Envelopes com dinheiro para o futuro

  • Bruno Carvalho
  • 29 Setembro 2019

Os PPR afiguram-se como uma escolha certa para não se ser surpreendido quando já é tarde na vida para tomar decisões diferentes de poupança e investimento.

O futuro é sempre um envelope fechado, não fazemos ideia do que nos irá acontecer, se iremos alcançar os nossos objetivos, tanto a nível pessoal como profissional, diversos fatores podem interferir e deitar por terra aquele plano perfeito, se nos faltar a saúde, se acontecer uma catástrofe natural, se a economia mundial entrar em recessão por vários anos, etc. Mas mesmo sendo o futuro algo imprevisto existem formas de minimizar o que possa acontecer, como por exemplo no caso da saúde, se adotarmos hábitos de vida saudáveis e tivermos cuidado com a alimentação, podemos ainda assim vir a ter problemas de saúde, mas estamos a minimizar as possibilidades.

"se tivéssemos taxas de inflação como as dos anos 80 não seria preocupante, mas com as atuais dá que pensar em como se irá pagar 30 ou 40 mil euros quando tivermos 80 anos e chegar ao fim o nosso crédito habitação”

Em relação ao nosso futuro a nível financeiro é a mesma coisa do que na saúde, se por um lado é impossível ter certezas por outro é na esmagadora maioria dos casos possível minimizar os impactos que alguns imprevistos possam trazer, uma das fórmulas que podemos adotar é centrar a nossa atuação em três grandes pilares, primeiro os descontos obrigatórios para a segurança social, em segundo poupanças pessoais simples onde basta não gastar todo o rendimento, que podem ser convertidas em investimentos ou simplesmente em depósitos bancários e por fim poupanças forçadas, estas últimas consistem em nos obrigarmos a nós próprios a poupar como se tivéssemos uma despesa recorrente.

É aqui que entramos nós, os profissionais de seguros e não numa ótica de venda até porque a maior parte de nós abdica de receber comissões em prol de entregar ao cliente um maior rendimento, mas sim numa ótica de ajudar o nosso cliente que também nos ajuda em outros seguros de outros ramos, é uma obrigação nossa, enquanto profissionais, sugerir aos nossos clientes que subscrevam PPR´s. Existem fatores que conjugados podem derivar num grave problema social e uma grande parte de nós ainda não se apercebeu.

Cada vez mais existe um fosso entre o ordenado à data da reforma e o valor da mesma, os níveis de poupança das famílias são muito inferiores aos de há alguns anos, por via de um Life Style completamente diferente onde existem muitas coisas que atualmente são banais, tais como internet ou TV paga, que não existiam há 30 anos e todas essas coisas comem um fatia significativa de rendimentos.

Os prazos dos contratos de crédito habitação são muito superiores aos que antigamente eram praticados e em muitos deles foram colocados valores residuais a pagar no final do contrato superiores a 20%, este mecanismo serve para reduzir a taxa de esforço mas coloca um problema no final do contrato, se tivéssemos taxas de inflação como as dos anos 80 não seria preocupante, mas com as atuais dá que pensar em como se irá pagar 30 ou 40 mil euros quando tivermos 80 anos e chegar ao fim o nosso crédito habitação.

É por causa de todos estes fatores que temos de tentar minimizar os seus possíveis impactos. Os PPR´s são um produto sem risco e que atualmente tem taxas de rendibilidade claramente superiores às dos depósitos bancários e que alia a estes fatores um incentivo fiscal, que mesmo não sendo o ideal pode ser considerado muito interessante.

Subscrever um PPR é chegar ao envelope fechado que é o futuro e meter algum dinheiro lá dentro todos os meses que nós próprios nos obrigamos a poupar, se quando chegar a hora de o abrir o nosso plano de vida tiver corrido tão bem que aquele valor nem sequer faça falta, logo se vê o que se faz com ele, um problema não será certamente.

  • Bruno Carvalho
  • Técnico formado em 2000 no antigo Instituto de Educação Técnica de Seguros, tem escritório de mediação próprio e foi um dos co-fundadores do portal Falar Seguros

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