“The economy of hope”. E o plano para reconstruir a sociedade pós-covid

Um novo modelo que coloca as pessoas à frente dos lucros. É assim que desenha a economia da esperança, com as empresas a ouvirem este apelo à mudança e a verem-no como uma oportunidade.

Li Edelkoort é uma das mais influentes trend forecaster internacionais e uma figura incontornável na área do design e da moda. É fundadora da agência de tendências sediada em Nova Iorque Edelkoort Inc, e consultora de marcas a nível global.

Desde o início da pandemia, já a ouvimos dizer que irá surgir uma página em branco para um novo começo e mais recentemente acrescentou que podem vir mudanças positivas para o ambiente e para a sociedade, ao revermos os nossos padrões de viajar, de produzir e de consumir, num futuro próximo, mais alinhados com o respeito pelas condições e pelo trabalho humano.

É dela também a criação do novo “World Hope Forum” e o manifesto para a reconstrução da sociedade no pós-Covid, apresentados esta semana. Publicado em exclusivo pela Dezeen – no âmbito do primeiro Virtual Design Festival que decorre de 15 abril a 20 de junho, diz na entrevista “People don’t want to go back to how things were before coronavírus”. Pelo menos é esta a sua convicção, que o vírus nos trouxe a oportunidade de repensarmos em que modelo de sociedade queremos viver.

Da sua observação do mundo, e numa altura em que muitos de nós tem apenas a incerteza como premissa de futuro, a futurista explica o projeto que acaba de criar. “No final desta pandemia, como num pós-guerra, apenas os edifícios vão restar, tudo o resto irá mudar” diz no manifesto. “Só a economia da esperança tem o potencial para transformar a sociedade”. E como resposta – se quisermos para contrabalançar os objetivos do World Economic Forum, cria o World Hope Forum, uma plataforma já oficial e que colocará na agenda temas como as alterações climáticas e todas as pessoas negligenciadas nas cadeias de produção e nos serviços, para 2021.

A ideia e o projeto que acaba de lançar serão aprofundados no Festival, mas já anunciou que irá haver embaixadores de diferentes países, case studies, partilha de boas práticas, inovação e espaço para a reinvenção, por exemplo do retalho. Uma primavera de ideias, uma economia de esperança que nascem depois de termos estado no conforto de casa, em tele trabalho, a gastar tempo em vez de dinheiro, o que segundo a futurista, leva muita gente a questionar-se – passamos da adição que temos por tudo o que são bens materiais, para um estado de partilha, de cuidar e de DIY. Uma cultura mais criativa, porque ninguém quer voltar à mesma sociedade pré-covid. Pelo menos, assim acredita. E defende.

Futurista ou Idealista? Para já pouco importa. É uma ideia. E está lançada. Li aponta os “desastres” – como esta pandemia, como poderosas ferramentas impulsionadoras de transformações radicais nos negócios, e que, por exemplo, no caso da moda iremos assistir a projetos de menor escala, por vezes até numa base de produção “home-based”.

Um novo modelo que coloca as pessoas à frente dos lucros. É assim que desenha a economia da esperança, com as empresas a ouvirem este apelo à mudança e a verem-no como uma oportunidade para se reestruturarem. É o renascimento dos negócios. Olhando para a moda diz que vamos querer viver com o essencial, uma espécie de uniforme, e que o design de produto passa a ser crucial para uma economia com um design mais autónomo, de menor escala e feito à mão em ateliers, privilegiando a relação direta entre quem produz e quem compra.

“We can start up from scratch and build new systems where social and common aspects outweigh the ego, where morals and values overrule shareholder profits, and where collaboration and cooperation prevail to give more people equal opportunities” diz no seu manifesto publicado na Dezeen.

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