A mobilidade autónoma é para amanhã?

António Bico, CEO da Zurich Portugal, demonstra que a indústria está atenta às mudanças na mobilidade para rapidamente as prever ou adaptar-se. O seguro continua indispensável garantia de conforto.

Automóveis, autocarros, aviões e navios: quase todos os veículos estão a ser pensados e desenvolvidos na versão autónoma, que dispensa o condutor, o motorista, o piloto ou o mestre. Sensores, radares, geolocalização, devices que geram quantidades enormes de dados ou conectividade entre dados dos veículos são algumas das tecnologias em desenvolvimento que têm como base as conhecidas inteligência artificial, robótica, machine learning e big data. As notícias de testes com resultados animadores são diárias e chegam-nos de toda a parte do mundo. Apesar de a chegada dos automóveis autónomos de forma significativa estar estimada para depois de 2035, os principais investigadores consideram que poderá ser uma realidade massificada em 2050.

Tudo indica que a mobilidade autónoma pode ser o futuro e que a sociedade terá de se adaptar a esta nova forma de estar. Esta realidade vai implicar mudanças em várias frentes: nos clusters dos veículos e no seu impacto na geopolítica e geoestratégia, nas leis, regulamentos e normativos que regulam o tráfego – como é o caso do código da estrada – no planeamento e aspeto das cidades, na forma como nos movemos e, inevitavelmente, nos seguros. Nas grandes cidades estas mudanças na mobilidade já são visíveis, desde as trotinetas e bicicletas às soluções partilhadas de automóveis e motas.

Nos últimos anos o futuro do seguro automóvel ganhou espaço na agenda mediática. Um artigo recente da Bloomberg perguntava: “Se não há ninguém a conduzir, porque é que precisamos de um seguro?”. A mesma notícia afiançava que, ao retirar o motorista da equação, os riscos serão menores e, como tal, os seguradores terão de reduzir prémios – os custos dos seguros – e, por conseguinte, ver baixar o volume de negócios. No entanto, há vários motivos para crer que nas próximas décadas os seguradores continuarão a ter um papel preponderante no mercado da mobilidade.

Quando os veículos autónomos forem uma realidade, os riscos convencionais como os fenómenos climatéricos, danos maliciosos e roubo não desaparecerão. No caso dos automóveis haverá uma redução nos acidentes com origem em erro humano, mas surgirão novos riscos como os ataques de hackers, falhas de software e constrangimentos nas estradas. Os acidentes serão potencialmente menos frequentes mas mais onerosos. Aumentarão os custos de substituição de peças, a maioria altamente sensível e de tecnologia sofisticada. A somar a isto, vários estudos sugerem que a maioria dos reguladores exigirá que os proprietários de carros autónomos continuem a contratar um seguro, garantindo assim que, se um determinado veículo provocar qualquer dano ou lesão, o sistema assegurará a proteção da parte lesada.

Os seguradores sempre acompanharam as evoluções sociais, antecipando tendências e apresentando novas soluções e no caso dos carros autónomos não vai ser diferente. Veículos e pessoas que circularão nas estradas vão continuar a obter respostas adequadas dos seguradores. Não está em causa a extinção do seguro automóvel, mas a necessidade de encontrar novas abordagens para a mobilidade do futuro.

Deverão os veículos autónomos ser encarados como serviços de mobilidade que transportam passageiros? Fará a mobilidade parte de ecossistemas de transportes que ainda estão a dar os primeiros passos? Se sim, o espetro para a atividade seguradora é grande e motivador. Se não, há que continuar a preparar os vários cenários e a tomar decisões. Tal como o que está a ser feito para outros riscos sistémicos como as alterações climáticas, as mudanças na demografia, o envelhecimento em geral ou os ataques cibernéticos.

Os automóveis autónomos são uma pequena parte de conceitos de mobilidade e transporte que estão em definição e, neste contexto, o desenvolvimento dos riscos não é estático. Nunca foi. É por isso que a atividade seguradora sempre foi dinâmica e resiliente. Afinal trata-se de conferir conveniência, confiabilidade e proteção às pessoas, às empresas e às comunidades. Falar de seguros é falar de confiar numa rede de segurança e proteção financeira. É olhar o futuro sabendo que o risco espreita, mas que a garantia do conforto é possível.

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António Costa

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