Temos à porta o Papa peregrino

  • João Pedro Tavares
  • 12 Maio 2017

O Papa Francisco traz uma mensagem que não é apenas para os católicos. Chega a Fátima como mais um peregrino no meio dos peregrinos.

Temos à porta a visita do Papa Francisco. Muito vivem esta visita de porta aberta, quem sabe ele entre. Recebeu inúmeros convites de portugueses a convidarem-no para vir a sua casa, tal a proximidade que este Papa coloca na relação e a surpresa que provoca no encontro, muitas vezes inesperado. Diz quem com ele se cruzou pessoalmente que atende de forma única e pessoal, com todo o tempo do mundo, sem pressa, escuta com atenção e tem sempre uma palavra que marca, um gesto que toca. Mesmo que não nos cruzemos olhos-nos-olhos, vamos encontrar-nos de coração aberto, atento e disponível.

Alguns membros da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) tiveram um encontro com o Papa no final do ano passado, por ocasião do congresso da UNIAPAC, tendo registado vários desafios de que destaco:

  • O valor do dinheiro não é neutro, depende da sua finalidade. E a sua maior finalidade não é governar, é servir.
  • Do mesmo modo, a finalidade das empresas não é o lucro, mas criar valor. Valor económico, social, ambiental, cultural, humano, tantas outras formas de o criar.
  • Num mundo em significativa evolução tecnológica, o Papa exorta a que as pessoas continuem a ser o centro das organizações.
  • E, por fim, que saibamos sempre viver em coerência, de forma integra e integral, em unidade e respeito, connosco e com os outros, actuando de forma justa e com visão a prazo, promovendo a verdade e o amor.

Não é pouco, mas muito e é desafiante. Não vem substituir tudo o que já existe, mas renovar e contribuir para uma sociedade mais justa, de relações que geram mais confiança e que não deixa de ser ambiciosa no seu propósito de um maior desenvolvimento, desde logo, de desenvolvimento de cada um.

É um Papa que arrisca nos lugares que visita, nas mensagens que transmite, nos gestos que o acompanham. Sai do Egipto e chega a Fátima como mais um peregrino no meio dos peregrinos, trazendo consigo todos e cada um na sua peregrinação.

Os seus gestos, a forma como serve, toca quem está próximo, mas também quem está longe e é alcançado nesse mesmo gesto.

Fala para o mundo e não apenas para os católicos. Aborda temas tão diversos como os sociais, da economia, da ecologia, da ética, entre outros.

Alinha valores, princípios e meios para um fim maior, o bem comum e a dignidade da pessoa, na prática do amor e da verdade.

Exorta-nos a viver tudo isto no nosso contexto de trabalho, de família, de sociedade. A sabermos estar no mundo, a inspirarmo-nos, e com isso a transformá-lo.

A viver com espírito de serviço e com amor, abraçando este tempo que nos toca viver.

  • João Pedro Tavares

Uma carta aos nossos leitores

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