O novo consumidor

O consumidor tem hoje um conhecimento muito mais profundo, imediato e atualizado dos alimentos que consome e das empresas que os produzem. Cabe agora às empresas responder na mesma moeda.

“Estou convencida que nós somos aquilo que comemos. Não sou fundamentalista, mas preferencialmente prefiro ser eu a fazer a minha própria comida para controlar o que as coisas levam e, também, porque me sabe melhor (…) Sempre que posso tento consumir o que é português (…) Das coisas que me interessam mais é o contacto pessoal, saber exatamente quem é a pessoa que vem entregar as coisas [cabazes de frescos] a casa…”

  • Mariana, 30 anos, solteira, Lisboa, em entrevista recolhida pelo C – The Consumer Intelligence Lab.

O consumidor é hoje mais consciente do impacto social e ambiental que gera com as suas escolhas, valorizando as empresas que conseguem endereçar esta preocupação. Sente-se mais confortável com empresas transparentes, apresentando exigências crescentes de acesso a informação relativa ao tratamento dado aos produtos ao longo da cadeia de valor, aos valores e padrões éticos das empresas e ao impacto que estas têm nas comunidades e no planeta.

A experiência e a personalização são cada vez mais os elementos diferenciadores na escolha e fidelização a uma marca. O consumidor valoriza experiências de compra e de consumo personalizadas e memoráveis. O prazer retirado desses momentos acumula ao prazer proporcionado pelo produto em si e aumenta o valor global percebido pelo consumidor.

Existe assim um novo normal, definido por um consumidor mais “inteligente”, que exige mais dos produtos que consome pelo mesmo preço. Atributos de marca que antes constituíam fatores de diferenciação – como Saúde, Conveniência e Confiança – foram assimilados pelo mass market e fazem hoje parte dos padrões mínimos dos alimentos que consumimos.

O consumidor “elevou a fasquia”, revendo continuamente em alta os atributos mínimos que está disposto a comprar e espera que os mesmos lhes sejam disponibilizados ao preço de entrada na categoria.

Para se manter e continuar a diferenciar no mercado, as empresas devem ver nesta mudança uma oportunidade para se reposicionar no mercado e captar novos segmentos de consumo, mais rentáveis e com maior potencial de crescimento. As suas marcas têm de oferecer propriedades superiores em, pelo menos, um dos atributos valorizados pelos seus consumidores e comunicar de forma transparente e continuada o seu valor adicional.

Complementarmente ao reposicionamento da oferta, as empresas devem também ajustar a sua imagem, atitude e relacionamento com o consumidor. Além da reputação das marcas, também a transparência da empresa e da sua gestão são consideradas. A sua posição e histórico de atuação em áreas como sustentabilidade ambiental, justiça laboral e igualdade de género passa a ser relevante para o consumidor.

Devem também ser mais inovadoras na utilização de canais digitais e mais hábeis na utilização de canais digitais, que são cada vez mais são o veículo preferencial para consumo de informação e entretenimento. Deverão fazer delas não só um meio de comunicar ao público a sua mensagem, mas também um local onde medem as reações do consumidor, antecipam crises e testam novas oportunidades.

O consumidor tem hoje um conhecimento muito mais profundo, imediato e atualizado dos alimentos que consome e das empresas que os produzem. Cabe agora às empresas responder na mesma moeda, redescobrindo e reapresentando-se aos seus consumidores.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

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