“Que a curiosidade de prever o futuro seja silenciada para sempre”

Controverso, talvez. Mas não vamos para já silenciar a voz dos futuristas que nos dizem que “People are willing to trade freedoms for safety”.

A expressão é atribuída ao Imperador Constantino, em tempos em que já havia inquietos quanto ao futuro, entre eles, por exemplo os matemáticos. Hoje já não é silenciada, é antes amplificada pela nossa vivência digital, que cresceu em tempos de Pandemia, com o consumo de informação e entretenimento em nossas casas.

E continua a ser dos inquietos, o futuro. Há cerca de dois anos começámos a ver aquilo que se chamou “Protection Wear Is The Trend”, moda protetora, acima de tudo para nos proteger da incerteza dos dias, uma espécie de armadura que protegia a nossa identidade e a nossa saúde da crise ambiental.

A moda defensiva, se assim a quisermos chamar, não é nova. Mas de um conceito mais criativo do que propriamente negócio, torna-se hoje um nicho de mercado com potencial.

Os futuristas, em qualquer relatório que se leia por estes dias, apontam a segurança – física e financeira, como uma das grandes prioridades dos consumidores, no mundo pós-cóvid. É certo que vamos querer gastar menos – e aí já se assiste a um abrandamento ou à mudança do paradigma da fast fashion, mas vamos estar disponíveis para pagar mais por produtos que nos tragam esse sentimento de segurança. E “safety wins over privacy”, dizem os relatórios de tendências sobre o fim da Pandemia. Depois de preocupações e polémicas sobre a privacidade, o personal data, tudo indica que a situação se vai alterar com esta crise e que a segurança se vai sobrepor à minha privacidade. Controverso, talvez. Mas não vamos para já silenciar a voz dos futuristas que nos dizem que “People are willing to trade freedoms for safety”.

Se acreditarmos que é dos inquietos o futuro, Oskar Metsavaht é um deles. O fundador da marca brasileira Osklen que nos inspirou com os seus manifestos por uma indústria mais sustentável, acaba de lançar uma coleção de inverno, onde inclui peças verdadeiramente de moda protetora. Porque os tempos assim o exigem.

E entre os inquietos também já se trabalha o distanciamento físico e não social. Formas folgadas que nos deixem – corpo e mente, confortáveis no distanciamento que se pede. É o caso da Plataforma de Investigação e design @livable_world, que acaba de lançar um novo projeto para chamar a atenção da necessidade de nos mantermos próximos, dentro da distância.“If we do need to get out in the physical world, keep your distance and connect with positive vibrations surrounding you. Well-distance-being’ is not about being cold or distant. It is about being warm and present to what is best for everyone in the picture”.

 

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