Editorial

A ministra que quer acabar com a saúde dos privados

Marta Temido tem uma agenda ideológica, cega: quer acabar com a saúde dos privados. É a agenda deste PS para travar o BE e o PCP.

Marta Temido assumiu funções de ministra da Saúde para substituir um desgastado Adalberto Campos Fernandes e, ao fim de algumas semanas em funções, já se percebeu ao que vem: É a carta de António Costa para ganhar os votos à esquerda, para mostrar que a natureza deste PS, de braço dado com o BE e o PCP, não mudou, está apenas disfarçada, depois do trabalho de Mário Centeno para provar que um governo do PS pode ser tão ou mais defensor da austeridade do que qualquer outro governo à direita.

Nos primeiros três anos de governação, Costa tinha várias preocupações, mas uma das mais relevantes era provar que o PS é de boas contas. Depositou essa tarefa em Mário Centeno, um economista do Banco de Portugal que ajustou o seu discurso às necessidades do PS, e da geringonça, mas apertou onde tinha de apertar para garantir a redução do défice a a confiança dos mercados. Fê-lo com austeridade, com impostos indiretos, com cativações e corte no investimento. E com uma conjuntura económica externa que lhe deu a receita necessária. Sem reformas, como convém, e a viver do chamado dividendo orçamental, que está a esvaziar, como se percebe pelas previsões para os próximos dois anos.

Agora, no último ano de legislatura, e sem vontade nenhuma de ter o BE e o PCP no governo, António Costa precisava de um ministro que fosse o outro lado, que sossegasse a linha de Pedro Nuno Santos e de João Galamba, e tapasse o crescimento possível do BE e do PCP. Encontrou essa carta para a saúde. E em Marta Temido.

Primeiro, foi a lei de bases da saúde, revista e diminuída em relação à proposta apresentada por Maria de Belém e ratificada por Adalberto Campos Fernandes. Assumiu a ideologia, afastou o setor privado de saúde e quer transformá-lo apenas num sistema complementar do setor público. À custa dos portugueses, como se percebe quando a competição entre a gestão pública e privada de hospitais públicos já deu tão bons resultados. A ministra da Saúde (e o governo) prefere gastar mais com pior serviço do que reconhecer o papel central dos grupos privados de saúde. Será para esconder os termos de comparação, e o estado doente do nosso SNS gerido por gestão pública?

Agora, vem dizer o seguinte, em entrevista ao DN/TSF: A ministra da Saúde quer reter os médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) durante mais tempo antes de estes optarem por sair do público para o privado. Esse objetivo pode ser conseguido com a vinculação durante um determinado período de tempo. Marta Temido quer resolver um problema da pior forma, quando o caminho é outro, é criar as condições para os jovens licenciados optarem pelo público em vez do privado.

Se o objetivo é reter os licenciados em medicina, porque não fazê-lo com outras licenciaturas? Já agora, fazia-se uma lei geral, à moda de Cuba ou da Venezuela, impondo a obrigação de todos os licenciados em faculdades públicas de trabalharem para o Estado, com um período definido em função do custo do curso. Era a forma mais fácil de acabar com o setor privado de vez, sem precisar de qualquer lei de bases. Mas há aqui um equívoco enorme na estratégia de Marta Temido e do próprio governo. Afinal, quem financia o Estado? Exato, são os privados. O Estado não tem dinheiro, não dá nada a ninguém, redistribui o dinheiro que cobra aos privados, às empresas e às famílias. Logo, ao tratar da saúde dos privados, estará a tratar a prazo da saúde do Estado, e sobretudo daqueles que diz querer defender, que são os mais desfavorecidos.

A estratégia de Marta Temido tem um alcance político para lá do setor da saúde. É o PS de Costa a trabalhar para as eleições.

Nota: Marta Temido chamou “criminosos” e “infratores” aos enfermeiros que estão a fazer greve. Depois, pediu desculpa, mas serve apenas para relevar o que é o pensamento desta ministra, a tentação controleira e estatizante, de que tudo gira à volta do Estado e dos ministros. O que seria dito pelo PCP e pelo BE se fosse um membro do governo de Passos Coelho?

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