Revolução digital em contagem decrescente

  • Jorge Nunes
  • 27 Novembro 2018

A mudança não precisa ser uma ameaça. O novo ecossistema de energia oferece as oportunidades de reinvenção que muitas empresas de energia vêm procurando, depois de anos de erosão de receitas.

A contagem decrescente já começou para o setor das utilities atingir os três pontos de inflexão no caminho para um novo ecossistema de energia.

As utilities estão em contagem decrescente para a reinvenção. A comunidade ligada ao setor da energia há muito que sabe que uma grande onda de transformação está a chegar. As receitas têm sido pressionadas pelo aumento das energias renováveis; em 2016, a energia limpa representou quase dois terços da nova capacidade de energia líquida em todo o mundo.

O amadurecimento das tecnologias de energia renovável, a proliferação de recursos de energia distribuída, o custo decrescente de armazenamento das baterias e a mudança no comportamento dos consumidores estão a mudar a forma como produzimos, usamos, valorizamos e comercializamos energia elétrica.

Juntas, essas forças colocaram o setor da energia num caminho para três pontos de viragem críticos:

  1. Ponto de inflexão 1 – quando o custo e desempenho da energia fora da rede atingir paridade com a energia fornecida pela rede – prevê-se que a paridade de custo da rede irá ser atingida em 2021 na Oceânia.
  2. Ponto de inflexão 2 – quando os veículos elétricos (VEs) alcançarem paridade de preço desempenho com os veículos a motor de combustão – estudos apontam para 2025, em todo o mundo.
  3. Ponto de inflexão 3 – quando o custo de transporte da eletricidade exceder o custo de gerar e armazenar localmente – prevê-se que atingirá a região Nordeste dos EUA em primeiro lugar em 2039.

Os pontos de viragem têm consequências que mudam o jogo.

Esses pontos de inflexão marcam o momento quando tudo muda para as utilities. Eles anunciam o surgimento de um ecossistema de energia radicalmente diferente – onde a geração própria é uma opção acessível para todos, quando os VEs se tornam opções de mobilidade convencionais e quando os consumidores se tornam “prosumers”, produzindo a sua própria energia e levando à proliferação da geração de energia localizada.

Isso criará consequências que mudam o jogo para as utilities:

  • Maior complexidade na integração e gestão de fontes de energia distribuídas. As empresas neste sector enfrentarão mais problemas de desempenho, bem como custos crescentes para manter a rede.
  • Combinada com a rápida queda no custo das tecnologias de auto geração, o abandono dos consumidores irá ser mais acelerado e permitirá que concorrentes não tradicionais roubem quota de mercado, pressionando o modelo de negócio que sustenta as empresas do sector.
  • A grande aceitação esperada dos VEs criará carga adicional no sistema elétrico, mas a carga, se bem gerida, poderá transformar os padrões de uso de energia e melhorar a utilização da rede ao absorver a carga durante os períodos, altamente variáveis, de produção de energia renovável.
  • O mercado de energia precisará de ser digitalmente transformado à medida que a energia se torne mais exigente, local e dinâmica, requerendo uma maior intervenção a nível da distribuição para gerir a qualidade da energia.
  • Novos modelos financeiros e regulatórios serão necessários para gerir a rede de “informações”.
  • Aumento do escrutínio regulatório à medida que o custo de operação da rede é distribuído numa base menor, provocando tarifas mais altas.
    Perigos de interrupção do negócio por ataques cibernéticos.
  • Oportunidades de reinvenção.

A mudança não precisa ser uma ameaça. O novo ecossistema de energia oferece as oportunidades de reinvenção que muitas empresas de energia vêm procurando, depois de anos de erosão de receitas. O potencial de novos caminhos para o crescimento está à espera — para aqueles que se prepararem a tempo.

A verdade é que, à medida que a tecnologia evolui e os setores convergem, as possibilidades de negócio resultantes crescerão exponencialmente e tomarão formas que hoje não podemos imaginar. Há vinte anos, as chefias das empresas de telecomunicações imaginavam que um dia poderíamos controlar quase toda a nossa vida a partir de um smartphone?

  • Jorge Nunes
  • Partner da EY Portugal

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