Não sejam submissos, defendam os portugueses

Não tenhamos vergonha do que é nosso, porque temos qualidade, capacidade, competência. E temos empresários e empresas que querem construir um futuro melhor.

Portugal tem um estranho complexo de inferioridade face ao que vem do estrangeiro. Um pequeno País que apenas por audácia e algum espírito visionário, sobretudo do rei D. João II, foi o pioneiro da globalização e uma das maiores potências do mundo, continua a não privilegiar o que é seu nas grandes decisões e a ser, no que interessa, completamente submisso enquanto é esquartejado nas suas mais-valias e nos lucros que vão indo para outros de capitais estrangeiros.

Vão dizer-me que vivemos numa economia aberta e de mercado livre, pois eu respondo no melhor do meu neoliberalismo: “bullshit”. Nos outros países, onde existem as mesmas regras de mercado, a “cartelização” em defesa das empresas locais é muito maior. Há quase um pacto para que em caso de dúvida se escolha uma empresa da nacionalidade de cada território. Há pouco tempo uma empresa portuguesa ganhou, por mérito próprio e por as soluções apresentadas serem as melhores, um contrato com uma instituição de bandeira espanhola. Sabem o que lhes disseram depois de ganharem o concurso? «Não querem abrir uma empresa em Espanha pois isso dar-lhes-á mais possibilidades de conquistarem mais contratos»? E assim aconteceu. Muitas outras empresas que hoje têm a sua sobrevivência dependentes das vendas e obras noutros continentes, sabem muito bem que na maior parte dos casos têm que integrar consórcios ou fazer parcerias com empresários dessas procedências. São essas as claras regras do jogo.

Em Portugal nada disto acontece. Há um provincianismo saloio que se rende a multinacionais e interesses estrangeiros sem pudor. Não sou comunista nem nunca tive qualquer filiação partidária, por isso é com sensatez que digo que empresas de bens essenciais para uma comunidade nunca devem ser vendidas por 30 dinheiros. EDP, REN, Águas de Portugal, GALP, nunca deviam deixar o universo empresarial do Estado, que depois devia gerir bem, sem monopólios, com transparência e sem boys. Aqui, o que acontece para lá das vendas a sangue-frio, é uma absoluta submissão a multinacionais que ganham a parte de leão em concursos que, posteriormente, subcontratam o talento de empresas portuguesas mais competentes e a quem lhes dão as migalhas por não terem lobbys nem influências para ganhar esses contratos.

Ora, não vale apenas a pena (e vale muito a pena, diga-se) apostar no turismo como única solução para a nossa economia. Temos engenheiros informáticos do melhor que há, investigadores reputados, empresas que exportam na vanguarda das tecnologias de segurança para todo o mundo. Agora, era importante que quem decide percebesse como as nossas empresas e economia precisam de quem puxe por elas. Não bastam extensas comitivas no âmbito da diplomacia económica, que são interessantes sem dúvida, quando cá dentro não há qualquer limite nem acordo tácito para que em caso de dúvida se privilegiem sempre as empresas portuguesas. Isto não colide em nada com a necessidade de se captar investimento estrangeiro, pois há muitas áreas de actividade abertas ao mesmo, que fique bem claro.

É tempo de em 2018 se valorizar o produto nacional sem tabus. Por exemplo, a Padaria Portuguesa compra todos os produtos em Portugal, todas as máquinas para o pão e café são compradas a empresas portuguesas? É que se usam a marca Portugal então que a apoiem. Não tenhamos vergonha do que é nosso, porque temos qualidade, capacidade, competência e ambição. E temos empresários e empresas que sonham e querem construir um futuro, não perfeito, mas melhor. Portanto, não sejam submissos, defendam os portugueses.

Nota: o autor escreve segundo a antiga ortografia

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