O ataque ao Twitter

O assalto ao Twitter que ocorreu esta semana vai ficar na história como a primeira grande falha de segurança massificada numa rede social. Não vai, de certeza, ser a última - nem a mais perigosa.

O ataque que esta semana vitimou o Twitter demonstrou quão frágil é a base tecnológica em que estamos a basear a civilização da quarta revolução industrial. Neste caso concreto, o problema não é tanto pelo que aconteceu, mas mais pelo que poderia ter acontecido.

Aparentemente, a falha de segurança ocorreu através de um serviço de chat interno do Twitter, onde estavam expostos os códigos de segurança que permitiam o acesso a ferramentas de gestão de contas. Essa falha foi explorada por um jovem hacker que não teve noção do que valia o que teve em mãos: Preocupou-se apenas em ganhar umas dezenas de milhares de dólares através de um pequeno golpe com Bitcoins e nem terá explorado a informação a que teve acesso, essa sim potencialmente explosiva. Se se tivesse dado ao trabalho de recolher as mensagens das contas importantes a que acedeu, poderíamos ter em mãos um escândalo de repercussões globais equivalente a dez (ou cem) Snowdens.

No caso americano, graças a Trump, o abuso do Twitter é obviamente um problema de segurança nacional – o que faz dele um problema de segurança global. E é mais um alerta sobre a forma desnecessária como nos entregamos a plataformas que não têm o bem comum como preocupação. Com acesso às contas das pessoas certas, é facílimo lançar o caos nos mercados financeiros e/ou manipulá-los para benefício próprio: Bastaria usar a conta de alguns investidores e lançar boatos sobre empresas cotadas em bolsa para explorar as movimentações.

Seria também facílimo criar uma crise política de enormes proporções: Imagine-se que no dia das eleições americanas um dos candidatos anunciava pelo Twitter que desistia. E mesmo uma gigante crise social poderia ser criada, porque nos EUA o padrão de comunicação entre as agências governamentais e o público já é o Twitter – os alertas de tempestades, furacões, tsunamis e tremores de terra são feitos sempre nas redes sociais, o que implica riscos enormes.

A quem é que isto interessa? A qualquer pessoa previamente preparada para explorar as falhas do sistema ou qualquer entidade interessada em destabilizar uma ou várias sociedades. Ou seja, as bases da civilização moderna estão dependentes de um par de serviços privados geridos por operadores que não apresentam qualquer preocupação cívica nem, pelos vistos, contam com grandes operações de segurança.

A informalidade e o imediatismo destas plataformas contribuem de forma decisiva para aumentar os fatores de risco, especialmente quando são intensivamente utilizados por figuras como o Presidente dos Estados Unidos. E há outro aspeto a destacar: como esta plataforma tem uma influência desmesurada nas democracias ocidentais (especialmente nos Estados Unidos), a sua utilização como ferramenta de destabilização é enorme. E isso já foi confirmado pelas dezenas de ações de desinformação conduzidas pelos serviços secretos russos e mais recentemente também pelos chineses, interessados em destabilizar as sociedades que vêm como inimigas.

Por mera coincidência, uma semana antes do ataque foi publicado um relatório pelo King´s College de Londres que tinha explorado precisamente a influência do Twitter na escalada de crises internacionais. Avaliando as consequências da diplomacia feita no Twitter e a sua relação em diversos momentos de crises recentes, o relatório disseca como a ferramenta tem influenciado os acontecimentos recentes. E avalia também a forma como as campanhas de desinformação são usadas neste contexto, oferecendo ainda sugestões sobre como efetuar gestão de crises. O espírito do relatório pode ser resumido na última frase do sumário, que cabe apropriadamente num tweet: “Parem de usar o Twitter para gerir conflitos durante as crises.”

Ler mais: O relatório foi escrito por duas investigadoras do King´s College e é uma funciona como leitura rápida e fácil dos novos riscos que surgem com o uso da tecnologia na diplomacia mundial.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

O ataque ao Twitter

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião