Digitalização: um caminho de oportunidades ou um fator de desigualdade?

  • Jesus Nuñez
  • 8 Julho 2021

Jesus Nuñez, diretor da área Sales and Distribution da Liberty Seguros Europa, considera ser responsabilidade de todos lutar para que a transição digital não se torne uma nova fonte de desigualdade.

Sobreviver à transição digital, aquela que é já considerada a quarta revolução industrial, é sinónimo de encontrar formas de ultrapassar diversos desafios como a flexibilidade, a personalização da oferta e a capacidade de adaptação. Um cenário que é transversal a todas as empresas, sejam empresas centenárias, multinacionais, start-ups, pequenas e médias empresas (PME) ou microempresas.

A digitalização é mais do que comprar um computador novo ou a adaptar a casa ou os postos de trabalho a novas tecnologias. Exige uma mudança de cultura corporativa e uma adaptação contínua do modelo de negócio, onde tudo evolui: o produto, o serviço, as competências profissionais, o modelo comercial, a comunicação, o canal e o cliente. Uma transformação onde a tecnologia é o meio, mas o fim continuam a ser as pessoas. É um ponto de viragem necessário para a superação ou crescimento das empresas nesta nova era.

No entanto, nem todas as empresas têm ferramentas ou pulmão financeiro para percorrer este caminho da mesma forma e com a mesma rapidez. Em Portugal, o Governo quer incentivar as empresas a seguir este processo, baseando-se nos dados preocupantes da União Europeia de 2019 que colocam Portugal aquém da média da UE nos níveis de adoção de tecnologias digitais, tal como acontece na percentagem de pessoas com competências digitais. O estudo da UE mostra ainda que, em Portugal, as PME são menos ativas digitalmente face às europeias.

Neste contexto, é importante reforçar o nosso apoio às Pequenas e Médias Empresas, lembrando-nos que faz parte do dever de todas as empresas ajudar o setor em que se inserem no processo de adaptação ao contexto atual, estando ao lado dos colaboradores. É importante que encontremos ferramentas de formação, colaboração e apoio. Na Liberty, as 150 pessoas responsáveis por assegurar a digitalização da empresa e o investimento de 100 milhões de euros não serão suficientes se o nosso avanço não for acompanhado pelas empresas mais pequenas que diariamente contribuem decisivamente para manter em marcha a atividade económica. A proximidade e o acompanhamento das pessoas que estão por trás de cada PME e que contribuem para a manutenção do emprego é a verdadeira revolução digital que vamos continuar a promover.

Temos de formar atuais e novos colaboradores, criar negócios em ambientes digitais e utilizar as suas funções para compreender o comportamento, necessidades e exigências do novo consumidor que cada vez mais exige produtos e serviços personalizados. É um dever nosso não ficar à espera do que nos chega, mas sim criar o que queremos ver no mundo, uma tecnologia acessível a todos.

E se esta é já uma revolução que vai atingir todos por igual, é importante que o ecossistema abranja todos de forma igual e que esta não se torne um fator de desigualdade social, económica e empresarial. Não se pode negar que a tecnologia irá substituir alguns empregos, mas também é verdade que irá criar novos e ajudar a encontrar soluções mais eficazes para os processos diários. Este equilíbrio só será possível com a consciência de que sem as pessoas não era possível conquistar todas as lutas que têm sido travadas e que é urgente criar um ecossistema inclusivo para que a transição tecnológica, a formação contínua e a mudança para uma nova cultura empresarial digital contribuam para a consolidação de um novo tecido empresarial competitivo sem medo do futuro.

  • Jesus Nuñez
  • Diretor Sales & Distribution na Liberty Seguros Europa

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