Editorial

Onde estão os acionistas da SAD do Sporting?

O Sporting está em crise, o presidente do clube e da SAD perdeu todas as condições de liderança, por responsabilidade própria. Falta ouvir a palavra dos acionistas.

Um gestor que, pela sua intervenção, contribui para a perda de valor dos ativos da empresa que lidera, e que divide os seus acionistas, só tem uma saída: a demissão. É assim num banco, numa empresa têxtil, é também assim na indústria do futebol e num clube. Vai ser assim no Sporting. Mais cedo do que tarde. Bruno de Carvalho fez o melhor em cinco anos de mandato, mas transformou-se progressivamente no seu pior inimigo. Está a destruir a credibilidade de empresa que lidera, a pôr em causa o seu valor.

O que se passou no Sporting nesta última semana foi mau demais. Mas poucos poderão afirmar que era impensável. As jogadas do presidente do Sporting não são de hoje. Ainda recentemente, convocou um plebiscito disfarçado de em assembleia geral para ter mais poderes. Numa qualquer outra empresa cotada – é o caso da SAD do Sporting – um acionista teria convocado uma assembleia geral extraordinária para clarificar a liderança da gestão. Quem manda no clube, manda na SAD, mas seria certamente difícil entrar em guerra com os acionistas.

O que Bruno de Carvalho fez de melhor? Reequilibrou as contas num clube que tinha batido (quase) no fundo. Recuperou um certo orgulho clubístico, contratou um treinador ao maior rival e, sobretudo, as últimas contas conhecidas relativas ao primeiro semestre da época atual são positivas. Os lucros do Sporting caíram para cerca de 10 milhões de euros, mas o passivo global caiu 40 milhões de euros. São, inequivocamente, bons resultados económicos e financeiros. Mas não deixa de ser irónico que seja o próprio presidente da empresa a pôr em causa, com uma gestão via Facebook, um dos objetivos críticos para a próxima época, a presença na Liga dos Campeões. E especialmente a partir da próxima época, quem entra na principal Liga europeia acede a receitas significativamente superiores às do ano presente.

É demasiado óbvio dizer que a gestão de uma organização se faz dentro de casa, por mais exigente, e crítico, que o gestor tenha de ser com os seus quadros superiores. Ou sobretudo quando tem de sê-lo. Mas fazê-lo como Bruno de Carvalho o faz, por Facebook, torna qualquer crítica a pecar por defeito. Esta segunda-feira, Bruno de Carvalho voltou ao Facebook para criticar os críticos e anunciar que vai deixar de escrever na sua página nesta rede social. Não é, de resto, a primeira vez…

Vamos trocar as fotografias: Em vez de Bruno de Carvalho, o que se diria se Nuno Amado, Paulo Azevedo ou António Mexia fizessem intervenções desta natureza, no Facebook, sobre o que se passa nas suas empresas? Ou é admissível por ser futebol? Não é ‘apenas’ futebol, é uma indústria que, ainda por cima, é particularmente competitiva em termos internacionais.

Se os anunciados processos disciplinares a 19 jogadores, entre os quais alguns dos melhores do Sporting, dos que mais valor de mercado têm, dos que mais receita poderão gerar, revelam má gestão, a forma como o fez está no limiar da inimputabilidade. E por isso, não se percebe o silêncio de líderes de outros órgãos sociais do clube, exceção feita a Marta Soares, que já disse de sua justiça. E, sobretudo, dos outros acionistas da SAD. O mais importante dos quais, já agora, é Álvaro Sobrinho, o antigo homem-forte do BESA, o banco do antigo BES em Angola, e que chegou com Bruno de Carvalho. Em fevereiro de 2017, Sobrinho fez uma declaração formal de apoio ao atual presidente. Mantém essa confiança? Porque é isso que está em causa: a gestão do ativo mais importante de um clube de futebol, os seus jogadores, e a viabilidade e sustentabilidade económica e financeira de um clube.

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