Editorial

Uma remodelação partidária. Governo e PS num só

Está feita mais uma remodelação governamental. E, a meses das europeias e das legislativas, nunca o Governo e Partido Socialista foram um só como agora

Está confirmada a anunciada remodelação governamental, resultado da indicação de Pedro Marques para cabeça de lista do PS às eleições europeias. António Costa já tinha mudado 23 governantes em pouco mais de três anos, agora é uma remodelação partidária: Saem dois ministros e são promovidos “jovens turcos”, secretários de Estado e o vice-presidente da câmara de Lisboa, a preparar já a campanha eleitoral e as próximas eleições. Nélson de Souza, um técnico, é a exceção neste perfil político, mas há em todos um traço comum: São todos do circuito de António Costa.

António Costa fez uma remodelação com os “seus”. Não há enganos, nem riscos. O PS tomou conta do Governo, e este PS, à esquerda, porque vêm aí oito meses de política, do circuito da ‘carne assada’ e é preciso gente que saiba o que é preciso fazer. De Dentro. As relações familiares de vários membros do governo – pai e filha, marido e mulher no mesmo conselho de ministros – são apenas um ‘plus’. Costuma dizer-se que quando um primeiro-ministro só “contrata” dentro do partido é porque já não tem capacidade de seduzir nomes com vida profissional própria. Aqui, desenganem-se, Costa não quis independentes, quis militantes, quis o partido e o governo num só. Os outros ministros são acessórios necessários, desde logo o mais relevante de todos, Mário Centeno.

É a política, estúpido. Desta remodelação, ressalta, claro, a promoção de Pedro Nuno Santos, que vai passar a ministro das Infraestruturas, o ministério que diz muito e faz pouco (como aconteceu com Pedro Marques nos últimos três anos), a pasta que serve para prometer o futuro, exatamente à medida das necessidades do PS nas legislativas. Passou de secretário de Estado da geringonça, a saber tudo o que ‘eles’ querem, para ministro dos anúncios para a próxima década, preparado para fazer oposição à direita…e à esquerda. E sem os fundos comunitários, porque são muito trabalho de gabinete, técnico, agarrado ao excel, e isso deixa pouco tempo à política. Ficam com Nélson de Souza, um dos que melhor domina o tema e sem ambições políticas próprias a não ser fazer o melhor que pode e sabe, e sem peso político para contrariar as exigências, e as restrições, de Centeno.

A “contratação” de Duarte Cordeiro, neste contexto, ganha também relevância. É preciso continuar a lidar com o PCP e o BE, e é preciso alguém com experiência para o fazer. O vice-presidente da Câmara de Lisboa ‘gere’ o Bloco e também faz parte do núcleo duro de António Costa. E os outros novos secretários de Estado, como Alberto Souto e Maria do Céu Albuquerque são a evidência desta partidarização do Governo.

António Costa afirmou que era necessária a separação de águas entre o candidato ao Parlamento Europeu e o Governo, e por isso Pedro Marques teria de deixar de ser ministro para se dedicar à campanha das europeias. Paradoxalmente, nunca o Governo e partido foram um só como agora, a partir da tomada de posse esta segunda-feira em Belém.

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