Flexibilidade salarial e literacia financeira: o futuro dos benefícios empresariais

  • Maria João de Figueiredo
  • 2 Abril 2025

Os benefícios corporativos são mais do que um gesto simpático para com os funcionários, desempenhando um papel altamente estratégico para qualquer empresa.

Quando falamos de estratégias de Recursos Humanos (RH), não podemos deixar de mencionar a importância dos benefícios empresariais. Estes estão diretamente relacionados com uma das preocupações que estão na ordem do dia para qualquer gestor: a atração e a retenção de talento.

De facto, num cenário em que os trabalhadores são cada vez mais qualificados e detêm maior poder de escolha, é importante que os profissionais de RH se foquem num pacote robusto de benefícios corporativos que tornem a empresa mais atrativa, pois estes são, não poucas vezes, o fator decisivo para que alguém opte por uma determinada proposta laboral em detrimento de outra.

A verdade é que os tempos mudaram, e, em 2025, os funcionários procuram uma abordagem mais abrangente e personalizada aos benefícios. Estes podem ser altamente diversificados; No nosso país, segundo um estudo da Mercer, os mais frequentemente atribuídos pelas organizações são o seguro de saúde, a política automóvel e o seguro de vida. A isto acresce o apoio à formação dos colaboradores, que tem vindo a adquirir cada vez maior evidência, bem como os bónus por recomendação de novos recrutamentos.

Estes benefícios implicam, desde logo, um certo grau de literacia financeira por parte dos gestores. Em Portugal, o panorama é promissor: segundo dados publicados pelo Banco de Portugal em 2022, os empresários de micro e pequenas empresas portuguesas apresentam dos maiores níveis de literacia financeira entre 14 países da OCDE.

Falo de literacia financeira, porque a verdade é que muitos destes benefícios para o colaborador se refletem, também, em vantagens fiscais para as empresas, nomeadamente a flexibilidade salarial. Efetivamente, os prémios atribuídos aos trabalhadores em determinadas condições estão isentos de IRS e excluídos de contribuições para a Segurança Social, de acordo com o último Orçamento de Estado.

Ora, a este aspeto está, indubitavelmente, subjacente uma ideia clara que consiste num win-win para ambas as partes: a meritocracia como base para a progressão da carreira. De facto, uma pesquisa conduzida pelo The Economist revelou que existe uma nítida conexão entre a satisfação dos colaboradores e o sucesso empresarial.

Em bom português, não há almoços grátis. O que é que isto significa? Os benefícios corporativos são mais do que um gesto simpático para com os funcionários, desempenhando um papel altamente estratégico para qualquer empresa que queira posicionar-se como tendo uma cultura de trabalho positiva e uma imagem corporativa forte.

Cabe-nos a nós, enquanto entusiastas dos RH, garantir que somos capazes de antever as tendências que pautam esta área, cada vez mais competitiva e em constante mudança.

  • Maria João de Figueiredo
  • CEO da CIPHRA

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