Associações do setor segurador, falar mal ou estar calado?

  • Bruno Carvalho
  • 24 Março 2020

Bruno Carvalho alerta para as consequências das declarações públicas, provenientes de entidades reconhecidas do setor, na vida dos mediadores e na sua relação com os segurados.

É para todos nós uma altura muito difícil, ninguém sabe qual o real impacto que esta pandemia terá nas nossas vidas e nos nossos negócios, sou apologista que temos todos que manter a calma e dar espaço para que quem tem que decidir o possa fazer de forma adequada e sobretudo em consciência.

Todavia é importante estarmos atentos ao que vai acontecendo no setor segurador, porque tudo o que não se quer é atitudes menos sóbrias, uma vez que, por via desta pandemia, muitas pessoas estão mais atentas a notícias e redes sociais. Informações prestadas com a melhor das intenções podem derivar em alarmismo e tornar-se virais para milhares de consumidores de seguros. Refiro-me mais exatamente a uma notícia publicada no jornal Expresso citando fonte da APS, onde fica implícito que neste momento apenas a cobertura obrigatória de Responsabilidade Civil Automóvel estará válida e que todas as restantes coberturas facultativas não se sabe se poderão ser acionadas.

Não vou comentar se podem ou não.

Em minha opinião, o que deveria ter sido feito, numa ótica de clarificação ao mercado, era a APS perguntar a todas as seguradoras suas associadas que comercializam seguros do ramo automóvel, se assumem ou não as coberturas facultativas e se, no caso de não assumirem essas mesmas coberturas, iriam devolver aos seus clientes os prémios cobrados pelas mesmas, uma vez que não devem estar a cobrar por risco que não cobrem.

De louvar a atitude a algumas seguradoras que prontamente comunicaram que estão a assumir todos os riscos, exatamente da mesma forma que estavam antes de ser decretado o estado de emergência.

Atitude destas podem causar muitos danos, nomeadamente ao nível da mediação de seguros. Se pelo lado das seguradoras alguma perda que se venha a registar é atenuada pela baixa sinistralidade (este pode ser um ano histórico de rentabilidade no ramo de Acidentes de Trabalho), por outro lado os mediadores sofrem imediatamente com a inquietação dos clientes traduzida em chamadas telefónicas, e-mails, whatsapps, etc.

E também pela perda silenciosa de comissões, uma vez que para muitas pessoas, se saiu uma notícia onde se diz que não há cobertura, não faz sentido pagar e nem sequer se preocupam em perguntar.

Mas como a APS não representa os mediadores mas sim as seguradoras, sendo eu mediador devo pedir à APROSE que tome as devidas providências para preservar os seus associados, mas o que se vê por parte desta associação em relação à pandemia, é um silencio perturbador interrompido por uma comunicação em relação ao subsidio de alimentação em caso de teletrabalho e uma outra a informar que os mediadores de seguros podem e devem manter os seus escritórios abertos.

Fico triste com esta atitude uma vez que se há atividade que pode ser desenvolvida à distancia é a mediação de seguros e acredito que com algum esforço e boa vontade nenhum cliente ficará com qualquer assunto por tratar durante esta fase. Devo dizer que o comunicado mesmo que seja juridicamente acertado é totalmente errado do ponto de vista humano e social, pois o que se pede a quem pode é que fique em casa e saia o mínimo possível.

Da minha parte deixo o apelo a todos os consumidores de seguros que, em caso de dúvida, entrem em contacto com os vossos mediadores que certamente estão melhor preparados para responder às questões do que todos os comentários que possam ler nas redes sociais. Aos meus colegas e amigos Profissionais de Seguros que não entrem em alarmismos e que fiquem em casa contactáveis que é a melhor ajuda que podem dar a todos e a vós próprios.

  • Bruno Carvalho
  • Técnico formado em 2000 no antigo Instituto de Educação Técnica de Seguros, tem escritório de mediação próprio e foi um dos co-fundadores do portal Falar Seguros

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