Onde estão os donativos para Pedrógão Grande?

Pedrógão Grande saiu das prioridades políticas do Governo, do centro das preocupações, e é isso que explica o desconhecimento sobre o destino de cerca de 15 milhões de donativos.

Vamos lá ver se é mesmo isto que está em causa: Como se não bastassem as vítimas de Pedrógão Grande e a incompetência de um Estado que não fez os mínimos para as proteger, a ausência de responsabilidade política e as dezenas de auditorias à procura de culpados, passados quase três meses, o país tem de perguntar onde estão os cerca de 15 milhões de euros de donativos que tantas entidades privadas como cidadãos anónimos doaram a quem deles precisava?

Haverá boas razões para o dinheiro ainda não ter chegado aos familiares das vítimas de Pedrógão ou aos que perderam tudo ou quase tudo. Por exemplo, a necessidade de se saber que bens materiais estavam protegidos por seguros. Também é preciso acrescentar que nem todos os donativos são geridos pelo fundo criado pelo governo especificamente para a tragédia de Pedrógão Grande, o Revita. Mas há uma péssima razão acima de todas as outras, para o desconhecimento sobre a gestão destas verbas, públicas e privadas, como ficou claro do dia de ontem. Pedrógão Grande passou ao esquecimento, deixou de ser uma prioridade política do governo, agora entretido em negociações palacianas à Esquerda por causa do Orçamento de 2018.

Só isto pode explicar que até Marcelo Rebelo de Sousa tenha tido que dizer em público que “quem de direito” – leia-se o governo – tem a obrigação de esclarecer publicamente o que está a ser feito com os donativos privados. António Costa, afoito, lembrou-se de sacudir a água para cima da RTP, por sinal uma empresa pública. Ironias. A RTP que explique onde estão os seus donativos, disse. Ficamos, portanto, à espera.

Depois do que se passou, exigia-se uma informação tempestiva do que é feito, por exemplo com caráter semanal, na linha do que o Governo decidiu, por exemplo, nas conferências de Imprensa da Autoridade Nacional de Proteção Civil, impostas de forma tão rápida. Dos donativos geridos pelo Revita e dos que são geridos por privados. É o mínimo que se exige, é a prestação de contas, primeiro perante quem respondeu a uma tragédia com doações, depois em relação aos que precisam de fechar este ciclo terrível das suas vidas.

  • Já agora, depois de tantos relatórios, seria importante perceber porque é que o ano de 2017 bate recordes na área ardida (213 mil hectares de janeiro a 31 de agosto), apesar de não ser, nem de perto nem de longe, o ano com mais incêndios.

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