“Inter-Covid”. O que já sabemos.

Saímos do “year of blur” como lhe chamou o New York Times para o momento “Inter-Covid”. Mas o tempo não parou e em 2021, na verdade, não está tudo igual.

2020 chamaram-lhe os “Transformative Twenties”, porque as tendências apontadas para a nova década foram aceleradas pela pandemia e vivemos mudanças globais como nunca tínhamos vivido nas nossas vidas. Muito impulsionadas pela tecnologia, mas também pela capacidade humana de adaptação à nova realidade, com todos os custos humanos e económicos que também vivemos.

Apesar da incerteza com que entrámos em 2021 e apesar deste novo confinamento, os trend-forecasters têm trabalhado (talvez mais do que nunca, avaliando pelo número de relatórios e webinares que vemos todas as semanas) a tentar perceber que mais mudanças globais temos pela frente.

E falam do momento “inter-covid”, quando apenas um ano nos separa das primeiras vagas da pandemia, é um momento que nos obriga a (re)imaginar o que somos e seremos enquanto sociedade, qual o futuro das nossas relações e até dos modelos económicos. Apesar do contexto, sim, há quem esteja a olhar para o presente e futuro – com esperança e com as suas oportunidades.

No relatório do Future Laboratory que li esta semana, há a chamada de atenção para se quisermos quatro temas que marcam este momento: O vírus acelerou o ritmo da inovação global da medicina, nomeadamente com o aparecimento em tempo recorde da vacina; vai continuar a acelerar a adoção da tecnologia nas nossas vidas e de forma multigeracional; fez da saúde e do bem-estar a grande prioridade do mundo; mundo esse que contaminado por um vírus, se prepara para viver e consumir de forma mais consciente e sustentável.

O momento “inter-covid” surge num ano em que vemos democracias questionadas, em que reaparece o debate sobre o modo como funcionam as grandes tecnológicas, em que as alterações climáticas voltam a estar em cima da mesa e em que se acentuam as diferenças sociais e económicas. O que vemos no horizonte de 2021? Gerações diferentes que se adaptaram a viver em lockdown – os que nascem, mas também os Z e os Alpha (todos nós), vemos movimentos como o #blacklivesmatter e até as eleições norte-americanas a trazerem aquilo a que já chama de uma onda de energia coletiva, apontado para um futuro com mais respeito, mais ético e mais igual para todos.

Neste 2021 há então novas atitudes e comportamentos que estão a (re)desenhar diferentes setores, as marcas e as nossas relações com elas. Por exemplo, na Beleza e no bem-estar vemos o consumidor com um único pensamento: recuperar a sua vida, e entre as grandes tendências está a relação entre as fórmulas mais sustentáveis aliadas à biotecnologia (a tal contaminação da ciência…), quando surgem novos conceitos e oportunidades no mercado como o combate à Covid-face; a tecnologia passa a ser uma ferramenta para experiências de escapismo Phygital mas, na minha opinião, é na arquitetura do bem-estar que surgem projetos verdadeiramente inspiradores: do The Tide, o parque em Londres com spots de meditação, ou o parque na Áustria que criou o “20 minute solitary walk”, ambos criando uma espécie de santuários públicos de meditação, questionando o conceito atual de urbanismo.

No setor das bebidas e alimentação, destaco o crescimento dos “social elixirs” com o a aposta em novos sabores, nas bebidas funcionais alinhados com um consumidor mais “sober curious”; e a tecnologia que nos permite, por exemplo, saber a frescura de um alimento através de uma espécie de selo “ph sensitive”, como o FreshTag desenvolvido por um estudante do Royal College of Art. E claro, o Fresh, Hot, Delicious que é um “Instagram-based restaurante” criado pela designers Jess Herrington. Sim, só existe na rede social, tem filtros de realidade aumentada e sim, os produtos esgotam quando alcançam determinado número de visualizações. A comida digital a refletir a forma como vivemos a nossa existência digital…dá que pensar.

Nas viagens, depois de 2020 ter sido o ano de “staycation” com todos nós a passar férias e a descobrir o nosso próprio país, 2021 é o ano de escapismo através de experiências imersivas e das “imaginative travel experiences”, e aqui deixo duas sugestões a The Wild Detectives, uma livraria que nos faz chegar a casa livros que nos levam a viajar, e o projeto da artista Jacqui Kenny, que viaja e nos faz viajar virtualmente, com um álbum criado através do Google Street View.

E podia continua…, mas o texto já vai longo. A segunda parte fica para o próximo domingo.

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