Editorial

Frederico Varandas já perdeu o sono?

O presidente do Sporting ganhou as eleições com uma estratégia de desdramatização da situação financeira do clube. Cinco meses depois, anuncia o estado de emergência.

“A situação financeira do clube? Está como esperávamos. Não me tira o sono”, afirmou Frederico Varandas no dia 15 de setembro de 2018, uma semana depois de tomar posse como presidente do Sporting. Foi, aliás, assim, com um discurso a desdramatizar a gravidade do estado da SAD do Sporting que Varandas ganhou o clube. Passados cinco meses, afinal, Varandas tem razões para perder o sono.

O Sporting precisa de 65 milhões de euros nos próximos meses e vai avançar já em março com uma operação para antecipar receitas relativas aos direitos de transmissão televisiva dos jogos da equipa principal de futebol. Se falhar, a sociedade admite vender o naming do estádio José de Alvalade ou da Academia Sporting. Porquê? Há muita urgência em obter dinheiro para os lados de Alvalade, porque em abril já não vai ter dinheiro para fazer face às despesas do dia-a-dia.

Esta informação ao mercado sucede-se a uma conferência de imprensa na semana passada, no dia seguinte à eliminação do Sporting da Liga Europa, na qual Varandas e Francisco Zenha (administrador com o pelouro financeiro) revelaram as dificuldades económicas e financeiras do clube e responsabilizaram Bruno de Carvalho pelo estado em que o deixou. E levantaram o véu sobre os primeiros resultados da auditoria à gestão do seu antecessor. Começou ali uma inversão do discurso, e a preparação dos adeptos para uma realidade negra, sem verde esperança, que agora é conhecida em mais detalhe. Aos enormes problemas desportivos, somam-se os problemas financeiros.

O Sporting já tinha falhado o objetivo da emissão obrigacionista, agora, ao dramatizar as soluções necessárias para se salvar de uma rutura financeira, assim, de forma pública, está também a passar a responsabilidade do que vier a suceder para os bancos, sobretudo para o BCP e também para o Novo Banco.

Dificilmente estes dois bancos, e credores do Sporting, aceitarão aumentar a exposição de crédito, e por isso a operação de antecipação de receitas do contrato da NOS tem de ser feito por um fundo internacional. Vai aparecer? A que preço? Sim, é verdade, o Benfica também antecipou receitas do contrato com a NOS, mas para pagar a dívida bancária. O Sporting precisa desta operação para pagar despesa corrente, salários e afins.

Tendo em conta a gravidade do que o Sporting comunica aos investidores, Frederico Varandas já terá mesmo perdido o sono.

  • “A sociedade poderá sempre, em última instância, recorrer à venda de ativos, designadamente dos direitos económicos dos jogadores de futebol, de modo a satisfazer eventuais necessidades de liquidez”, revela a SAD do Sporting.

Veremos, portanto, nas próximas semanas, em função da resposta do mercado a estes apelos que fazem lembrar a “operação coração” do seu rival do outro lado da segunda circular, se não perde mais alguma coisa.

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