A semana do #metoo 3.0 e do They

They (eles) foi a palavra escolhida para 2019. A escolha parece fazer ainda mais sentido quando surge como tendência para 2020 aquilo a que já se chama: gender-neutral baby names.

Esta semana ficámos a conhecer a palavra do ano segundo a conhecida editora norte-americana Merriam-Webster. They (eles) foi a palavra escolhida para 2019. Quer isto dizer, que foi a mais procurada pelos utilizadores, no dicionário online.

They, o pronome da terceira pessoa do plural, teve um aumento nas pesquisas online de 313% e a explicação que se encontra é o seu novo sentido como pronome singular neutro, que não existia na língua inglesa. Surge como alternativa a He (ele) e a She (ela) e é usado por todos os que se identificam como não-binários, ou seja, sem género feminino ou masculino.

A escolha parece fazer ainda mais sentido quando surge como tendência para 2020 aquilo a que já se chama: gender-neutral baby names, ou seja, nomes unissexo para bebés. Uma tendência que se acredita que veio para ficar e que já levou marcas como a JoJo Maman Bébé a criar uma lista de nomes que servem para rapazes e raparigas e que acredita que serão populares no próximo ano. No primeiro lugar está River, mas há outros nomes como Gray, Max, Ecelyn, Indigo…e por aí fora…

Nesta semana foram conhecidas também as 20 tendências para a nova década da ex- Havas Marian Salzman. No documento a que chamou Chaos – The New Normal, há uma que destacamos – a entrada no momento #metoo 3.0. Segundo a especialista, entramos numa nova fase do movimento para acabar com o assédio e a violência sexual e a desigualdade de género. A expressão foi cunhada pela ativista Tarana Burke e ganhou força no Myspace em 2006, quando as redes sociais estavam numa fase inicial, seria o momento #metoo 1.0. Depois em 2017 com o escândalo que envolveu Harvey Weinstein (e outros nomes que se seguiram) e com milhares de mulheres em todo o mundo a fala sobre transgressões nos comportamentos – seria o #metoo 2.0.

2020 traz o #metoo 3.0, ou seja, será o ano em que vamos começar a ver o resultado de todas as pessoas que ficaram despertas para os temas, online e offline. Segundo a análise, já não se trata apenas de questões de assédio sexual e violência, é a tomada de consciência de comportamentos que até aqui nos passavam despercebidos, que eram inquestionáveis.

Veremos homens e mulheres a chamar a atenção para temas como o sexismo e a injustiça com base no género. E Marian chega a dar um exemplo: “Quando o Business Standard da Índia publicou uma manchete em que dizia: “Prof. Abhijit Banerjee e a esposa do MIT da América do Norte ganham Nobel da Economia “, Michael Eisen, cientista da Universidade da Califórnia, em Berkeley, teve o seu momento #MeToo 3.0. Respondeu no Twitter: “Parabéns a Esther Duflo e ao seu marido por ganhar o #NobelPrize de economia”. Uma mensagem que chama a atenção para a contínua marginalização das mulheres nas ciências.

2020 será um ano de calma, confiança e otimismo, pelo menos segundo a Pantone que escolher como cor do ano – o Azul Clássico. Neste texto acrescentamos também inclusivo, neutro e com mais gente a levantar-se, a dar um passo em frente e a falar sobre aquilo que acredita. Independente da geração a que pertence.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

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No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

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António Costa

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