Insurtech: uma nova era no negócio dos seguros

Manuel Leiria, consultor de inovação em seguros, salienta que as soluções desenvolvidas pelas insurtech estão a provar melhor que as desenvolvidas pelos "innovation labs" internos das seguradoras.

Estima-se que, em 2020, 80% dos clientes de seguros estabeleçam algum contacto com a sua companhia através dos meios digitais. A indústria seguradora, ainda muito ancorada nos modelos de negócio tradicionais, iniciou uma profunda transformação, à escala global, convertendo-se num serviço próximo, disponível e dialogante.

O motor impulsionador deste movimento são as insurtech. Estas novas empresas têm vindo a reinventar o negócio dos seguros, apostando em tecnologias emergentes para criarem propostas de valor inovadoras. Cada vez mais, os padrões de serviço e conveniência exigidos pelos clientes são estabelecidos a partir das suas experiências com as FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google). Sendo que o gap entre o que as seguradoras têm para oferecer e o que os clientes exigem tem vindo a ser encurtado por soluções desenvolvidas pelas insurtech.

Paradoxalmente, são as seguradoras tradicionais quem mais investe nas insurtech. Para os incumbentes, esta é uma forma vantajosa de acompanharem as inovações que surgem no mercado. O modelo alternativo, de inovação interna através de innovation labs tem-se revelado menos eficaz pela dificuldade das seguradoras em se libertarem dos grilhões culturais que lhes limitam a capacidade de inovação e disrupção.

Ainda que o impacto das insurtech não seja claramente identificável pela generalidade dos clientes, o volume de investimentos já aplicados nestas start-up são a garantia da profunda transformação que induzem em toda a cadeia de valor dos seguros, nomeadamente nos seguintes domínios:

  • Na pré-venda as propostas são cada vez mais customizadas ao perfil e ao contexto de cada cliente;
  • Na subscrição, os processos são mais simples, rápidos e fiáveis, aumentando significativamente o rigor da caracterização, avaliação e monetização dos riscos;
  • Na regularização dos sinistros como uma atividade quase totalmente automatizada, restringindo-se a necessidade de intervenção humana a situações excecionais;
  • Na deteção de fraudes é muito mais eficaz, baseada em modelos proativos centrados nos clientes, em vez dos modelos tradicionais de “averiguação” concentrada nos processos.

Estes exemplos, e muitos outros, em toda a cadeia de valor dos seguros, constituem oportunidades para as seguradoras ganharem vantagens competitivas sobre os seus concorrentes e a lealdade dos seus clientes. Mas são também sérias ameaças às suas posições confortáveis se não forem devidamente consideradas e enquadradas nas suas estratégias de desenvolvimento.

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