Os Anjos dos Negócios

  • Gonçalo Moreira Rato
  • 17 Julho 2017

Os "Business Angels" permitiram a muitas startups obterem os financiamentos necessários para o seu desenvolvimento que o clássico financiamento bancário não lhes podia dar.

Os chamados “Business Angels” ou “Anjos dos Negócios” são uma realidade recente em Portugal e um termo que ganhou uma enorme visibilidade no ecossistema português nos últimos dez anos.

Esta figura mais ligada aos países anglo-saxónicos, onde existe há largos anos, só recentemente passou a figurar no léxico português.

Os vulgarmente denominados “BA’s” situam-se, numa escala de apoio aos empreendedores, logo a seguir aos 3 F (friends, family anf fools – amigos, família e malucos) e antes das Capital de Risco ou Venture Capital.

São sobretudo empresários ou gestores com experiência que procuram diversificar os seus investimentos e têm a enorme paixão de ajudar os jovens empreendedores e as suas “startups” a crescer e ganhar escala nacional e internacional.

Os BA’s procuram dar aos novos projetos em que investem um apoio para o seu desenvolvimento, seja a nível financeiro, a nível de gestão, a nível de contactos nos setores em causa.

Regra geral investem numa percentagem até 25% do capital social e procuram dar apoio a nível de gestão ou abertura de portas para que os empreendedores possam desenvolver o seu negócio.

Esta nova realidade permitiu, nos últimos anos, a muitas startups obterem os financiamentos necessários para o seu desenvolvimento que o clássico financiamento bancário não lhes podia dar, nem para isso estava vocacionado.

Acresce a isso, todo o apoio a nível de gestão e desenvolvimento da atividade que irá permitir novas rondas de financiamento nesses projetos por Capital de Risco ou até mesmo para a sua internacionalização.

Muitas das vezes, o facto de existirem BA’s com participações nas startups ajuda nas novas rondas de investimento a decisão da entrada de novos investidores.

Um outro fator que ajudou a criar e dinamizar a figura dos “Anjos dos Negócios” em Portugal foi a criação, em 16 de fevereiro de 2006, da APBA – Associação Portuguesa de Business Angels.

Tive a honra e o prazer de ser um dos seus membros fundadores a convite do seu Presidente, promotor e grande dinamizador João Trigo da Roza.

Nessa altura tinha reunido um grupo de gestores e empresários notável para criar a APBA e dinamizar todo o ecossistema empreendedor português.

A APBA funcionava e funciona, não só numa vertente de investimento pelos seus associados em startups e novos projetos mas também na divulgação do empreendedorismo e da figura dos BA’s junto das universidades, centros de investigação, incubadoras e aceleradoras, associações empresariais, câmaras municipais e muitos outros polos.

Foi graças à APBA que os BA’s viram reconhecido o seu enquadramento legal através do DL 375/2007, de 8 de novembro, através da criação dos portuguesmente chamados “Investidores em Capital de Risco – ICR”, vulgo BA’s.

Fruto da sugestão desta Associação foram criados instrumentos de coinvestimento entre o Estado e os BA’s, de vários milhões de euros, que deram novo folgo aos investimentos em startups.

A APBA faz também parte de um conjunto de organizações internacionais de BA’s desde a ACA – Angel Capital Association (a maior associação americana de BA’s) e da Business Angels Europe (BAE) que junta algumas das maiores redes de investimento europeias.

Tal participação nestas redes internacionais permite à APBA trazer para Portugal algumas das melhores práticas de investimento e de empreendedorismo a nível europeu e mundial.

Um dos grandes projetos em que a APBA se destacou foi a organização, em conjunto com a SEDES, da Semana Global do Empreendedorismo (SGE) em Portugal, organizada a nível mundial pela Kauffman Foundation (a grande Fundação norte-americana dedicada ao estudo e desenvolvimento do empreendedorismo como fator de crescimento da economia a nível mundial).

Evento que decorre, em regra na terceira semana de novembro, em mais de 250 países e de que Portugal foi um dos fundadores, criando uma vasta rede de dinamização do empreendedorismo à escala mundial.

Ao longo dos últimos onze anos pude testemunhar a evolução do ecossistema empreendedor português e o papel destacado que os BA’s tiveram.

Faço votos para que assim continue a ser para uma evolução positiva da economia portuguesa.

Nota: Caso tenha questões que gostasse de ver esclarecidas ou temas que gostasse de ver abordados envie o seu e-mail para startups@eco.pt.

  • Gonçalo Moreira Rato

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