criação de riqueza e posterior distribuição. Costa faz exatamente o contrário. Redistribui e espera que esse opção traga crescimento económico, e conta com o investimento suportado em fundos comunitários para compensar a ausência de prioridades da política económica ao crescimento.

Percebe-se, assim, que Costa não esteja muito interessado em debater programas e prefira debater pessoas. Não tem nada para mostrar, está gasto. Goste-se ou não de Rio -- e não gosto nada das suas obsessões, desde logo com os jornalistas que o criticam --, apresentou outro caminho, uma estratégia alternativa. Poderia ir mais longe? Sim, como se percebe se tivesse em conta algumas das propostas da Iniciativa Liberal em matéria de Saúde ou de Educação, mas é claramente diferente daquele que apresenta António Costa. E como não haverá maiorias absolutas, uma vitória do PSD poderá resultar, no final do dia, num programa ainda mais alternativo ao que tivemos nos últimos seis anos

O PSD apresenta objetivos fixados, e com números (pelos vistos, números a mais, segundo António Costa), o PS apresenta metas não quantificadas. E o PSD é suficientemente claro para esclarecer que aqueles objetivos só serão viáveis se a pandemia for ultrapassada em 2022. O PSD fez o trabalho de casa (que deveria ter apresentado antes do início dos debates) como o PS fez em 2015. Agora, o PS apresentou um programa eleitoral mínimo e repete, para mal dos pecados do BE e do PCP, que quer reapresentar medidas que constavam da proposta de orçamento chumbadas no Parlamento. Reduções e impostos pífios e mais redistribuição.

O centro esquerda e os socialistas votarão em António Costa, os eleitores de centro-direita e de direita moderada não vão votar em Rui Rio, mas no programa do PSD, numa esperança de uma vida melhor e não no fatalismo em que vivemos, com metade da população a depender do Estado. Os que estão em dúvida vão ter de escolher se preferem a segurança de quem conhecem, e um Estado que se mantenha mais ou menos como está, ou a ambição de um programa político que ambiciona (fazer é outro tanto) reformar o país ou, no mínimo, mudar alguma coisa para que os resultados sejam diferentes.

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