Isto assim não tem Graça nenhuma

Apesar de ano e meio de pandemia, a DGS parece continuar a ser apanhada de surpresa. Agora, com a vacinação das crianças. Exige-se uma posição assertiva, não o discurso dúbio de Graça Freitas.

A Covid-19 caiu que nem uma bomba, primeiro na China depois no resto do mundo. Obrigou-nos a fechar em casa para travar a disseminação do vírus, isto enquanto os sistemas de saúde se preparavam para a vaga de internamentos. A vaga que se transformou em vagas à medida que foram surgindo novas variantes, agora com nomes de “código”. A Beta já não assusta, o problema é a Delta.

Graças aos avanços da ciência, muito antes do que se poderia alguma vez esperar, surgiram as vacinas. E começou a corrida aos pequenos frasquinhos, às pequenas porções que tal poção mágica são a chave para o que todos almejamos: voltar à vida que tínhamos antes de tudo isto acontecer… há ano e meio!

Começou mal o processo de vacinação, mas rapidamente foi posto em sentido pelo Vice-Almirante Gouveia e Melo. Ajudado pela maior disponibilidade de vacinas, tem tido o mérito de organizar de forma rigorosa a complexa tarefa de injetar milhões de doses nos braços dos residentes neste país. Começámos, obviamente, pelos mais idosos e fomos descendo nas faixas etárias a um ritmo acelerado, impensável em tempos.

Não sem algumas estropias pelo caminho. Problemas com a vacina da AstraZeneca que levaram à suspensão da sua administração para, dias depois, voltar a ser aplicada, confusão nas diretrizes quanto a qual vacina aplicar a quem tomou a da AstraZeneca na primeira toma, entre muitas outras situações em que a DGS, apesar de ano e meio de pandemia, parece continuar a ser apanhada de surpresa.

Houve, até agora, um sem número de situações em que a suposta entidade responsável pela saúde em Portugal se perdeu. Mas nunca como agora se tinha despistado na resposta à Covid. Falo da vacinação dos mais novos. Não daqueles que têm sido apontados por muitos como os principais responsáveis pelo crescimento de novos casos de infeção, fruto das festas ilegais, mas daqueles que têm entre 12 e 15 anos.

Portugal tem seguido as orientações da Organização Mundial de Saúde para garantir a segurança em todo este processo — ninguém quer fazer pior com a vacina do que sem ela. Seguiu-as para tudo, mas quando chegamos à faixa dos 12 a 15 anos, apesar dos alertas sucessivos de Gouveia e Melo de que para se alcançar a desejada imunidade de grupo será preciso vacinar crianças e grávidas, Graça Freitas… diz que sim, mas também diz que não.

A ordem é: só vai vacinar para já os jovens dos 12 aos 15 anos que têm doenças de risco para a Covid-19. Mas, há um mas… a DGS considera que “deve ser dada a possibilidade de acesso à vacinação” a qualquer adolescente dos 12 aos 15 anos por indicação médica e de acordo com a calendarização da campanha de vacinação. Ou seja, não se pode vacinar, mas, afinal, até pode.

Não é de estranhar, por isso, que Marcelo Rebelo de Sousa tenha vindo fazer a interpretação que fez. Que é de que a DGS não proibiu a vacinação contra a Covid-19 para crianças saudáveis, afirmando que “esse espaço continua aberto à livre escolha dos pais”. Apesar de contrariado por Graça Freitas, tem razão.

A mensagem, que tanto se tem defendido que seja clara no meio desta pandemia, volta a ser tudo menos isso. Ainda para mais quando no mesmo país, ainda que com autonomia própria, a Madeira esteja a injetar doses nos braços de todas estas crianças. São mais “rijas” que as do continente? Ou a Madeira não tem uma Graça Freitas.

Honestamente, isto assim não tem Graça nenhuma! Criar confusão onde esta não deve haver, é contraproducente. Tal como o foram, no início disto tudo as suas palavras sobre as máscaras, dizendo que “não vale a pena usar máscaras” porque davam “uma falsa sensação de segurança”. Marta Temido já veio admitir que deveria ter recomendado o uso mais cedo, mas Graça Freitas não. E agora fará o mesmo.

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