Sustentabilidade: um caminho quase seguro

  • Patrícia Assunção Soares
  • 27 Janeiro 2020

Patrícia Assunção Soares avisa que envelhecimento da população e riscos ambientais são realidades portuguesas que exigem ao setor segurador uma forte capacidade de adaptação.

Chegados aos novos anos 20, é tempo de fazer balanços, de identificar problemas e desenhar soluções em torno da sustentabilidade no setor segurador.

Com especial foco nesta questão, é de referir, em concreto, duas das principais realidades com que se confronta a atividade seguradora: (i) a primeira diz respeito à evolução demográfica, que se traduz no envelhecimento da população; (ii) a segunda é relativa à constatação de problemas ambientais e à sua agudização.

Relativamente ao primeiro aspeto, de acordo com as previsões do Eurostat, Portugal será o país mais envelhecido da União Europeia no ano 2050. Significa isto que, daqui a 30 anos, cerca de metade da população portuguesa deverá ter mais do que 55 anos. Em 2018, o rácio de envelhecimento era de 157,4%, de acordo com os dados fornecidos pelo INE e pela PORDATA.

No que concerne ao segundo aspeto, relativo às questões ambientais, o Fórum Económico Mundial considerou, muito recentemente, que as alterações climáticas configuram o maior risco do mundo. As catástrofes ambientais, os elevados riscos a que o meio ambiente se encontra exposto e as alterações climáticas e seus efeitos, poderão ter graves consequências como: i) a destruição progressiva de ecossistemas, ii) a perda de biodiversidade e iii) o esgotamento de recursos, o que naturalmente requer a criação de soluções.

Perante estas duas realidades, ainda que distintas, é possível traçar pontos comuns: ambas exigem mudanças e transformações socioculturais, necessidades de adaptação e tomada de medidas adequadas para dar resposta aos casos concretos.

Atendendo aos dados preocupantes acima referidos, se, por um lado, a questão da evolução demográfica, no sentido do envelhecimento da população, se encontra diretamente relacionada, numa perspetiva socioeconómica, com a necessidade de captação de rendimentos e de criação de poupança por parte das gerações mais envelhecidas; por outro lado, a questão ambiental, quando analisada na mesma perspetiva, encontra-se relacionada com a necessidade de os agentes do mercado (onde se insere o setor segurador) terem capacidade de promover soluções sustentáveis e eficazes relativas à proteção do ambiente mantendo a qualidade de atuação.

Aqui chegados, é tempo de dar resposta às questões enunciadas, tendo em conta que o caminho da sustentabilidade não parece estar ainda seguro. Num país com uma população cada vez mais envelhecida e em que as condições ambientais se vêm degradando progressivamente, é urgente definir o papel dos agentes económicos, nomeadamente o do setor segurador. É necessário um reposicionamento e um olhar estratégico que traga consigo a definição de um modo de atuação.

Assim, as medidas a adotar pelo setor segurador, no plano do envelhecimento da população, deverão assentar numa maior disponibilização e personalização de produtos de poupança e de retenção de ativos. Estes serão capazes de proteger a reforma e assegurar uma poupança complementar para fazer face às necessidades e a todos os cuidados inerentes ao fim de vida.

No que concerne aos problemas ambientais, as estratégias a implementar deverão passar pela adaptação do setor segurador, no sentido da criação de produtos que promovam a preservação do ambiente, tais como: i) investimentos amigos do ambiente (os designados “green investments”), ii) coberturas adequadas aos riscos ambientais e aos danos que daí resultam, bem como, iii) coberturas adequadas às catástrofes iminentes que poderão ocorrer.

Deste modo, é grande o desafio com que se confronta o setor segurador que terá de se adaptar às mutações constantes da realidade social. Neste contexto, só adotando estratégias de reposicionamento no mercado e agilizando a adaptação à realidade do século XXI é que o setor segurador estará no caminho seguro da sustentabilidade.

  • Patrícia Assunção Soares
  • Mestre em Direito e Gestão pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa e NOVA School of Business and Economics

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