O que é ser empreendedor

Nunca foi tão fácil fundar uma startup, mas nem tudo é tão “cool” como parece.

Empreendedorismo é uma palavra que ouvimos cada mais neste país. Na semana da maior conferência de empreendedorismo e tecnologia da Europa, a Web Summit juntou empresas e investidores a fazer de Lisboa (provavelmente), a cidade da Europa onde mais esta palavra foi repetida. Mas o que é ser empreendedor? O que é o empreendedorismo? É preciso ser fundador de uma startup para ser considerado empreendedor? Estas são questões que raramente colocamos. Associamos a personalidade de um empreendedor a alguém que começou o seu próprio negócio, que arriscou ser fundador e CEO da sua própria empresa e que apostou tudo nesse seu sonho.

Na verdade, nunca foi tão fácil fundar uma startup. Os custos para começar são praticamente nulos. Arriscar-me-ia a dizer que existem incubadoras e aceleradoras como nunca, que nunca as universidades estiveram tão abertas à inovação, que nunca houve tantos quadros de investimento públicos e privados, investimento de risco e “business angels”, e que temos mais concursos de ideias do que as ideias que temos. Contudo, nem tudo é tão “cool” como parece.

Nunca foi tão fácil começar, mas também nunca foi tão difícil “continuar”. Hoje, toda a gente está a competir por alguma coisa e a internet e as redes sociais deram um poder inimaginável aos consumidores. É preciso fazer algo único e saber à partida o que queremos construir: por cada empreendedor que consegue ser bem-sucedido, há dezenas que falham. Muitos livros e fóruns criam guias práticos dos passos a seguir para de uma ideia de negócio chegarmos à criação de valor, mas nenhum nos prepara para os verdadeiros desafios do empreendedorismo.

Conheço fundadores de startups que vingaram no mercado português e no estrangeiro, e que me falam sobre este lado menos romântico do empreendedorismo: Gerir e remunerar as pessoas que trabalham connosco, conhecer e ter ‘drive’ de mercado, encontrar investimento e, muito importante, cultivar a motivação e força para nunca desistir. “Tira muitas horas de sono” e é muito duro viver uma vida sem muitas certezas. E neste contexto, Portugal continua a ser ainda um país muito paradoxal e com alguns códigos imobilistas que nos impedem de “andar para a frente”.

Somos um país cheio de ‘know-how’, mas por vezes com falta de comportamento e atuação de negócio. Muitas pessoas ainda não reconhecem o valor das startups e as suas oportunidades enquanto escolha de carreira. Empresas como a Apple, Amazon ou Netflix (para referir apenas algumas), começaram como startups e revolucionaram o rosto das suas indústrias. Estas mesmas empresas adquirem hoje startups por reconhecerem o seu poder, vantagem comparativa (e até ameaça), na inovação e transformação do mundo.

Fundar uma empresa ou fazer parte do ecossistema de uma startup não é para todos (este é um facto). Mas a boa notícia, é que acredito que ser empreendedor (no “outro” sentido da palavra), está ao alcance de qualquer um.

Ser empreendedor também está associado a perseguir um sonho, traçar metas, identificar oportunidades e no limite, promovermos o nosso futuro. E quanto a estas características, todos nós (ainda que com objetivos diferentes de carreira, e até de vida), podemos alcançar. Com isto quero dizer que, de facto, seguirmos o nosso sonho, seguirmos a nossa paixão é muito mais difícil do que parece. Vamos cometer erros (só não comete erros quem nunca tentou), vamos perguntar-nos por onde começar e muitos vão acreditar que não vai funcionar. Mas queiram sonhar alto, porque o problema de Portugal não é falta de talento.

Temos empresários, engenheiros, investigadores, médicos, professores, enfermeiros e profissionais de todas as áreas a “dar cartas” pelo mundo fora. Há cada vez mais uma consciência coletiva de que podemos fazer parte do progresso, da inovação e futuro da sociedade, muito além das nossas fronteiras. Não terá sido sem razão, que Portugal se tornou a “casa” da Web Summit por mais dez anos.

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António Costa

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