Os futuristas foram obrigados a rever as previsões

Chegou o Optimistic futures. E até no retalho, com as montras da Louis Vuitton com Arco-íris a dizer-nos que tem origem nos raios de sol que atravessam as nuvens após a tempestade.

Todos os anos a agora Wunderman Thompson Intelligence lança uma série de tendências para o ano. O “The Future 100,” um relatório anual lançado em janeiro, com aquelas que são as tendências que irão marcar, neste caso, que iriam marcar 2020.

Acontece que “normal life as we knew it has been upended by a global pandemic laying the foundations for an entirely new normal that will shape the years ahead” explica Emma Chiu Global Director, da Wunderman Thompson Intelligence.

A verdade, é que pela primeira vez em muitos anos, os futuristas se viram obrigados a rever algumas das previsões, ao analisarem como resultado da pandemia, alterações nos comportamentos de marcas e consumidores, mudanças culturais e grandes transformações em praticamente todas as indústrias. Nem tudo muda, em alguns casos as tendências identificadas ainda se aplicam, outras apenas aceleraram, como já escrevi aqui. Mas este novo mundo que vamos agora começando a conhecer ao vivo, quando no desconfinamento, começamos a ir à rua, a ter os primeiros encontros no trabalho ou mesmo sociais, obrigou a um follow-up. Num mundo que vem com novos hábitos, em que deixámos de abraçar ou dar um aperto de mão para dizer olá, ou mesmo dar um beijo quando nos despedimos de um amigo. No novo relatório, ou na versão revista, se quisermos, é destacado o aumento dos níveis de ansiedade nos jovens norte-americanos, que é já cinco vezes superior em relação a gerações como a X e o boomers.

Há umas semanas iniciei no Ecoolhunter uma série em vídeo sobre otimismo em tempos de pandemia. Assumindo que há um certo coolness em ser otimista em tempos de incerteza. Vi que entre os nossos gestores de marcas, houve durante os últimos meses um sentido de filantropia ou de responsabilidade social inacreditáveis, que em vez de competição trabalharam em colaboração, e que é com boa dose de otimismo que agora retomam os negócios e a vida neste novo normal.

E é precisamente essa a primeira tendência apontada no novo Relatório de tendências da Wunderman Thompson Intelligence – Optimistic futures. Diz-nos que as pessoas e as marcas estão a fazer um esforço conjunto para encontrar o lado positivo, um momento coletivo para construir-se um futuro com otimismo. Cresce a procura por notícias positivas, nos EUA as pesquisas no Google por “good news” dispararam na segunda semana de abril, segundo o Google Analytics. As próprias indicações por parte da OMS incluem a recomendação de que devemos “find opportunities to amplify positive and hopeful stories.” O próprio ECO criou a secção ECO P+ositivo com histórias positivas de empresas que estão a ajudar a combater o Covid-19.

Os novos tempos, o novo normal, pode ser dos Optimistic futures. Até no retalho, que agora reabre. As montras da Louis Vuitton recebem os consumidores com Arco-íris em diferentes cidades, relembrando que é um símbolo de esperança, de início de uma nova aventura, tendo como mensagem que um arco-íris tem origem nos raios de sol que atravessam as nuvens após a tempestade. Uma viagem criativa – já que a arte é desde final do século XIX, parte do universo da marca. Neste “The Rainbow Project”, a Louis Vuitton convidou colaboradores e filhos a criarem as suas montras, cada montra terá assim uma versão diferente em casa cidade. E assim começa o novo normal, em colaboração, com otimismo e claro, visão de futuro.

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