“For Once, Don’t Do It”. Mas a Nike volta a fazer.

Para além do Coronavírus, que continua a fazer vítimas no país, a American Psychological Association emitiu uma declaração em que declara o racismo como uma pandemia.

Depois de semanas a ler relatórios, a seguir futuristas e trends forecasters, chega-se realmente a acreditar que o mundo, agora que começamos o desconfinamento, será diferente. Que vamos sair da experiência do isolamento, mais tecnologicamente humanos, mais solidários, e com um valor acima de todos os outros: o da segurança.

Mas o que há de mais interessante “nisto” de estudar tendências é aquele território sem terra, em que não há o certo ou o errado, o que é verdade ou mentira. Há estudos, há análises, há reflexões. E na véspera de retomar aquilo que será o novo normal, ou o normal de sempre, há imagens que nos chegam de Minneapolis, com a morte de George Floyd, e questiono-me o que está afinal diferente.

Depois faço o esforço mental e regresso à sala de aulas, básico talvez, e ao entendimento que os futuristas são um braço das marcas, que existem para as aconselharem, para lhes passarem insights sobre o mundo, sobre as constantes alterações de comportamentos.

E vemos primeiro o Twitter, talvez tecnologicamente mais humano, neste suposto novo mundo. Nos últimos dias tornou-se notícia ao restringir um tweet do presidente norte-americano, Donald Trump, por considerar que viola as regras da plataforma ao enaltecer a violência, a propósito dos incidentes depois da morte de Floyd. Afinal, as marcas, que são feitas de pessoas, talvez não estejam apenas mais tecnologicamente humanas, mas também conscientes do valor que enquanto sociedade colocámos no topo das nossas prioridades e como o novo luxo – a segurança, seja ela na saúde, nas finanças, nas próprias ruas…

Mas se quisermos uma imagem mais visual temos a Nike que, esta semana, volta a posicionar-se num verdadeiro statement contra o racismo. Depois da campanha protagonizada pelo jogador de futebol americano Kaepernick, que se ajoelhou em pleno campo durante o hino nacional dos EUA em forma de protesto contra a violência policial contra os afro-americanos, a Nike “dares again”.

Dá o dito por não dito, e em vez do “Do It”, diz-nos “For Once, Don’t Do It”, ou seja, “Pela primeira vez, não o faça”. Para além do Coronavírus, que continua a fazer vítimas no país, a American Psychological Association emitiu uma declaração em que declara o racismo como uma pandemia. E se há marcas que a ignoram, fica o desafio da marca norte-americana no combate a essa pandemia, “Let’s all be part of the change” diz, #UntilWeAllWin.

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