Tudo muda, menos os táxis

É muito fácil reivindicar que as Uber e Cabify desta vida são ilegais. Mas como vai ser quando forem legais? Os táxis ganham alguma coisa com isso? No deve e haver, o melhor "é fazer as contas".

Anda de táxi? Eu ando. E muito… Se gosto? Nem por isso. Ando porque preciso. Porque a minha profissão o exige. E porque como acontece na grande maioria das empresas, sai mais barato recorrer aos Táxis do que ter uma frota de automóveis que os funcionários podem utilizar. Como eu há muitos que os utilizam. É um entra e sai desgraçado daqueles carros cremes (ou pretos e verdes).

São dezenas ou mesmo centenas de pessoas que se sentam nos bancos de trás dos Mercedes do princípio do milénio (quando não nos calha um “clássico” dos anos 90). Carros com idade avançada conduzidos por profissionais que nem sempre fazem jus ao título. Quem nunca esteve sossegado da vida no banco de trás de um táxi a ver os carros passar pela janela e ouviu, do nada, o condutor carregar desenfreadamente na buzina? Isto seguido do famoso piropo de língua afiada para o automobilista do lado? É um clássico. Mas também há, claro está, quem leve a profissão com brio.

Em comum, os taxistas têm quase todos uma coisa: um ódio irracional à inovação. As plataformas de transportes digitais floresceram no mundo inteiro. Começaram a ganhar dimensão, mas sempre no meio de confusão. Conquistaram mercado a fazer o que há muito se faz: levar pessoas do ponto A ao ponto B. Não tem ciência. Só tecnologia. E atualmente, isso é comodidade. Em vez de levantar o braço a ver se algum táxi para, basta carregar no ecrã de uma app. Simples.

Já nem falo na questão de ser transportado num carro novo ou semi-novo, de gama alta. Basta-me algo asseado. Mas também quero ter alguém ao volante que tem consciência de que está a fazer um trabalho correto. E que está a ser avaliado. Não têm carta profissional. E então? Conduzem mal por não a terem? Nunca tive razão de queixa. Não pagam as taxas e taxinhas que os táxis pagam? Legisle-se. Se querem manter taxas e taxinhas, taxem-nos. Mas se é para se fazer assim, então por que não acabar com o jogo das licenças de táxi cujos concursos só abrem de anos a anos? Por que não impedir que sejam sempre os mesmos a ganharem essas licenças para depois revenderem por dezenas ou mesmo centenas de milhares de euros? É muito fácil reivindicar que as Uber e Cabify desta vida são ilegais. Mas como vai ser quando forem legais? Os táxis ganham alguma coisa com isso? No deve e haver, “o melhor é fazer as contas” como dizia o novo secretário-geral da ONU, António Guterres.

Enquanto não havia legislação queixavam-se. Agora ela está aí, continuam a queixar-se. Decidam-se. Ah, já percebi… Não queriam concorrência? Pois… ninguém quer, não é. Mas faz parte. E é saudável. O tabuleiro vai agora ficar quase com as mesmas peças de ambos os lados. Para ganhar o jogo não é com marchas lentas que tiram a paciência a milhões de pessoas. É com a inovação. É com a diferenciação. Os táxis ficaram parados no sinal. Se tudo muda, porque é que os táxis haveriam de ser diferentes? Mudar é bom. Experimentem.

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